Outubro 21, 2017

Será que É de Éter?

Compositora, cantora e pianista, Claudia Passos é formada em jornalismo e educação musical. Carioca, nos anos 1990 se radicou em Florianópolis, onde começou a se apresentar artisticamente.

 

 

Assistente de direção musical, letrista e intérprete no espetáculo “Convite ao Olhar”, da Cia. de Dança Lápis de Seda, Cláudia está prestes a concretizar seu segundo trabalho com o grupo, a montagem “Será que É de Éter?”, no qual fazem uma homenagem ao compositor Chico Buarque de Holanda (meu amooooor).

Com a reapresentação do primeiro e a estreia do segundo, a nova montagem tem a complexidade de um espetáculo com música ao vivo. Sob a direção de Luiz Gustavo Zago, os bailarinos, a intérprete e cinco instrumentistas se apresentam sob a criação da sound e light designer Hedra Rockenbach. O refinado elenco se compõe de Zago no piano, Iva Giracca, no violino, Felipe Arthur Moritz, com sax e flauta, Dudu Pimentel e Leandro Fortes no violão e Alexandre Damaria, na percussão.

Com um CD gravado (“Mar à Vista”), a carioca que escolheu Florianópolis para morar, está inserida no circuito musical de Santa Catarina e divide a agenda profissional entre o Rio de Janeiro e a capital catarinense. Entre as duas cidades, participa ativamente de apresentações e shows. Nesta entrevista intermediada pela jornalista Néri Pedroso, especialmente para a coluna, ela comenta vida, obra, projetos e a expectativa de estar no palco em novembro.

O grande desafio no novo projeto, diz Claudia, “é o de ter a dança e a música presencialmente juntas. Não se trata de um grupo de dança que atua com uma trilha ou uma banda que usa um recurso de um vídeo de dança; é tudo ali na hora, acontecendo ao mesmo tempo”.

 

 

O que significa na sua trajetória esse projeto junto à Companhia de Dança Lápis de Seda neste ano? Primeiro fizeram uma turnê nacional com o espetáculo Convite ao Olhar e agora estão para estrear o Será que É de Éter? Fale um pouco dessa Experiência.

A possibilidade de trabalhar com outra linguagem artística ampliou muito meus horizontes enquanto profissional. É a primeira vez que acompanho de perto o trabalho de uma companhia de dança, o que ocorre desde 2014, quando nasceu a Lápis de Seda. Meu contato com essa área até então sempre foi superficial no sentido de não mergulhar nesse universo que tem especificidades próprias. Mas, ao mesmo tempo, são áreas muito próximas, que se complementam.

O grande desafio, nesse projeto, é o de ter a dança e a música presencialmente juntas. Não se trata de um grupo de dança que atua com uma trilha ou uma banda que usa um recurso de um vídeo de dança; é tudo ali na hora, acontecendo ao mesmo tempo. “Convite ao Olhar” é o primeiro espetáculo, nasceu junto à Cia, em 2014. Já circulou por algumas cidades de Santa Catarina e esse ano fez uma turnê nacional. É um espetáculo lindo e impactante que mexe com as emoções do público.

Seis dos dez dos bailarinos da Lápis de Seda tem algum tipo de deficiência, mas o que se descortina sob os olhares atentos é a dedicação de dez profissionais que prendem a atenção do espectador do início ao fim. Depois do “Convite”, a transformação do olhar. A limitação então, passa a ser um mero detalhe. O mérito dessa transformação é da professora, coreógrafa e diretora da companhia, Ana Luíza Ciscato, por acreditar e apostar na capacidade artística dos bailarinos para que sejam, antes de tudo, reconhecidos e tratados como profissionais da dança e não apenas como deficientes que dançam, ajudando a quebrar as barreiras do preconceito.

Acho que esse é o grande diferencial e o que me aproximou desse trabalho. Acabei me inspirando no grupo e fiz a letra da música de abertura do “Convite ao Olhar”, uma parceria com Luiz Gustavo Zago, responsável pela trilha sonora do espetáculo. Por conta disso, recebi o convite da diretora para participar cantando a canção, atuando artisticamente com os bailarinos. A partir daí, firmamos uma nova parceria para o segundo espetáculo – “Será que é de Éter?” - no qual estamos trabalhando na montagem para apresentar em novembro.

 

 

 

 

Montagem que aproxima música e dança contemporânea, além do desejo de homenagear Chico Buarque de Holanda. Fale um pouco da concepção deste trabalho. O que o público poderá esperar dele?

A ideia nasceu de uma vontade de unir as duas linguagens num conceito único, aproveita as nossas experiências - eu na música e a Ana Luíza na dança. Já era uma vontade minha antiga de realizar um espetáculo com dança, mas não sabia exatamente por onde começar. Participar de perto de um trabalho tão especial me deu essa diretriz e firmamos a parceria.

Chico Buarque é um ícone vivo da cultura e da música brasileira; e numa conversa informal decidimos juntas pelo seu nome. Uma admiração mútua pelo conjunto da sua obra e uma justa homenagem. O público vai se surpreender com o resultado porque há muita entrega de todos no processo da construção do espetáculo. É como uma grande orquestra, regida e orientada pelo maestro - no caso a direção - que dá voz a todos os instrumentos de forma harmoniosa.

 

Como se deu a escolha das composições? De modo coletivo? Que critérios foram adotados para o play list?

Uma das coisas que mais gosto de fazer dentro do meu trabalho na música, é o repertório. No caso da obra do Chico Buarque, que é gigantesca, foi árduo porque difícil deixar fora muitas das composições dele. Inicialmente, baseada a vontade mais particular, apresentei uma lista para Ana Luiza das canções que gostaria de cantar.

Meu foco então era estritamente musical, baseado em meu gosto pessoal. A partir daí, com a sugestão e critério de um olhar também focado na dança, algumas canções saíram para a entrada de outras. Então, esse processo se deu de forma coletiva, à quatro mãos e quatro ouvidos.

 

 

O que significa ter a direção de Luiz Gustavo Zago e como convidados os músicos Iva Giracca, no violino, Felipe Arthur Moritz, com sax e flauta, Dudu Pimentel e Leandro Fortes no violão e Alexandre Damaria, na percussão?

Só posso ter gratidão por poder contar com músicos tão especiais e experientes, uma troca incrível e fantástica. Já trabalhei com todos, só a com a Iva é a primeira vez. O Zago conheço faz tempo, da época da faculdade, quando tocamos junto em muitos lugares por aí. Era praticamente um menino, mas já despontava como um grande músico que viria a ser hoje. Já trabalhamos bastante juntos, ele fez a direção musical, arranjos e tocou no meu CD “Mar à Vista”, que ficou um trabalho lindo.

 

Você é uma carioca que vive em Florianópolis mas está em permanente trânsito entre as duas cidades onde faz apresentações. Como se estrutura a sua carreira? Onde estão suas maiores inspirações, lá, aqui, em todos os lugares?

Hoje me considero uma catarioca. Já moro em Florianópolis há 24 anos e tive minha filha aqui. Mas cantar é meu trabalho e vou pra qualquer lugar "levar meu canto puro e verdadeiro", como já dizia Tim Maia. Então, todos os lugares me inspiram, mas confesso que tenho um carinho especial pela minha terra natal e é sempre muito bom cantar lá. No verão vou levar o “Mar á Vista” para a praia do Leblon, fazer um som na praia mesmo, com o mar à vista ao fundo. Um sonho que acalento desde quando lancei o álbum na Ilha de Santa Catarina.

 

 

 

 

Quais os planos para o futuro?

Pretendo focar mais no meu trabalho autoral. Sempre me considerei muito mais uma intérprete, mas depois que participei desde o ano passado do evento que reúne mulheres criadoras da música do Brasil e do mundo, fiquei instigada e inspirada a entrar mais profundamente no universo da composição. Já estou na fase de preparação do meu próximo CD.

 

Ping Pong

Uma mania: Dormir tarde

O que você não fica sem: Ultimamente, meu celular

O que mais admira: A Verdade

O que não suporta: Mentira e injustiça

Um lugar: que tenha boas energias, pode ser qualquer um

Uma viagem: Holanda

Uma palavra: Empatia

Uma saudade: meus pais

Um ídolo: Elis Regina

O que te dá esperança: Ainda acreditar em um mundo melhor

Uma frase: “Eu canto porque o instante existe” (Cecília Meireles)

 

 

Serviço Florianópolis

O quê: Convite ao Olhar – Cia. de Dança Lápis de Seda
Quando: 23.11.2017, 15h
Onde: Teatro Ademir Rosa, Centro Integrado de Cultura (CIC), av. Irineu Bornhausen, 5.600, bairro Agronômica, Florianópolis
Quanto: Gratuito
Serviço Florianópolis

O quê: Será que É de Éter – Cia. Lápis de Seda - Claudia Passos e Convidados
Quando: 24.11.2017, 21h
Onde: Teatro Ademir Rosa, av. Gov. Irineu Bornhausen, 5.600, bairro Agronômica, Florianópolis, tel.: (48) 3664-2685 (bilheteria)
Quanto: R$ 40 / R$ 20 (meia)

Apoio: Governo do Estado de Santa Catarina/Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte/Fundação Catarinense de Cultura, Fecoagro, Projeta Planejamento e Marketing, Prefeitura Municipal de Florianópolis/Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes

 

Serviço Blumenau

O quê: Será que É de Éter – Cia. Lápis de Seda- Claudia Passos e Convidados

Quando: 29.11.2017, 20h

Onde: Teatro Carlos Gomes, rua 15 de Novembro, 1.181, centro, Blumenau, tel.: (47) 3144-7166

Quanto: R$ 40/ R$ 20 (meia)
Apoio: Governo do Estado de Santa Catarina/Fundação Catarinense de Cultura, Prefeitura Municipal de Blumenau, Fundação Cultural de Blumenau


 

Tags:
social entretenimento Floripa Florianópolis gente festas eventos agenda
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Yula Jorge

Yula Jorge
Jornalista graduada pela UFSC. Antes disso estudou e viveu quatro anos entre o Canadá e os Estados Unidos e quando retornou a sua terra natal, Goiânia, graduou-se pela PUC em Secretariado Bilíngue. 
Logo mudou-se para Florianópolis, ingressou na Universidade Federal, e da ilha não saiu mais. Atua como colunista desde 2012, assinou uma coluna diária no jornal Notícias do Dia por alguns anos, e, paralelamente, foi repórter da RICTV Record e Record News. Traz todos os dias o que rola de especial em Floripa: sobre quem acontece, empreende, se engaja em causas legais. O que inaugura, as festas bombásticas, as melhores casas, restaurantes, os shows, as ações bacanas e o voluntariado.

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