Junho 26, 2020

'Rachadinha': crimezinho cultural na política?

'Rachadinha': crimezinho cultural na política?
Reprodução

Vários políticos e jornalistas disseram que as tais “rachadinhas” são uma coisa menor, de pouca importância. E, nesse sentido, o Presidente Bolsonaro disse que a prisão de Queiroz foi espetaculosa. Quer dizer, que também para ele o crime de “rachadinha” não tem toda essa importância. É um crimezinho cultural, por assim dizer.

A “rachadinha” é uma prática cultural dentro da política brasileira, sim. Está espalhada em todo o país, nos níveis não só federal, mas estadual e municipal também. E se somarmos todo o dinheiro devolvido para os políticos, em todo o país, pelas pessoas que eles empregam em governos, sob condição de devolver-lhes as “rachadinhas”, o montante total desse dinheiro é enorme. Talvez fosse até suficiente para produzir um programa educacional de desenvolvimento sócio-econômico em todas as favelas do Brasil. Assim sendo, como um todo, o crime das “rachadinhas” é enorme. Como casos individuais, e considerando seu caráter cultural, podemos, dentro do jeitinho brasileiro, fazer o que fez o Presidente, atenuar a importância desse comportamento, que praticamente um monte de gente aceita ocultamente, porque é cultural.

O que fez um caso particular de “rachadinha” explodir como um fenômeno de comunicação no mundo político, foi o fato de que essa “rachadinha” particular envolveu um filho do Presidente. E, assim, indiretamente, via família, o próprio Presidente. Que não devia alimentar a ilusão de que sua família só o envolveria em circunstâncias de legalidade no uso do poder para beneficiá-la.

Mas, considerando-se que se trata de um crime massificado pela cultura, poderíamos, quem sabe, resolver o problema de sua punição de uma maneira menos agressiva, e mais construtiva para o Brasil. Poderíamos contrapor à “rachadinha”, em vez de cadeia, uma punição que chamaríamos de “rachadona”. Que seria a seguinte: Quem fosse apanhado praticando a “rachadinha”, seria condenado a dividir ao meio sua renda durante o resto de sua vida. E a metade de sua renda seria recolhida pelo governo e destinada a promover o desenvolvimento sócio-econômico das favelas. Gerar empreendimentos, empregos e rendas para as favelas, via educação adequada.

Assim, os praticantes da “rachadinha” não iriam para a cadeia. E ajudariam a desenvolver o Brasil. E estaríamos substituindo a “rachadinha” do mal por uma “rachadona” do bem. Estamos ironizando, é claro. Mas também procurando ser construtivos. Para solucionar os problemas do Brasil. Contrapondo ao jeitinho cultural da “rachadinha” o jeitão da “rachadona”, para aperfeiçoar nossa cultura política.

*Ricardo Luiz Hoffmann é Formado em direito, técnico em assuntos educacionais da Universidade Federal de SC, aposentado.

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Redação Making Of

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