Outubro 29, 2019

Revolta mundial: desigualdade socioeconômica

Revolta mundial: desigualdade socioeconômica

Chile, a melhor economia da América Latina. A revolta popular lá começou a partir do aumento dos preços das passagens de ônibus. Isso é simbólico. Todas as revoltas populares no mundo nesse momento – Líbano, Iraque, França, Peru, Equador, etc. – são contra a desigualdade sócio-econômica, má distribuição de rendas, pobreza.

Essa desigualdade está aumentando no mundo moderno graças ao crescimento do poder do conhecimento produzido pela ciência e pela tecnologia. Com esse gigantesco poder do conhecimento, da informação, concentrado nas mãos de uns poucos, a desigualdade sócio-econômica vai se tornando cada vez maior.

A cura disso exige um passo revolucionário radical dentro da democracia, que será o maior aperfeiçoamento do sistema democrático desde sua criação. Esse passo, assustador para os conservadores, e atuais donos do poder, é a abolição da propriedade do conhecimento, um dogma, especialmente da cultura norte-americana, que desenvolveu a ciência e a tecnologia juntando conhecimento e ação intensivamente. Com isso roubando à Europa a liderança mundial. Esse conservadorismo americano, anti-evolução sapiens, já foi condenado por grandes pensadores norte-americanos, Wiener, Skinner, Edelmann, Chomski.

Esse passo gigantesco do aperfeiçoamento da democracia está reservado para o futuro remoto, claro. Mas já pode ser perseguido por medidas preliminares, como mostrou o Japão “roubando” todo o conhecimento ocidental, e se tornando superdesenvolvido.

A principal medida preliminar que pode ser adotada pelos países de populações revoltadas com a desigualdade sócio-econômica,  é uma revolução radical do sistema educacional. Dividir seu tempo diário ao meio. Metade do dia assumindo responsabilidade total pelo sucesso das carreiras concretas de vida e trabalho dos indivíduos, do nascimento à morte, com ajuda da revolução comunicacional-informacional. E na outra metade injetar nessas carreiras as tais matérias básicas, matemática, línguas, ciências, etc., de forma adequadamente combinada com os interesses das carreiras de vida e trabalho dos indivíduos.  Com isso desenvolver em todos os cidadãos aptidões de alto nível para trabalho produtivo e empreendedorismo. Para fazer isso, classificar a totalidade da ação humana e do conhecimento que aciona e otimiza cada ação, cruzando as duas coisas permanentemente a serviço da vida concreta dos indivíduos. Isso colocará os países com má distribuição de rendas no caminho do Japão. E irá preparando o futuro para a socialização, para a abolição da propriedade, do conhecimento. Que será a grande medida futura – aperfeiçoamento revolucionário da democracia – para acabar com a desigualdade sócio-econômica.

Quem não enxerga esse futuro dentro da democracia não está entendendo o que está se passando no mundo nesse momento, dentro dos países com a população revoltada contra a má distribuição de rendas. Quase todo o mundo caminha em direção a essa revolta. Que pode atingir brevemente o Brasil. Se não revolucionarmos nosso sistema educacional, a serviço da distribuição de rendas. Sem a qual as reformas previdenciária, tributária, administrativa, etc., não vão passar de pobres remendos.

*Ricardo Luiz Hoffmann é Formado em direito, técnico em assuntos educacionais da Universidade Federal de SC, aposentado.

Tags:
artigos opinião especialistas
Compartilhe: Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no Linkedin

Redação Making Of

Comentários

Media Social

Fique por dentro

Receba novidades no seu e-mail!