Maio 30, 2019

Previdência dos cortes e previdência de verdade

Previdência dos cortes e previdência de verdade

A previdência que vem por aí é a dos cortes. Indispensável. Cortes maiores nos maiores funcionários públicos. Cortes intermediários nos militares, e reposições via carreiras. E pequenas concessões para as massas de trabalhadores. Essa não é a previdência de verdade.

A previdência de verdade seria conseguida em cima de uma economia vigorosa, com alta distribuição de rendas para todos os trabalhadores. E, consequentemente, com arrecadação, pelo governo, que permitisse oferecer-se uma previdência generosa para todos os brasileiros. O único caminho para chegar lá: Educação. 

Os organizadores da previdência dos cortes estão dizendo que a educação está precisando de mais dinheiro e que a previdência dos cortes vai propiciar esse dinheiro. Tolice. Está precisando – e isso pode ser feito com o dinheiro que ela já recebe – de uma revolução radical. Metade de seu tempo assumir a responsabilidade total pelo sucesso das carreiras concretas de vida e trabalho dos alunos. E metade do tempo injetar nessas carreiras, devidamente articuladas aos interesses dessas carreiras, as tais matérias básicas, matemática, português, ciências, etc. E com isso desenvolver a economia de todas as comunidades, especialmente das favelas. E gerar as rendas e arrecadações para se organizar uma boa previdência, generosa, e uma educação cada vez mais eficiente.

Essa educação, voltada para distribuir conhecimento útil aos fazeres da economia concreta das comunidades, foi o que transformou o Japão em grande potência econômica, quando ele “roubou” todo o conhecimento do ocidente e se modernizou com base em ciência e tecnologia. É essa a direção da educação do futuro, abraçada por Finlândia, Coréia do Sul, China, por todos os países se desenvolvendo rapidamente. Enquanto o Brasil permanece adormecido na educação acadêmica que não faz nada de mais poderoso pelo desenvolvimento da economia, da distribuição de renda, da arrecadação de impostos, da previdência generosa de que toda a população precisa. Via fortalecimento da educação.

Tudo que foi dito acima, inerente ao lance espetacular do Japão para competir com o Ocidente, se resume numa utopia direcional para o desenvolvimento futuro de todas as nações do planeta: Acabar com a propriedade do conhecimento. Isso é um futuro remoto, naturalmente. Mas virá. E os sistemas educacionais já devem ir se posicionando nessa direção, assumindo responsabilidade total pelo sucesso das carreiras concretas de vida e trabalho dos alunos. “Roubando” para isso, como fez o Japão, todo o conhecimento mundial que for possível veicular, via educação, para dar a todos os indivíduos carreiras com a maior renda possível. Para, com isso, viabilizar uma arrecadação, por parte de governo, que faculte uma previdência generosa. Fora desse caminho, do crescimento econômico e da distribuição de rendas, não haverá previdência de verdade. Apenas essa previdência insatisfatória dos cortes que está vindo por aí no Brasil. Indispensável, mas apenas um remendo.

Não é preciso mais dinheiro para a educação para ela fazer o que está sendo pedido pelo seu futuro. O que está faltando é mais inteligência planejadora e gerencial, metodológica. Revolução criativa para nos pormos ao lado, e até mesmo superar, os países que estão desenvolvendo realmente no mundo. Como fez o Japão e está fazendo agora a China.

Estamos totalmente paralisados em termos de criatividade com relação à educação exigida pelo futuro. Em consequência, nossa previdência ficará paralisada também. Sem uma solução verdadeira, mais definitiva.    

*Ricardo Luiz Hoffmann é Formado em direito, técnico em assuntos educacionais da Universidade Federal de SC, aposentado.         

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Redação Making Of

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