Novembro 06, 2019

Rede SCC completa 80 anos e vê futuro com otimismo

Rede SCC completa 80 anos e vê futuro com otimismo

Em 2019 o Grupo SCC completa 80 anos de existência. Fundado em 1939 por Carlos Joffre do Amaral, a história do Grupo começou com um sistema de comunicação que consistia em alto-falantes em postes transmitindo músicas, recados e notícias da região, nascendo assim a "Voz da Cidade". Com a popularização dessas transmissões, em 1947 é fundada a Rádio Clube de Lages, uma das pioneiras do Estado de Santa Catarina. Hoje o Grupo é referência em comunicação.

Em entrevista à Making Of, o vice-presidente de Mercado, Carlos Joffre do Amaral Neto relembra a trajetória do veículo até aqui e conta um pouco sobres as dificuldades, estratégias e conquistas durante esses 80 anos na comunicação catarinense.

Como comemoração a data, o SCC promove um evento hoje, 6, na Fiesc, em Florianópolis, onde irá reunir convidados com a presença de figuras nacionais conhecidas como Roberto Cabrini, Carlos Bertolazzi, Nadja Haddad, Chirs Flores, Lola Melnick e Hugo Rodrigues.

 

Confira a entrevista na íntegra:

Making Of: Passados 80 anos, quais os ideais do fundador Carlos Joffre do Amaral que permanecem?

Carlos Joffre do Amaral Neto: Nós sempre buscamos preservar os valores de Carlos Joffre Amaral. O cuidado com as pessoas, a responsabilidade social, a missão de aproximar as pessoas e o propósito de fazer comunicação com paixão e por missão de vida. Temos um compromisso com a ética, com a sustentabilidade, com a produção de conteúdo para a família. Esses princípios estão no nosso DNA e permanecem sólidos desde a nossa fundação.

 

Making Of: Pode descrever os primeiros momentos?

Carlos Joffre do Amaral Neto: O Grupo SCC nasceu a chegada de Carlos Joffre Amaral à Lages. Vindo de São Paulo para consertar alguns aparelhos de rádio que apresentavam problemas, ele se apaixonou pela cidade e pelas belezas do nosso estado e aqui resolveu ficar. O primeiro veículo de comunicação do Grupo SCC foi a Voz da Cidade, um sistema de autofalantes instalado na praça, onde eram transmitidas notícias da Segunda Guerra Mundial, recados à população e músicas.

O sucesso da Voz da Cidade foi tão grande, que meu avô decidiu criar, em 25 de agosto de 1947, a primeira emissora de rádio da Serra Catarinense, a Rádio Clube de Lages. Com o falecimento do meu avô, em 1976, meu pai, Roberto Amaral, assumiu o controle da Rádio e deu início ao processo de expansão do Grupo SCC. Foi através desta expansão que um sonho antigo de Carlos Joffre foi concretizado: a criação da TV Planalto, hoje SCC/SBT.

Meu avô era um homem muito visionário, que acreditava na real possibilidade de mudar a vida das pessoas. Infelizmente não tive o privilégio de conviver com ele, mas tenho a honra de dar continuidade ao seu legado e levar o seu nome.

 

Making Of: Nesse período, quais foram as decisões mais estratégicas?

Carlos Joffre do Amaral Neto: Ao longo da nossa história, diversas decisões podem ser classificadas como estratégicas. É evidente que a complexidade das decisões varia de acordo com o tempo histórico em que estamos falando. A decisão de Carlos Joffre Amaral em criar a Voz da Cidade foi uma decisão estratégica.

A decisão de criar a Rádio Clube de Lages e instalar uma sirene no topo do Teatro Marajoara também, afinal, foi a partir deste momento que o comércio local passou a nos enxergar como uma possibilidade de investimento publicitário. Em seguida foi a vez de meu pai assumir os negócios e tomar tantas outras decisões importantes, algumas difíceis, outras arriscadas, mas felizmente a solidez do nosso Grupo hoje prova que em sua grande maioria elas foram acertadas.

A criação da TV Planalto; a afiliação ao SBT; a decisão de tirar da nossa programação todo conteúdo que tivesse relacionado a sexo, sangue e sensacionalismo, visando trazer uma ambiência à nossa grade; a decisão de nos filiarmos a Rede Massa de Rádios e criar a Massa FM Lages; a decisão de migrar nossas rádios do AM para o FM; a decisão de buscarmos a excelência da nossa gestão; enfim, são inúmeras decisões que foram e continuam sendo adotadas estrategicamente para dar perenidade ao nosso Grupo e fortalecer o nosso posicionamento a cada dia.

 

Making Of: E as maiores dificuldades que foram superadas?

Carlos Joffre do Amaral Neto: Nós enfrentamos muitas dificuldades, mas nossa resiliência nos impediu de desistir. Por mais difícil que fosse o cenário, nós acreditamos no nosso time, no nosso potencial e no nosso propósito. A capacidade transformadora do meu avô sempre nos inspirou e nos fez erguer a cabeça e trabalhar para reverter cenários desfavoráveis. A morte do meu avô foi um desses momentos de dificuldades. Meu pai, ainda muito jovem, precisou assumir os negócios e os desafios de substituir um homem que era uma referência para toda a região.

Décadas depois, também enfrentamos momentos difíceis, já com a televisão integrada ao SCC. Apertamos os cintos para honrar com todos os nossos compromissos. Questões tecnológicas e logísticas também sempre representaram grandes desafios, mas temos uma equipe técnica qualificada e que sempre se notabiliza pela inovação e pela qualificação de seus profissionais.

Quando voltamos a retransmitir o SBT para Santa Catarina, um grande desafio foi o reposicionamento da emissora. Nós estávamos no sinal UHF num canal muito alto (45) e isso nos colocava em uma posição de grande desvantagem em relação aos nossos concorrentes. Com importantes investimentos, lançamos o nosso sinal digital, realizamos inúmeras ações e eventos, contratamos dezenas de profissionais e hoje somos vice-líderes há dois anos na região metropolitana de Florianópolis.

 

Making Of: E as grandes conquistas?

Carlos Joffre do Amaral Neto: Conforme citei anteriormente, os grandes desafios que enfrentamos sempre foram encarados como uma oportunidade de crescimento. Nós criamos a primeira emissora de rádio da serra catarinense; a primeira emissora de televisão da região; o primeiro aparelho de telefone celular; a primeira empresa de televisão fechada via satélite; fomos a primeira emissora de televisão do Brasil (SCC/SBT) a transmitir sua programação ao vivo no Facebook; a segunda emissora de rádio do país (Rádio Clube) a migrar do AM para o FM; desenvolvemos e trouxemos para o Brasil as Body Cams, que já estão contribuindo para o aprimoramento da inteligência e fortalecimento da segurança pública em Santa Catarina, em algumas cidades do Rio Grande do Sul e, em breve, também no Paraná.

Juntas, as rádios Clube e Massa FM possuem 80% da audiência em Lages; o SCC/SBT é vice-líder na média dos últimos dois anos na Grande Florianópolis. Conquistamos as mais importantes premiações do nosso Estado, seja na área social, com o Empresa Cidadã ADVB/SC; na área de conteúdo, com o Prêmio FIESC de Jornalismo, Prêmio IMA de Jornalismo e Prêmio ACAERT; como na área de mercado, com o Prêmio Colunistas, Top de Marketing e Mídia Destaca; e também na área de gestão, com o Prêmio Catarinense da Excelência.

Nossa história é marcada por grandes conquistas e são elas que nós estamos celebrando nesses 80 anos.

 

Making Of: Como a rede SCC se vê no mercado regional? Qual o tamanho da empresa? Em qual tamanho quer chegar?

Carlos Joffre do Amaral Neto: O Grupo SCC cresceu muito nos últimos anos. Enquanto o mercado publicitário registrou uma retração da ordem de 35%, o nosso grupo cresceu cerca de 50%. Um crescimento assim não acontece sem que haja muito trabalho; estratégias de mercado; atenção às demandas dos nossos telespectadores, usuários e ouvintes; e principalmente, atenção e cuidado com as marcas anunciantes. Não tenho dúvidas de que hoje o SCC/SBT é a emissora de televisão com a melhor ambiência no Estado de Santa Catarina. O mercado entende a importância da ambiência para o retorno dos seus investimentos.

Recentemente, fomos reconhecidos lá em São Paulo, como a emissora da Rede SBT que mais cresceu em todo o país. Este é um reconhecimento que muito nos orgulha e que demonstra a relevância do SCC não apenas no Estado de Santa Catarina, mas no Brasil. Anunciar sua marca nos veículos do Grupo SCC não é apenas importante, se tornou necessário para quem deseja impactar um público qualificado em todas as regiões do nosso Estado.

Eu tenho dito, e esse é meu compromisso pessoal, que nós não temos a pretensão de ser o maior Grupo de Comunicação do Sul do Brasil, mas nós seremos, em breve, o melhor grupo de comunicação do sul do Brasil. Eu digo isso com muita confiança, porque acompanho de perto o trabalho das nossas equipes, sei do seu comprometimento, da qualidade de nossas produções, da forma ética como trabalhamos, dos investimos e do planejamento estratégico que é feito ano após ano. Eu tenho certeza, que muito em breve o Sistema Catarinense de Comunicações alcança mais este objetivo.

 

Making Of: E no futuro: quais passos estão sendo previstos?

Carlos Joffre do Amaral Neto: Nós entendemos que o futuro da comunicação passa pela convergência digital e o SCC está atento a isso tem realizado investimentos no sentido de aculturar essa realidade dentro do nosso Grupo. As novas plataformas digitais vieram com muita força, entretanto, os dados apontam que o consumo de mídia tradicional continua crescendo no Brasil.

De nada adianta ter uma plataforma, se você não possui um conteúdo interessante e de qualidade para oferecer. Nós temos uma expertise de 80 anos na produção de conteúdo. Nós engajamos pessoas, muito tempo antes de o compartilhamento digital se tornar uma tendência. Estamos atentos a todas essas transformações, temos investido para acompanhá-las e também para propor inovações, mas precisamos fazer isso de uma forma muito sensata e responsável.

Criamos recentemente o SCCPlay, um nano estúdio em Florianópolis para produção de conteúdo exclusivo para os nossos canais digitais, estamos desenvolvendo podcasts, uma nova plataforma, enfim. Em breve teremos grandes novidades para o mercado.

 

Making Of: É difícil ser mídia em período de menor atividade econômica?

Carlos Joffre do Amaral Neto: É difícil quando você não possui um planejamento que prevê este tipo de cenário. Felizmente o Grupo SCC sempre prezou muito pela qualidade de sua gestão. Nós nos preparamos cotidianamente para enfrentar os diferentes cenários da economia. Conseguimos atravessar esses últimos anos com um crescimento sólido acima dos dois dígitos anuais.

Todo desafio traz consigo uma oportunidade, mas é preciso estar atento às tendências do mercado para transformar suor em resultados. Nós acompanhamos com apreensão a situação de muitos colegas, mas acreditamos que o pior já passou e que as transformações do mercado trouxeram inúmeras possibilidades que poderão ser exploradas a partir de agora. Estamos confiantes no crescimento do país e na capacidade criativa do nosso meio para se reinventar.

 

Making Of: O que precisa acontecer para tudo melhorar?

Carlos Joffre do Amaral Neto: Nós já temos acompanhado algumas mudanças. É evidente que o impacto delas ainda levará alguns anos para ser sentido, mas são um começo e trazem uma esperança para muita gente. Nosso mercado é criativo, arrojado, inteligente e conta com profissionais extremamente capacitados. Precisamos convergir esforços no sentido de buscar as oportunidades que surgiram com as mudanças e com o progresso tecnológico.

Muitos empresários ainda estão receosos e aguardam indicadores mais robustos para voltar a investir, mas nós temos confiança de que esta retomada ocorrerá logo. Temos todas as ferramentas que precisamos para construir um futuro mais próspero.

Tags:
comunicacao
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Redação Making Of

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