Julho 09, 2020

Por que tão difícil um Ministro da Educação competente?

Por que tão difícil um Ministro da Educação competente?

Por duas razões: Inteligência e coragem reformista. Inteligência. Tem que entender o que está acontecendo no mundo com a educação onde o desenvolvimento sócio-econômico está acelerado. Nesses lugares, o que a educação está fazendo é ligar completamente o conhecimento acadêmico com as ações concretas de vida, trabalho e empreendedorismo dos cidadãos. Pois já se percebeu nessas sociedades que todos os desenvolvimentos, o econômico, o social, o político, e o da própria conquista de mais conhecimentos, mais ciência e tecnologia, são totalmente dependentes dessa ligação da educação com as ações humanas concretas. Que incluem o trabalho dos cientistas. Ligação, que tem que ser eficientemente organizada, entre o conhecimento e a vida concreta dos cidadãos. Essa percepção foi aumentada pela revolução comunicacional-informacional que está aí.

Precisamos então de um Ministro cujo intelecto entenda, e se fixe nessa missão, a de ligar o conhecimento com a vida concreta dos cidadãos. Com suas carreiras concretas de vida, trabalho produtivo e empreendedorismo. Ministro com essa inteligência do problema enfocado pela educação moderna. Onde ela existe.  

A outra virtude necessária no Ministro da Educação: Coragem reformista. O sistema educacional brasileiro, para ligar a academia com a vida concreta dos cidadãos, precisa de uma reforma colossal. Que demanda uma grande coragem reformista. E que não é nada fácil de realizar.

Vamos colocar os pontos básicos fundamentais, de uma forma bem ampla, bem simples e bem clara. Primeira providência, dividir ao meio o tempo diário da educação. Metade do dia, responsabilidade total pelo sucesso das carreiras concretas de vida, trabalho produtivo e empreendedorismo de todos os cidadãos, do nascimento à morte, com ajuda da revolução comunicacional-informacional que está aí. Na outra metade do tempo diário, injetar nessas carreiras, de acordo com seus interesses, as tais matérias básicas acadêmicas, matemática, línguas, ciências, etc. É isso que devemos chamar de educação integral. E não apenas ao fato de dar aulas de manhã e de tarde, ministrando apenas as matérias acadêmicas.

Para fazer o que foi definido acima, em benefício dos indivíduos e das comunidades, é importante organizar uma base científica. Classificar as ações humanas e os conhecimentos que as acionam e otimizam. E com essa informação, científica, dar a todos os cidadãos e todas as comunidades, especialmente as de baixas rendas, a escolha completa - com base no exame da lista de todos os fazeres e conhecimentos humanos – das carreiras individuais e da direção que elas têm que compor para a economia e qualidade de vida das comunidades de baixas rendas, das favelas, que estão aí no Brasil, aos montes. A pior distribuição de rendas do mundo, segundo a ONU. O que só a educação pode corrigir.

As duas coisas requeridas do Ministro da Educação são complexas. Inteligência e coragem reformista. Mas é o que um Ministério da Educação moderno e competente tem que oferecer para o Brasil.

*Ricardo Luiz Hoffmann é Formado em direito, técnico em assuntos educacionais da Universidade Federal de SC, aposentado.

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Redação Making Of

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