Fevereiro 02, 2019

Senado virou a casa de ninguém

Senado virou a casa de ninguém
GERALDO MAGELA/AGÊNCIA SENADO

O Senado Federal é o Brasil: tumultuado, tenso, sujeito a qualquer tipo de armação para chegar aos seus objetivos, onde se admite, inclusive, ilegalidades e subversão da regra geral para que determinado grupo ou indivíduo se consolide no poder.

Bate-boca não faltou, ameaças sobraram e aparecer duas cédulas sem envelope, o que dá uma a mais entre os 81 votos possíveis, foi o menor dos problemas.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), um símbolo do coronelismo e da falta de ética, de tudo de ruim que há na política brasileira, retirou a candidatura quando começava a segunda votação, depois da primeira ser anulada. Sabia que iria perder para Davi Alcolumbre (DEM-AP) – 42 votos, metade mais um -, na foto, candidato que tinha, nos bastidores, o apoio do Palácio do Planalto, via o ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil), tanto que o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) declarou seu voto para o demista.

Alcolumbre venceu em turno único, um fim para a balbúrdia instalada por mais de um dia na casa ver irosa do Congresso. Os senadores erraram muitas vezes desde a abertura dos trabalhos e estas manobras deixaram uma péssima imagem para a sociedade, e isso com 47 estreantes, novos nomes na casa, entre os 54 que tomaram posse. O DEM comanda as duas casas do Congresso e deverá crescer em todo o país. 

 

Não adiantaram

Os apelos do senador Esperidião Amin (Progressistas), um dos postulantes à presidência, para que, a partir da desistência de Renan Calheiros, em meio à segunda votação, fosse retomado processo com uma nova listagem, não adiantaram. Seria o mais correto. O objetivo da maioria, desde sempre, era ver Renan longe, e conseguiram. Amin garantiu 13 votos e saiu-=se bem em meio ao tumulto.

 

Nem contra Renan vale o casuísmo

Mudar a regra do jogo com a alteração da eleição secreta para aberta, no Senado, não deveria ter sido o melhor argumento dos contrários ao senador Renan Calheiros. Seus adversários insistiram em duas frentes: aumentar o número de candidatos para dissipar votos e dar mais fôlego ao senador Davi Alcolumbre (DEM-AP). A decisão do ministro Dias Toffoli, presidente do STF, para que simplesmente fosse cumprido o estabelecido no regimento enfraqueceu o Senado como instituição e, ao contrário do que se pretendia, ajudou o candidato alagoano a ter um argumento.

 

GERALDO MAGELA/AGÊNCIA SENADO

A CHAPA ESQUENTOU

Renan sentiu que a derrota estava mais próxima quando Alvaro Dias (PODE-PR), Simone Tebet (MDB-MS) e Major Olímpio (PSL-SP) retiraram as candidaturas. Os votos migraram diretamente para Davi Alcolumbre. Renan sai pela porta dos fundos, mas promete não renunciar: “Não sou Jean Wyllys (deputado federal pelo PSOL-RJ, que deixou o mandato depois de sofrer ameaças de morte)!” Renana conseguiu, no entato, fazer história. Tirou a hegemonia do MDB no comando do Senado, um erro tático ao bater chapa e poder como Simone Tebet (MS), que seria um nome muito mais palátavel. Não valeu ter a maior bancada, 13 cadeiras. 

 

O próximo passo

Depois que 50 senadores aprovaram o voto aberto e, durante a escolha, muitos fizeram manifestações nos microfones e mostraram a cédula com o nome de seu candidato, o caminho será mudar o regimento. O risco é que, em uma próxima eleição à presidência do Senado, determinada candidatura, que interesse ao grupo majoritário, venha a querer mudar a regra, o que não é plausível nem aceitável.

 

AGÊNCIA SENADO E PEDRO FRANÇA/AGÊNCIA SENADO

ANTES

DEPOIS

TODOS UNIDOS

A candidatura de Esperidião Amin (Progressistas) à presidência do Senado ganhou mais espaço nas últimas horas, uma real alternativa a Renan Calheiros e até a Davi Alcolumbre. A grande mudança, porém, veio na bancada catarinense, onde até mesmo o arquirrival Dário Berger (MDB) votou em Amin  e mostrou o voto. Jorginho Mello (PR) já havia declarado o apoio ao progressista. Este, sim, é um fato de maturidade política para dar mais visibilidade e valorizar a representação catarinense. Mas quem diria que um dia ocorreria algo parecido.

 

Aceno

Espertamente, para não dizer malandramente com na música, em suas útlimas tentativas de reverte o quadro negativo, Renan acenou com o apoio incondicional às reformas pretendidas pelo presidente Jair Bolsonaro, um contra-veneno à aparente interferência de Lorenzoni no processo. Em outra iniciativa, Renan, no seu pior estilo, atirou contra o plenário e anunciou que, eleito, fará a implantação de uma área constitucional na casa, função ocupada por um magistrado, provavelmente um ex-ministro do Supremo, que seria o guardião para evitar os lamentáveis acontecimentos da última sexta (1º).

 

Para a reflexão

Se um senador, que representa a sua unidade da federação, quebra a regra e declara votou ou mostra a cédula para ferir a votação que era secreta, o que ele poderá contrapor ao cidadão que infringe a lei, um regramento constitucional. Não há como sustentar que os fins justificam os meios quando o objeto é um delito.

Tags:
roberto-azevedo política economia bastidores da política Santa Catarina
Compartilhe: Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no Linkedin

Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 34 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, nas RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis e na Rede TV Sul!; comentarista na RIC TV Record e na Record News, e editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital. Faz comentários sobre política e economia.
  • Youtube

Comentários