Janeiro 11, 2019

Quando a determinação é o caminho

Quando a determinação é o caminho
Fotos Fernando Willadino

Nascido em São Joaquim há 47 anos, o empresário Rogério Lemos tem desde a juventude a determinação que o acompanha até hoje. Proprietário de duas lojas de móveis e itens de décor (uma em Florianópolis e outra em Curitiba), sua trajetória empreendedora  começa quando decide sair da sua cidade natal, aos 19 anos, para tentar uma oportunidade de trabalho em Gramado (RS).

Lá, começou como vendedor, passou por supervisor e gerenciou uma das lojas da marca Masotti, quando em 2001 foi incitado ao desafio: dar continuidade a uma unidade que estava fechando em Florianópolis. Mas desta vez como empregador e dono do próprio negócio.

Desde então, revitalizou e está a frente de mais uma loja Masotti, em Curitiba, e analisa propostas de abertura de outros negócios na Ilha. Ao recordar, nesta entrevista, sua trajetória vencedora - e as dificuldades do percurso - Rogério diz que, se pudesse voltar atrás, faria tudo de novo. “Não nasci em berço de ouro, tudo o que tenho, que conquistei foi com o meu trabalho com a parceria da minha esposa e da minha equipe”, destaca.  

 

Rogério e a esposa Katy Zinke

 

Rogério, conte-me um pouco sobre a tua trajetória profissional. Desde o início até a abertura da Masotti, no Shopping Casa & Design.

Eu fui morar em Gramado, em 1990, quando eu tinha 19 anos. Entrei na Masotti como vendedor, trabalhei por cinco anos nesta função, fui supervisor e ajudei a empresa a abrir várias lojas no Brasil, numa expansão da marca à época, com a linha country.

A Masotti foi conhecida como a maior fabricante de móveis country do Brasil - participei desta expansão e deste crescimento. Em 1996 a empresa decidiu abrir uma loja em Capão da Canoa, litoral gaúcho, e me convidou para gerenciar esta loja. Fui pra lá e fiquei por seis anos gerenciando o negócio.

Até então, eu era gerente e não proprietário de loja. A partir daí, em várias conversas, surgiu a oportunidade de abrirmos uma loja em Florianópolis, pois a franquia antiga que ficava na Avenida Rio Branco com a Padre Roma estava fechando e o mercado estaria aberto. 

Eu vim para Florianópolis para escolher um ponto e chegando aqui me deparei com um ponto no Shopping Casa & Design. Junto com a Masotti, outras lojas do segmento também estavam se instalando no Casa & Design e, por meio de uma consultoria com profissionais de Caxias do sul chegamos a conclusão que o melhor ponto seria a SC-401, entre a Lupus (onde hoje fica o Direto do Campo) e a entrada de Cacupé.

E assim surgiu a Masotti Florianópolis, de uma conversa, de uma abertura de mercado, e eu vim junto com a minha mulher, grávida da nossa filha Natália, para iniciar esta trajetória empreendedora. Isso foi em 2001: alugamos o imóvel em agosto, começamos a reforma em setembro e outubro e inauguramos dia 18 de dezembro do mesmo ano.

 

A Masotti Floripa acaba de fazer 17 anos. O que você aprendeu ao longo desta trajetória e como foi empreender neste últimos anos?

A empresa completou 17 anos há pouco. Eu passei de gestor/funcionário para gestor/empregador, ou seja, diretamente responsável pelo negócio.  A trajetória é de aprendizado. Então, a cada ano e a cada momento político aprendemos, o que nos ajuda a crescer cada vez mais.

O grande diferencial é que aprendemos a planejar. Eu sempre planejei muito, segurei muito para que conseguisse fazer com que o negócio crescesse, ele  tivesse uma desenvoltura e uma lucratividade. É claro que nem sempre é fácil, pois erramos muito.

A empresa até 2010 teve um crescimento bem pequeno. De lá até 2015 crescemos bastante, comecei a acertar mais o foco do nosso cliente e a desenvolver um trabalho bem direcionado aos profissionais de arquitetura e decoração e isso levou a uma guinada.

Com a crise, os últimos anos (2016 e 2017) foram bastante difíceis, mas como já tínhamos uma parceria muito forte com os profissionais e uma carteira de clientes consolidada, conseguimos nos manter bem, apesar das vendas terem caído um pouco. Em 2018 tivemos uma retomada bem significativa.

Acho que tem a ver com o resultado das parcerias, do investimento que fizemos ao longo desses anos e, claro, da equipe, que faz parte do negócio. Se a cada momento que estamos melhor é porque a equipe também está crescendo, está mais coesa e com a mesma visão que a gestão do negócio tem. Empreender nestes últimos anos tem sido mais difícil, mas por outro lado mais assertivo e bem trabalhado.

 

DESTAQUE:

"A trajetória é de aprendizado - a cada ano e a cada momento político aprendemos e isso nos ajuda a crescer. O grande diferencial é que aprendemos a planejar".

 

Como e quando se deu esta transformação da Masotti, que antes comercializava móveis e objetos mais rústicos, para esta pegada contemporânea atual?

Quando abrimos o negócio em Florianópolis já tínhamos saído da linha Country, que foi o propulsor do negócio. Ali já havia uma mudança para linhas mais contemporâneas e também havia uma abertura na parte de decoração, que era um pouco menos carregado do que na linha country.

A própria empresa já lançava produtos mais retos. Neste momento eu como gestor do negócio também busquei outros parceiros com esta pegada. Só que o problema é que o mercado demora muito para responder e também a parte interna do negócio.

Se você faz uma mudança, mas chama um profissional que não entenda qual o propósito do seu negócio, não vai funcionar.

Eu venho já desde 2010 mudando muito o estilo de peças que comercializamos: reduzindo as linhas tradicionais e olhando mais para as propostas contemporâneas. Com o aumento das vendas para profissionais o setor,  este crescimento se dá justamente por esta mudança. Em 2017 eu fiz o projeto de revitalizar o negócio, colocado em prática em 2018. Convidamos a designer Adri Tiezzi para fazer esta transformação na loja e conseguimos mostrar mais a fundo esta pegada contemporânea.

Porém, saliento que isso foi só uma reforma diante de muito trabalho durante os últimos oito anos. A Masotti apostando em novas linhas, com a entrada de novos fornecedores, novos parceiros e também com a mudança da própria equipe. E o negócio vem bem em função desses ajustes: muito planejamento lá atrás, a mudança constante e o aprendizado diário, pois erramos.

Às vezes podemos comprar uma coleção que não gira e os fatores podem ser os mais variados: não foi apresentado de forma correta, não tinha o preço adequado para o momento.

Tudo que você acha que sabe, tem que retroceder para poder avançar novamente. É o que estamos tentamos fazer nos últimos anos: prestar atenção no parceiro que nos prestigia, no consumidor que nos procura ao longo desses anos.

 

Estar por dentro das tendências em arquitetura, design e decoração nem sempre é uma tarefa fácil, mas necessária para quem, como você, empreende neste setor.Como faz para se manter atualizado?

De fato, não é muito fácil estar atualizado. Mas como o nosso mercado proporciona muitos encontros, digamos assim. Tem muitas feiras todos os anos, como a Abimad, ABUP,  ABCasa Fair, High Design , a Feira de Gramado, o Circuito do Paraná... Então, são muitos eventos ao longo de cada ano e, além disso, as viagens.

A cada dois anos é importante ir a Milão, estar atento às publicações, redes sociais como Instagram e Facebook para saber o que está rolando no meio no que se refere a tendências, quais são os profissionais que se destacam, quais os melhores projetos. Estar atento a tudo e a todos que circulam à sua volta, estar bem informado.

Eu procuro participar de tudo, estar envolvido com assuntos, eventos e entidades que movimentam o meio, como o Núcleo Catarinense de Decoração, do qual faço parte e que sempre proporciona uma programação intensa.

Estar em contato constante com os profissionais também é importante, pois eles viajam muito e sempre nos dão um feedback do que está pegando no setor. Os fornecedores também nos municiam com muita informação eu sou um dos primeiros que geralmente recebo estes materiais. A medida é fazer relacionamento e se reciclar todo dia.

Com um bom relacionamento você sempre está recebendo informação de qualidade de todos os lados.

 

Como se deu a decisão de levar uma unidade da Masotti para Curitiba?

A marca já existia em Curitiba há 20 anos, é mais antiga que a de Floripa. Em 2008 já haviam me oferecido esta loja, mas não deu certo.

Agora em 2018 eu tive novamente a proposta para assumir o negócio e pensei muito - uma já não é fácil, duas seriam dificuldades em dobro. Como sou movido a desafios, resolvi topar e assumir este negócio em Curitiba.

No início tive muitas surpresas, fiquei muito cansado e abatido, até realmente assumir a gestão. Mas agora já se passaram um ano e meio de loja, reformamos praticamente todo o espaço, que era muito antigo. Hoje ela já está bem contemporânea e próxima dos moldes da loja de Florianópolis.

Mas ainda temos um longo caminho a percorrer com esta unidade em Curitiba. Tenho planejado bastante, mudando equipe, showroom, fazendo vitrines novas e muito contato com profissionais. Eu acredito muito no negócio de lá, porque Curitiba é uma cidade com poder aquisitivo mais alto, e acho que será só uma questão de tempo para o negócio potencializar.

 

DESTAQUE:

"A medida é fazer relacionamento e se reciclar todo dia. Com um bom relacionamento você sempre está recebendo boa informação de todos os lados"


 

Sobre a tua rotina: como coordenar duas lojas em cidades diferentes, comandar equipes, estar por dentro de tudo o que acontece no setor e ter tempo para a família?

Quando eu era só Masotti Florianópolis eu era só gerente e dono. Com a responsabilidade da loja em Curitiba, tive que rever meus conceitos, ficar um pouco mais livre, contratando gerentes para as duas lojas, que coordenam as equipes.

É claro que fico na supervisão para ver se está acontecendo, mas agora fico mais no planejamento - buscando produtos e novos parceiros. Hoje, com as redes sociais, a comunicação via web, tudo fica mais facilitado e você consegue administrar isso de qualquer lugar.

E eu não preciso fazer tudo, tenho de observar e coordenar. Então, desprender um pouco faz bem. E isso, acredito, melhorou o negócio, pois quanto menos eu trabalho full time, mais eu consigo enxergá-lo melhor. Desta maneira estou conseguindo coordenar a administração das duas lojas e ainda ter tempo para a família.

Algumas vezes não dá para participar de tudo, mas priorizo minha presença, principalmente nas apresentações da minha filha, que faz dança. Acho importante estar perto nestes momentos. Bem coordenado e planejado dá tempo para tudo!

 

O que podemos esperar de novidades para este ano?

A Masotti Florianópolis vai passar por uma pequena reestruturação para apresentarmos de maneira adequada o mobiliário para áreas externas.

O projeto será executado no início deste ano e leva a assinatura do arquiteto Nelson Alexandrino. E tenho muitas propostas para abrir uma segunda marca aqui em Florianópolis, que estou analisando, além de uma galeria de uma fábrica também. Agora no início de fevereiro estamos indo para feiras do setor, como  a Abimad, ABUP e ABCasa, e com certeza faremos uma curadoria bacana de móveis e objetos para os nossos dois showrooms.

 

Se fosse para voltar atrás, lá quando você começou sua trajetória profissional, faria tudo novamente do mesmo jeito ou existe algo que mudaria?

Eu faria tudo novamente. Acredito que o que mudaria é fazer um curso universitário, mas para mim valeu a faculdade da vida e o aprendizado do dia a dia.

Eu tive bons professores e ótimos incentivadores. É claro que fiz por merecer:  trabalhei muito, muitas vezes dormi tarde, muitos dias estava em pé na primeira hora da manhã, que é algo que não gosto de fazer muito. Mas reforço: repetiria tudo novamente! Pois foi muito prazeroso e gratificante, ainda mais para quem não nasceu em berço de ouro. Tudo que tenho e conquistei foi com o meu trabalho com a parceria da minha esposa e da minha equipe.  

 

Equipe Masotti

 

PING PONG:

O que você não fica sem?

O meu trabalho, o futebol, meus amigos e uma cervejinha ou um bom vinho.

Uma mania:

De organização.

O que você abomina?

Arrogância.

O que você mais admira?

A honestidade.

A melhor viagem:

Aquela em que eu me divirto e ainda aprendo.

Uma palavra:

Paixão.

Uma frase:

“Juntos somos mais fortes”.

Um lugar no mundo:

Aquele em que eu estou.

Uma saudade:

Da minha infância.

 

Tags:
social entretenimento Floripa Florianópolis gente festas eventos agenda
Compartilhe: Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no Linkedin

Yula Jorge

Yula Jorge
Jornalista graduada pela UFSC. Antes disso estudou e viveu quatro anos entre o Canadá e os Estados Unidos e quando retornou a sua terra natal, Goiânia, graduou-se pela PUC em Secretariado Bilíngue. 
Logo mudou-se para Florianópolis, ingressou na Universidade Federal, e da ilha não saiu mais. Atua como colunista desde 2012, assinou uma coluna diária no jornal Notícias do Dia por alguns anos, e, paralelamente, foi repórter da RICTV Record e Record News. Traz todos os dias o que rola de legal em Floripa: sobre quem acontece, empreende, se engaja em causas legais. O que inaugura, as festas bombásticas, as melhores casas, restaurantes, os shows, as ações bacanas e o voluntariado.

Comentários