Fevereiro 19, 2020

Paulinha fica na liderança mesmo contra o PDT

Paulinha fica na liderança mesmo contra o PDT
RODOLFO ESPÍNOLA/AGÊNCIA AL

Quem aguardava por um recuo da deputada Paulinha da Silva para assumir a liderança do governo na Assembleia, principalmente pela repercussão que o caso teve junto ao PDT estadual, percebeu na manifestação dela à tribuna, na terça (18), que nada mudou desde o convite feito por Carlos Moisés da Silva na última sexta nem mesmo após o ultimato dado pela executiva do partido, que deu prazo de 24 horas para ela renunciar ao posto.

Paulinha fez uma forte manifestação, defendeu as realizações de Moisés e fez até elogios ao ex-governador Raimundo Colombo (PSD), para separar o que é ideológico e programático do que significará estar à frente das demandas do Executivo no parlamento.

As maiores críticas dos brizolistas estão na relação com Moisés, eleito na esteira da onda provocada por Jair Bolsonaro, uma clássica divisão entre direita e esquerda, no caso os extremos.

Da Assembleia, Paulinha e o colega Rodrigo Minotto, 2º vice-presidente da casa, seguiram para o diretório estadual do PDT para debater o assunto, sem demonstrar que estivessem dispostos a romper com a proximidade de Moisés, com quem têm votado.

 

Indignada

A deputada, que tem 28 anos de PDT, é uma militante do partido, disse que recebeu com naturalidade a nota oficial, espalhada à imprensa antes do conhecimento dela, e que isso mostra a disputa de egos dentro da sigla.

Para Paulinha, o que incomoda “gente de dentro do PDT” é que não houve negociação, não se sentou à mesa para discutir cargos no governo, algo que o governador jamais ofereceu.

 

Confiante

Disposta ao enfrentamento, a deputada considera que o PDT não tem nada a provar contra a postura dela que leve à perda dos direitos partidários ou a um processo de infidelidade partidária ou à expulsão.

Lembra também que o diálogo é uma poderosa arma para resolver eventuais erros na condução por Moisés junto à sociedade e que ninguém ignora a postura progressista do governador.

 

Argumentos

O presidente estadual do PDT, o histórico Manoel Dias, tem recebido toda a ira dos brizolistas mais agudos, e preferiu debater o assunto na reunião da executiva estadual, depois de desencontros de agendas com Paulinha na segunda-feira.

Quem apoia a decisão de Paulinha, lembra que, em 2018, Maneca fechou uma aliança com o PSD, de Gelson Merisio, que jamais definiu Ciro Gomes como seu candidato à Presidência e decidiu pegar carona nos votos de Jair Bolsonaro, então no PSL, que o levaram para o segundo turno.

 

Troca

Maneca, desde a primeira manifestação, atenta para a questão programática do que, para alguns pedetistas, é ato de rebeldia da deputada Paulinha da Silva.

Hoje, por mudanças no diretório, Maneca tem a maioria para fazer qualquer ação contra a parlamentar. Paulinha emitiu nota oficial sobre a posição da executiva do partido, e, no contato com a coluna, chegou a bradar uma “se dane quem quer me prejudicar”. Leia na íntegra:

"NOTA OFICIAL

Recebo a nota do PDT com ameaças à primeira mulher de Santa Catarina a desempenhar a função de líder do Governo na Assembleia com o coração aberto.

Entendo que se trata de uma briga de egos, exaltados justamente por não haver negociação de cargos, lubrificante que tem facilitado acordos políticos desde muito em nosso Estado.

Percebo, de forma dura e crua, o encontro da velha política com a nova política.

Nenhum cargo, favorecimento ou favor pedi para assumir o papel de estimular o diálogo do Governo com o Parlamento e a sociedade.

Quando sonhávamos com a nova política, era nesses moldes.

Meu partido, meu único partido na vida, no qual milito há 28 anos, apegado ao modelo velho, redistribuiu cadeiras na direção partidária para obter a maioria que ora ameaça esta parlamentar.

É o retrato da velha política. Aos amigos que me conhecem, garanto: não descumpri nenhuma norma, diretriz ou orientação partidária, simplesmente porque elas não existiam previamente.

Passaram a existir ante a falta de oferendas. Cabe uma reflexão política, do cenário que nos encontramos.

O PDT se diz oposição ao governo Moisés, que hoje defende conosco pautas progressistas.

Em 2018, o partido teve candidato a presidente e teria candidato ao governo de Santa Catarina.

Eu me dispunha. Mas o partido, este mesmo que agora sente falta dos afagos da velha política, optou por abrir mão de uma candidatura majoritária para apoiar o então deputado Gelson Merísio.

O mesmo deputado-candidato que viria a apoiar o candidato à presidência pelo PSL. Nisso, meus dirigentes não viram problema.

Trago o coração leve, a certeza da retidão de meus atos e mantenho viva a mesma força que me trouxe até aqui, sempre lutando por aquilo que acredito. Digo todo os dias: entre o certo e o conveniente, fico com o certo.

Lutarei até o fim, não pelo meu lugar no partido, mas contra as práticas do atraso, da intolerância e do oportunismo. Santa Catarina em primeiro lugar, sempre! Nos últimos dias de sua vida, Brizola me dizia que os partidos políticos tinham perdido a capacidade de representar o povo brasileiro. Ele tinha razão!

Deputada Paulinha

Presidente do PDT Florianópolis

Presidente do PDT Bombinhas

Vice-presidente Estadual

Membro do Diretório Nacional

Deputada Estadual"  

 

Um estrago

Expulsar Paulinha, a pior hipótese, seria um desastre político que serviria apenas para acalmar parte da militância do PDT e os mais radicais da sigla.

A deputada estava em todas as listas que farejam crescimento.

 

Bate-rebate

A deputada Ana Carolina Campagnolo (PSL), que fez as contumazes críticas ao governador Carlos Moisés da Silva, à tribuna da Assembleia, nesta terça (18), apresentou um vídeo em que uma pré-candidata a vereadora pelo PDT de Blumenau dança funk com os alunos e usou o fato para criticar o partido da nova líder do governo, não esperava pela resposta do deputado Rodrigo Minotto.

Ao final do depoimento de Campagnolo, Minotto declarou que assistira ao vídeo e que não gostaria que a colega, ainda pesselista, generalizasse a postura da professora com a de todos os pedetistas, assim como ele não considera todos os integrantes do PSL “milicianos”.

 

Exagero 1

O clima de enfrentamento no PSL entre os que defendem o governador Carlos Moisés da Silva e os que o acusam de ter se afastado dos ideais de Jair Bolsonaro, rumo à Aliança Pelo Brasil, ganhou um novo capítulo com uma notificação extrajudicial que pede a expulsão do deputado Sargento Lima, líder do partido na Assembleia.

A base do pedido está em cobranças sobre o repasse de recursos para o Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville, base do parlamentar, e um outdoor em que Lima e deputado Kennedy Nunes (PSD) pedem ações para o município.

 

Exagero 2

Os motivos que motivaram a notificação disfarçam o que deve ser o real objetivo: neutralizar a ação de Lima em relação aos pedidos de reposição inflacionária da Aprasc, entidade que reagiu quando o governo cancelou a nova rodada de negociações.

O deputado do PSL se defende e, além de reafirmar que vota propostas do Executivo, lembra do episódio, quase insólito, em que, no debate sobre a redistribuição do duodécimo entre os poderes, ficou sozinho no apoio ao posicionamento do governador, na Comissão de Constituição e Justiça.

 

TULIANA ROSA/DIVULGAÇÃO

TROCA DE BASTÃO

Marcada para o dia 31 de março a posse do deputado Daniel Freitas (PSL) na coordenação do Fórum Parlamentar Catarinense. Freitas, estreante na Câmara, substituirá o experiente Rogério Peninha Mendonça (MDB), o que significa que o sistema de rodízio favorecerá a continuidade de quem está alinhado com o presidente Jair Bolsonaro. O Fórum reúne os 16 deputados federais e três senadores.  

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia. Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis), e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, assina uma coluna no Diarinho (Itajaí), faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento), na 105 FM (Jaraguá do Sul) e na Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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