Agosto 01, 2017

Pressionar Colombo não é uma boa ideia

As declarações do deputado federal Esperidião Amin, presidente estadual do PP, de que “não há constrangimento algum” no partido apoiar o deputado Gelson Merisio, presidente estadual do PSD, ao governo do Estado, em 2018, vêm acompanhadas por ataques ao maior rival no Estado, o PMDB, e tentam comprometer o governador Raimundo Colombo. A ação deliberada é para forçar Colombo a tomar uma atitude e decidir pela renúncia, no ano que vem, para concorrer ao Senado, em abril, data-limite para desincompatibilização, justamente para não fazer um gesto para os peemedebistas, principais parceiros na administração estadual, o que indicaria a possibilidade de manter a atual aliança.

Quem conhece o governador e sua lógica lageana de fazer política sabe que Colombo não pauta suas ações por recados enviados via imprensa tampouco é afeito a aceitar pressões, seja de aliados ou de pretendentes a esta condição. Empurrá-lo nesta direção e criar uma rusga com o PMDB pode significar, a curto prazo, dinamitar pontes para a formação de uma nova coligação, onde o PP teria, nas palavras de Amin e de outros líderes, assumido uma posição de destaque no atual governo. Nem 8 nem 80, os pepistas são apenas quatro parlamentares em plenário na Assembleia contra os 10 eleitos do PMDB, e não tiveram papel fundamental nas últimas três eleições de Colombo – Senado e duas ao governo, com as vitórias em primeiro turno -, como os peemedebistas, a quem o governador reconhece a gratidão.

 

O passado e o futuro

Gelson Merisio vibra com o discurso de Esperidião Amin, pois, não faz muito tempo, articulou uma frente dentro do PP para tirar o ex-governador do comando da sigla, com o nome de Silvio Dreveck, presidente da Assembleia, na cabeça de chapa. Com Dreveck à frente do partido, Merisio conseguirá o tão sonhado acordo antecipado de apoio à pré-campanha, ainda em agosto, mais de um ano antes para a eleição. O problema é que esta manobra não resolve nada, Amin admite a aliança pró-pessedista para ficar na presidência, mas é Colombo que precisa fazer a manifestação, já que ressente-se de acordos no passado com o pepista que não foram cumpridos ou morreram na praia.

 

E agora?

Entre 8 e 14 deste mês, o vice-governador Eduardo Pinho Moreira deverá assumir interinamente o governo do Estado. Raimundo Colombo irá ao Banco Mundial, (BIRD), em Washington DC (EUA), para reuniões com o diretor Joaquim Levy, em busca de recursos. Mais um tijolinho para deixar pessedistas e pepistas com a pulga atrás da orelha. 

 

Um erro

Em 2005, quando o então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) pôs a boca no trombone e expôs o mensalão para garantir votos da base no primeiro governo do ex-presidente Lula (PT), a oposição, liderada, entre outros, pelo senador Jorge Bornhausen (DEM), resolveu deixar o opositor para sangrar e não tomou nenhuma atitude mais drástica para atacar o petista. Cometeu o erro mais crasso da história recente da política brasileira. Lula não foi contaminado pelas denúncias, o que ficou conhecido como efeito teflon. Reelegeu-se presidente e fez a sucessora Dilma Rousseff, movido a muito dinheiro de empreiteiras e frigoríficos, recursos públicos que retornaram ao PT e a seus aliados em forma de propina.

 

Não aprenderam

A mesma protelação, em nome da sangria, é o que parte significativa da oposição atual propõe ao presidente Michel Temer, quando não pretende garantir quórum para votar, na Câmara, nesta quarta, o pedido de abertura de processo no STF, denúncia feita pela Procuradoria Geral da República. O argumento é o de que os petistas, principalmente, sabem que não têm os votos necessários para aprovar a denúncia e esperam pela seguinte que será feita pela PGR, com base em obstrução da Justiça, antes do procurador-geral Rodrigo Janot entregar o cargo à nova procuradora-geral Raquel Dodge. A história ensina, o prudente respeita estas lições.

 

ALESSANDRO BONASSOLI/DIVULGAÇÃO

O FIEL DA BALANÇA

A propaganda estadual vai ao ar no próximo dia 9 de agosto, mas o PSDB fez antes, nesta segunda, uma forte reunião da executiva estadual ampliada, com as presenças das bancadas estadual e federal, alguns de seus principais prefeitos (Blumenau, Criciúma, Santo Amaro, Joaçaba, Concórdia, Indaial, Pinhalzinho, Ituporanga, Araquari e Porto União) e outras lideranças de Itajaí e Tubarão. O partido sabe que tanto no quadro nacional quanto no estadual terá papel decisivo para a eleição à Presidência e ao governo. Escolher os aliados é a questão, pois é assediado por PMDB, PSD e PP, entre outros, todos com nomes para cabeça de chapa. Na foto, o senador Paulo Bauer grava sua participação no programa da sigla, sem tratar de parcerias mas para fazer balanços, um deles o capital eleitoral que tem desde 2014 qunado concorreu ao governo. Além dele, o presidente Marcos Vieira e o prefeito Napoleão Bernardes são lembrados para a disputa.

 

UIARA GONÇALVES ZILLI/DIVULGAÇÃO

BOM EXEMPLO

Desde o primeiro vencimento que recebeu como vereador em São José, o advogado Antônio Lemos (PMDB), no detalhe, tem repassado os valores a entidades filantrópicas e educacionais. Lemos, que defende a prática para os demais integrantes da Câmara, fez a oficialização da medida em um café com a imprensa, nesta segunda. O assunto é interessante, mas reacende a velha polêmica: para doar o salário de vereador, o parlamentar deve manter sua atividade profissional, e, para alguns, isso comprometeria a isenção diante alguns assuntos que misturam o público com o privado, o conflito de interesses.

 

RÁPIDAS

* Assembleia retorna ao trabalho nesta terça sem grandes projetos para o segundo semestre, o que sugere que o assunto central será mesmo a eleição do ano que vem.

 

* Caminhoneiros realizarem paralisações por causa do aumento nos combustíveis é como você dizer que irá acabar um incêndio com querosene: sem transporte, a economia sofre perdas e o preço dos produtos vai às alturas.

 

* Leitura do parecer aprovado na CCJ da Câmara, nesta tarde, na Câmara dos Deputados, abre a perspectiva da votação, em plenário, nesta quarta.

 

* Prefeito Udo Döhler (PMDB) comemora como se fosse um gol a assinatura, nesta terça, às 15h, em Brasília, do contrato de financiamento de US$ 70 milhões (cerca de R$ 210 milhões), na sede do BID, metade do valor para o Projeto Viva Cidade 2 – Revitalização Ambiental e Urbana do Município de Joinville - os outros US$ 70 milhões serão financiados com recursos da contrapartida local do município. 

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia. Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis), e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, assina uma coluna no Diarinho (Itajaí), faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento), na 105 FM (Jaraguá do Sul) e na Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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