Dezembro 31, 2019
SÃO JOSÉ EM AÇÃO

Reinauguração da Hercílio Luz aumenta a autoestima catarinense

Reinauguração da Hercílio Luz aumenta a autoestima catarinense
LEONARDO SOUSA/PMF

Da manhã até a noite, milhares fizeram questão de atravessar os 820 metros da Ponte Hercílio Luz, uma forma de recuperar a posse do patrimônio público que há 37 anos variou entre interrupções de trânsito ou fechamento ao tráfego um roteiro de abandono.

Se no ato da reinauguração, 50 mil, nos cálculos do governo do Estado, se acotovelaram para fazer a travessia, nesta segunda (30), os números serão cada vez maiores daqueles que pretendem incluir o passeio nas últimas horas de 2019 e nos primeiros dias do ano novo.

Cercado de secretários, a mulher Késia e a vice-governadora Daniela Reinehr (Aliança Pelo Brasil), o governador Carlos Moisés da Silva (PSL) disse que o futuro da ponte e sua conservação passam pela cessão de áreas no entorno à iniciativa privada, uma boa medida para garantir não só o monumento, mas a autoestima daqueles que declararam o amor pela velha Hercílio Luz.

ANNE CAROLINE/PMF

 

Choque de versões

O mar de visitantes que passaram pela Ponte Hercílio Luz, na reinauguração nesta segunda (30), e o significado que a obra tem para Santa Catarina e para a mobilidade da Capital devem ser maiores do que qualquer disputa de versões entre o governador Carlos Moisés da Silva (PSL) e o ex-governador Raimundo Colombo.

Moisés disse, com ênfase, que convidou Colombo, e o secretário Douglas Borba, chefe da Casa Civil, informou que foram cinco maneiras para a formalizar o ato: carta entregue por uma viatura na Fazenda da Coxilha Fica (em Lages), carta com AR, correspondência no escritório do ex-governador, WhatsApp (do número que seria de Colombo) e um contato por celular, na última sexta (27), direto com o advogado Edson Colombo, filho de Colombo, que ficou de avisá-lo.

 

Dito pelo não dito

Via assessoria, Colombo declarou, mais uma vez, que “não recebeu nenhum convite do Governo do Estado para a reabertura da Ponte Hercílio Luz em seus endereços em Florianópolis e na cidade de Lages”.

E acrescentou que não recebeu nenhum e-mail, que o filho Edson recebeu um WhatsApp, no domingo à tarde, as 15h10min, após a repercussão nas redes sociais de que Colombo não havia sido convidado, e declarou: “Se quisessem mesmo me convidar teriam telefonado ou enviado convite para o escritório onde trabalho e que é de pleno conhecimento do Governo de SC, que inclusive já enviou há alguns meses correspondência oficial para lá”. Fica o dito pelo não dito.

 

Para esquecer

Mais tarde, o ex-governador acertou em querer superar este fato, que nada acrescenta ou interessa à população que paga obras públicas com os recursos dos impostos cobrados.

Em desabafo, Colombo pediu que “abram imediatamente a nova Ala do Hospital Tereza Ramos em Lages; do Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí; e do Hospital Regional de Chapecó. Também são obras que deixamos praticamente concluídas e que seguem fechadas prejudicando milhares de famílias de Santa Catarina.”

 

FOTOS ROBERTO AZEVEDO

FATOS DA REINAUGURAÇÃO

* A artista plástica Daisy Américo presenteou o governador Carlos Moisés com um quadro, onde retrata a passagem dele e da mulher Késia pela Ponte Hercílio Luz, no fusca de 1970, que liderou o desfile de carros antigos. A obra foi entregue ao secretário Douglas Borba, antes da solenidade.

* Aliás, os que vieram acompanhar a reinauguração enfrentaram 34 graus de temperatura sob um sol escaldante. Assim como os jornalistas, que chegaram a ser retirados da área da entrevista coletiva e depois, em poucos minutos, liberados para o local, onde só autoridades e credenciados tinham acesso.

* Nem tudo foi tão perfeito na reinauguração. Estes bares, instalados em quiosques, não tinham energia elétrica até as 10h, fato que impediu que vendessem qualquer produto, pelo menos aos jornalistas, servidores e convidados que tinham acesso área próxima de onde foi concedida a coletiva à imprensa. Ou seja, bebida quente depois de reaberta a ponte por algum tempo.

* Representantes dos servidores públicos fizeram um protesto por reposição salarial com esta faixa, que percorreu a Hercílio Luz tão logo aberta ao público. O deputado estadual Sargento Lima (PSL) vestia a camisa da Associação dos Praças da Polícia Militar e do Bombeiro Militar e estava acompanhado por um grupo de integrantes da entidade. Ele, que é líder pesselista na Assembleia, preferiu não subir ao palanque das autoridades até porque tem diferenças com Moisés.

NAIM CAMPOS/DIVULGAÇÃO

* No melhor estilo low profile, o senador Dário Berger (MDB) não quis ir ao palanque armado para as autoridades e convidados. O ex-prefeito da Capital e de São José preferiu ficar ali perto e acompanhar ao evento junto aos populares.

ANNE CAROLINE/PMF

* Leia mais sobre os bastidores da entrega da Ponte Hercílio Luz em https://bit.ly/2F3GZro

 

Correu na ponte

Que o Volkswagen Fusca, Café com Leite, ano 1970, com placa de São José, foi comprado pelo governador Carlos Moisés depois da intermediação de Fernando Silvestre, pai do vereador Pedro Silvestre, o Pedrão, que recentemente anunciou a saída do PP rumo ao PL.

É só lembrar que, no início de 2019, Moisés convidou Pedrão para se filar ao PSL, de olho na eleição municipal do ano que vem, e o vereador mais votado da história da Capital disse não em nome da proximidade do governador com o presidente Jair Bolsonaro.

 

Alerta de spoiler

A vice-governadora Daniela Reinehr assumirá o governo do Estado por 14 dias, entre 6 e 20 de janeiro, em função do descanso de Carlos Moisés.

A expectativa é grande porque Daniela rompeu com Moisés, principalmente depois dos desacordos com o pretexto ideológico dos mais radicais e a Tributação Verde, pressionada pelos empresários do agronegócio, da qual ela faz parte, e sabe-se lá o que os conservadores pró-Bolsonaro podem se aproveitar da situação para criar um fato novo.

 

REPRODUÇÃO/REDES SOCIAIS

CONTRA O “VELHO DA HAVAN”

A 2ª Vara Cível de Navegantes recebeu um pedido de abertura de processo do ex-presidente Lula contra o empresário Luciano Hang, dono da Havan, por calúnia e difamação. O motivo está na foto, em que um avião com uma faixa, que passa por praias do Litoral Norte catarinense exibe os dizeres: “Lula cachaceiro devolve o meu dinheiro”. O sobrevoo foi no último sábado (28). A defesa de Lula pede a proibição das mensagens contra o ex-presidente e o pagamento de indenização de R$ 100 mil por danos morais. Hang, o velho da Havan, deve estar muito pouco preocupado, pois no início de dezembro, via Twitter, já avisara que custearia a exibição de "mensagens patriotas" por um avião e sugeria as seguintes frases: "Lula na cadeia, eu com o pé na areia"; "Melhor que o verão, é o Lula na prisão" e "Lula enjaulado é o Brasil acordado".

 

A liminar não saiu

A colunista Dagmara Spautz, da NSC, informou, nesta terça (31), no seu blog, que o juiz Fernando Machado Carboni, da Comarca de Navegantes, negou a liminar solicitada pelos advogados de Lula.

Eles queriam, de acordo com o post, que fosse proibido o patrocínio de Luciano Hang nos sobrevoos dos aviões com as faixas contra o ex-presidente. O magistrado alegou que, na condição de figura pública, o ex-presidente "está sujeito a críticas por parte da população. O mérito da ação ainda será julgado.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia. Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis), e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, assina uma coluna no Diarinho (Itajaí) e faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento), na 105 FM (Jaraguá do Sul) e na Cidade em Dia FM, de Criciúma.
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