Janeiro 08, 2019

Partido de Moisés quer mais espaços no governo

Partido de Moisés quer mais espaços no governo
JAMES TAVARES/SECOM/NOV 2018

Os três meses de avaliação do atual quadro funcional do governo do Estado são um dos argumentos do presidente estadual do PSL, Lucas Esmeraldino, para segurar o ímpeto de filiados que, nos bastidores, pressionam pela nomeação de cargos na administração de Carlos Moisés da Silva. O tema virou nota oficial, sem grandes esclarecimentos, e Esmeraldino, secretário de Desenvolvimento Econômico Sustentável e Turismo, acredita, sem citar nomes, que um misto de ansiedade com uma “incoerência gigante”, além de eventual vaidade de alguns partidários, que deve se entendida, levam aos focos de insatisfação em alguns segmentos, pressionados pela base ativista. Para o presidente do PSL, o partido cresceu depois da eleição, ganhou musculatura e já possui executivas municipais homologadas, e quando os primeiros foram convidados para um projeto em torno de Jair Bolsonaro “ninguém reclamava” do tamanho da sigla. Se o diagnóstico estiver correto, os próximos meses serão decisivos para definir se há uma crise, algo comparado à indisposição de um gripe ou um quadro em evolução para uma pneumonia.   

 

Espaço

Alguns deputados eleitos, entre os seis estaduais e quatro federais, têm se manifestado abertamente aos filiados e suplentes por não serem considerados na hora da escolha da equipe de Moisés. Já rotularam a situação como uma crise, mas, em regra, não apresentaram quadros suficientes para suprir as funções ou ao menos o perfil técnico e de qualificação estabelecidos pela equipe de transição.

 

Um dia depois do outro

Os jornalistas Lúcia Helena Vieira e Jeferson Douglas foram, por mais de 48 horas, nomeados para o mesmo cargo, o de diretor de Imprensa do governo do Estado, um erro que foi corrigido com a exoneração posterior. No final das contas, Lúcia Helena foi renomeada antes para a Imprensa e Jeferson depois para a diretoria de Divulgação.

 

Surreal

Mas se estas questões do Diário Oficial são apenas pontuais, o que dirá daqueles que nem sabem como será o desfecho no governo. Filiado ao MDB, ex-secretário estadual de Infraestrutura, João Carlos Ecker, presidente do Instituto de Metrologia de Santa Catarina (Imetro), uma autarquia do governo catarinense ligada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo, pediu uma reunião na Casa Civil para saber quando deixará a função, assumida ainda durante a administração de Raimundo Colombo.


                                                                                                      

O que pesa

Gestor hábil, João Carlos Ecker, ex-vice-prefeito de São Lourenço do Oeste, tem R$ 4 milhões em caixa e uma situação única no governo: a autarquia é estadual, mas a grande maioria dos recursos é repassada pelo governo federal por ser um órgão delegado ao Inmetro, uma autarquia ligada ao Ministério da Economia. Para ser o ordenador primário do Imetro, João Carlos Ecker necessita da autorização do governador Carlos Moisés da Silva. A pergunta que fica: quantas situações como esta ainda existem no governo?

 

MAURICIO VIEIRA/SECOM

O SERVIDOR ADÃO

O governador e a vice Daniela Reinehr têm se dedicado a visitar setores da administração estadual. Desde sexta (4), já passaram pelas pastas da Administração, Agricultura e Pesca e participaram da posse da nova procuradora-geral do Estado Célia Iraci da Cunha. Mas foi na Infraestrutura, que também abriga o Deinfra e o Deter, foram apresentados pelo secretário Carlos Hassler ao animado servidor Amilton Zacarias Adão. Aos 62 anos e 37 der serviço público, Adão garantiu que é a primeira vez que um governador aparece pelo seu setor. “Parabéns e muita sorte para o senhor”, desejou o funcionário a Moisés.

 

* O pai, o vice-presidente da República Hamilton Mourão, afirma que o filho, Antonio Hamilton Rossell Mourão, é competente e qualificado para o cargo, que chegou a ser perseguido pelo PT e que todo o restante não passa de fofoca, quase um desafio à nova política.

 

* O fato é que, oito dias após a posse do novo governo, Hamilton Rossell Mourão, assessor empresarial da área de agronegócios do Banco do Brasil, que tem 18 anos de carreira, foi promovido a assessor especial da presidência do banco, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, e passará de R$ 12 mil para R$ 36 mil mensais, em uma instituição pública.

 

* Uma das coisas mais difíceis no atual momento brasileiro é o Ministério Público do Rio de Janeiro ouvir Fabrício Queiroz, o bem sucedido ex-assessor do deputado Flávio Bolsonaro, que, no mesmo dia em que deixou o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, serviu de álibi para a mulher e as filhas não comparecerem para depor.

 

* Eleitor encontrou o ex-ministro e deputado Manoel Dias, enquanto o histórico brizolista comprava O Estadão, na banca do Beiramar Shopping, e em vez de ouvir algo mais forte sobre a cruzada do PDT para o retorno do Ministério do Trabalho ficou com a crítica de que faltou humildade ao PT para apoiar Crio Gomes à Presidência.

 

* Juízes do Trabalho de todo o país devem participar de um ato pela defesa da Justiça Especial, em São Paulo, no próximo dia 21, promovido pela Amatra 2, entidade que congrega o maior número de magistrados do segmento no país.

 

* A manifestação é contra a declaração do presidente Jair Bolsonaro de que poderia propor a extinção da Justiça do Trabalho.

 

* Ter a posse de arma em casa, cumpridos todos os requisitos para a concessão, em decreto que já está pronto no Palácio do Planalto, não é uma má ideia. O problema é dizer ao beneficiado que ele não pode carregar o armamento e nem usá-lo da porta para fora da residência.

 

* Um avanço de acessibilidade: posts do governo do Estado no Facebook passam a ter a hashtag #PraCegoVer, que permite aos deficientes acompanharem o conteúdo com um programa de audiodescrição. 

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 34 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, nas RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis e na Rede TV Sul!; comentarista na RIC TV Record e na Record News, e editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital. Faz comentários sobre política e economia.
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