Maio 23, 2020

Serra sofre com falta d'água em tempos de coronavírus

Serra sofre com falta d'água em tempos de coronavírus

Um carro de som percorre as ruas de Rio Rufino, na Serra de Santa Catarina, conclamando os moradores a economizarem água, produto quase inexistente por ali. Alguns minutos depois, o mesmo veículo propaga outra mensagem, dessa vez focado na guerra contra o coronavírus: “Usem máscara ao sair de casa e não esqueçam de lavar as mãos muitas vezes por dia”. As duas mensagens sintetizam um paradoxo que vem afligindo não só Rio Rufino, mas vários municípios serranos catarinenses. Como seguir o protocolo dos cuidados básicos da prevenção ao vírus se a região enfrenta a pior estiagem dos últimos tempos e muitos locais próximos ao Centro estão com as torneiras secas?

É o auge das consequências de um fenômeno climático que começou no final de 2019 e agora vem protagonizando cenas relativamente incomuns. A transposição de açudes, lagos e, mais recentemente, rios para aumentar o volume do rio Antonina, principal manancial de abastecimento de São Joaquim, é uma delas. Caminhões-tanque estão sugando a água do rio Lava-Tudo e a descarregando em canaletas existentes na beira da SC-438 alguns quilômetros acima. Financiada pela Casan, a operação criada para alimentar a Bacia Hidrográfica do Rio Antonina está sendo executada por seis caminhões-tanque há cerca de 20 dias. Juntos os veículos deslocam pouco mais de 22 milhões de litros por dia fazendo cinco viagens de ida e volta diárias.

Lençol freático seco

– É a pior seca em 66 anos. Nosso solo sempre teve capacidade de armazenamento. Mas pela primeira vez em nossa história, o lençol freático secou, relata o secretário da Agricultura e do Meio Ambiente de São Joaquim, Volnei Júnior, avaliando o impacto que a estiagem vem causando à agroindústria local, principalmente aos dois carros-chefes da economia.

A maçã, responsável por 65% do PIB (Produto Interno Bruto) registrou uma perda de até 40% na produção, significando um prejuízo de R$ 180 milhões aos produtores. Responsável por 10% do PIB, a pecuária sofreu uma quebra de 20% e os pecuaristas, um prejuízo de R$ 170 milhões.

Por todos os lados do interior de São Joaquim e dos municípios vizinhos é possível ver no gado leiteiro os sinais do estresse provocado pela falta de pastagem e de água para beber. A população também sofre com a incerteza da chegada da chuva em quantidade suficiente e com a iminência do surgimento do coronavírus.

– O vírus vai chegar a qualquer hora, sabemos, mas temos de estar prevenidos –, assegura o secretário de Turismo de Urupema, Antenor Pena Arruda. Para isso, a prefeitura fechou uma das duas entradas do município de 2.500 habitantes e implantou na outra uma barreira sanitária.

Até quinta-feira (21/5), os termômetros usados pelas duas funcionárias da Secretaria Municipal de Saúde não detectaram a presença de gente contaminada pelo coronavírus diante delas.

Texto Imara Stallbaum
Fotos Antonio Carlos Mafalda

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Radar MakingOf
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Redação Making Of

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