Dezembro 15, 2019
SÃO JOSÉ EM AÇÃO

Só as redes sociais não garantem votos

Só as redes sociais não garantem votos

Desde a campanha de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos, em 2008, até involuir para o festival de fake News (notícias falsas) nas redes sociais nas eleições seguintes, inclusive no Brasil, em 2018, a internet exerce papel importante na construção de biografias e, notoriamente, como trabalham muitos marqueteiros, na desconstrução de oponentes.

Esta profusão fez com que, quando alguém pensa em ser candidato, uma das primeiras tarefas é firmar a imagem nas mídias sociais, desafio que se mostra muito mais trabalhoso do que se imagina.

O especialista na utilização da ferramenta redes sociais Marcelo Natale, um jovem de 29 anos e que atuou em projetos vitoriosos em pelo menos uma campanha ao Senado, duas à Câmara Federal e duas à Assembleia, em 2018, acrescenta o essencial nesta empreitada na web: o importante é ter conteúdo no que se apresenta, da posição firme sobre um assunto polêmico ou do momento ao registro fotográfico do encontro com amigos e parentes.

A foto posada e com jeito de estátua, em quase uma posição de sentido, não atrai o eleitor, que quer ter na retina e na memória para avaliação alguém que age, mostra o que faz e até traz propostas, e que, essencialmente, não mudou, da noite para o dia, só porque postula uma candidatura.

 

O passado conta

Lembram daquela brincadeira, quase sempre acompanhada de uma figurinha, que diz “eu sei o que você escreveu”, pois este é o espírito geral que cabe na análise curricular de um candidato, onde o passado, registrado nas redes, pode comprometer.

Você que registrou uma vida de ostentação, mesmo que aparente, de muita festa e aventuras ou mesmo de deslizes da juventude em relação a excessos com álcool ou drogas, saiba que seus adversários, que não estão necessariamente fora de seu partido, encontrarão vasto material para abatê-lo em pleno voo, que deriva entre o de um condor ou de uma galinha se a coisa for pesada demais.

 

Equilíbrio é tudo!

As redes sociais auxiliam a marcar seu nome e seu objetivo, levam você a mais pessoas, podem falar com mais gente quando impulsionadas, com pagamento menor do que o de um santinho de papel, mas não resolvem tudo.

Gastar a sola de sapato, estar presente, entender os problemas de sua cidade e não parecer um alienígena diante de problemas corriqueiros porque não os vive, de anda ajuda, ainda mais em um eleição municipal em que, pela primeira vez, não haverá coligação para vereador, e que cada partido buscará votos em um genuíno cada um por si.

 

Prorrogação

O governador Carlos Moisés da Silva aguarda tão somente a aprovação de uma emenda à Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) pela Assembleia para editar um decreto que prorroga por 60 dias, até fevereiro do ano que vem, o prazo para pagamentos das emendas impositivas dos deputados de 2018.

A legislação obriga o chefe do Executivo a fazer este repasse até o dia 31 de dezembro do ano seguinte.

 

Nem devia ser diferente

Valeu a pressão da sociedade sobre os parlamentares em Brasília e do Palácio do Planalto para que o relator do Orçamento da União, deputado Domingos Neto (PSD-CE), passasse a aceitar o Fundo Eleitoral com valores de R$ 2 bilhões (em 2018 foram R$ 1,8 bilhão), como prevê a peça enviada pelo Executivo ao Congresso.

Os R$ 3,8 bilhões aprovados pela Comissão Mista do Orçamento (deputados federais e senadores) deram mais dor de cabeça e repercussão negativa pois uniram a nação, com raríssimas exceções, contra os valores que são dinheiro público, principalmente depois que o presidente Jair Bolsonaro usou as redes sociais para dizer que vetaria o valor absurdo.

 

Mais um

Lembram-se da filha do ex-presidente Lula, a jornalista Lurian Cordeiro Lula da Silva, que morou em Blumenau e Florianópolis, pois ela deixou o cargo comissionado que ocupava na Assembleia do Rio de Janeiro, com um salário líquido de R$ 5,715 mil no gabinete da deputada Rosângela Zeidan (PT), para receber R$ 10,763 mil (incluindo auxílio-alimentação) no gabinete do senador Rogério Carvalho (PT-SE), em Brasília.

Lurian, que morou com dois filhos e o ex-marido Marcelo Sato, na Capital catarinense, quando Lula era presidente, chegou a ser secretária de Ação Social e chefe de Gabinete na administração de Djalma Berger (então no PSB), em São José, até 2011, e antes assessorou o então prefeito Décio Lima, hoje presidente estadual do PT, em Blumenau. Mantém a rotina de trabalhar em cargos públicos.

 

Convicção

Com votos em 280 municípios do Estado, o deputado Coronel Onir Mocellin (PSL) desistiu de concorrer à prefeitura de Itajaí, embora seu nome fosse colocado como forte pré-candidato.

A representação que Mocelli possui, ex-comandante-geral do Bombeiro Militar e com 38 anos de atuação, elevou o nível de cobrança em uma eventual conquista, mesmo que, se a campanha não decolasse, não haveria o prejuízo do mandato na Assembleia.

 

Outros nomes

Sem restrições mais severas contra o prefeito Volnei Morastoni (MDB), a quem conhece há muitos anos, Mocellin prega a renovação em Itajaí e reafirma que não mudaria esta postura agora ou em 2020.

Cita os nomes de Robson Coelho, Rubens Angioletti e de Anna Carolina Martins (PSDB) – ex-vereadora e derrotada por 789 votos por Morastoni, em 2016 – aparecem como alguns, mas Mocellin prefere não declinar ainda sobre como será a sua postura durante a campanha.

 

Rio Itajaí-Mirim 1

Mocellin tem na dragagem do Rio Itajaí-Mirim, que passa por Brusque e por Itajaí, e na construção da Barragem em Botuverá suas bandeiras, na prevenção de cheias.

Já existem R$ 94 milhões garantidos em Brasília para a dragagem, a novidade agora é que o Ministério do Desenvolvimento Regional sinalizou que poderá construir a barragem desde que o Estado se responsabilize por 25% da obra, cerca de R$ 40 milhões.

 

Rio Itajaí-Mirim 2

O deputado do PSL conta com o apoio do deputado federal Rogério Peninha Mendonça (MDB) para amarrar o assunto no ministério e pretende que, em audiência com o governador, que seja adiantada uma solução, juntamente com o prefeito de Botuverá, José Luiz Colombi (MDB).

Como a obra durará quatro anos, Mocellin acredita que o Estado poderá arcar com R$ 10 milhões por ano.

 

Ausências notadas

Governador Carlos Moisés da Silva fez uma confraternização de fim de ano e convidou a bancada federal à Casa d’Agronômica, na última sexta (13), e não foi lá muito bem correspondido.

Nenhum deputado de MDB, PSD, PSL, NOVO, PP, PSB ou PSDB apareceu, somente Hélio Costa (Republicanos) e Carmen Zanotto (Cidadania), mais os três senadores Esperidião Amin (PP), Dário Berger (MDB) e Jorginho Mello (PL).

 

Um relato

Pelo menos o encontro na Casa d'Agronômica serviu para que o deputado Hélio Costa tenha garantido, diante de alguns presentes, de que ele não está com Gean Loureiro (DEM), no projeto à reeleição, mas sim o partido Republicanos.

Hélio chegou a ser incluído na lista dos pré-candidatos a prefeito, mas com o apoio declarado do partido a Gean, fica em situação complicada. 

 

Interessa aos ativistas digitais

Instituto Mapa e Sentimonitor avaliaram o governo de Carlos Moisés da Silva no território de seus maiores seguidores e também desafetos, as mídias digitais, entre 14 de novembro e 1º de dezembro.

Para a pesquisa exclusiva e inédita, o Mapa informou que foram coletadas, analisadas e consolidadas 7.778 postagens totais das redes sociais (Twitter, Youtube, Blogs e Jornais - Clipping Digital - e Facebook - página oficial do governador), que somadas geraram um engajamento (soma de curtidas, compartilhamentos e comentários) de 1.052.395 interações.

 

Alguns dos resultados

De acordo com o levantamento, a imagem positiva de atuação do governo Carlos Moisés, com índice de 40%, em contrapartida às menções negativas na ordem de 26%, enquanto as posições de neutralidade somam 34% das subscrições, uma contagem favorável ao governador.

Quando o assunto é segurança, mobilidade e educação, eles lideram as postagens de manifestações espontâneas, enquanto que, nas 10 maiores cidades, Blumenau e Chapecó concentram os maiores índices de positividade, enquanto Palhoça e Criciúma as citações negativas.

 

Principal assunto

A reabertura da Ponte Hercílio Luz é tema em destaque tanto na intensidade de inserções, quanto na divisão de sentimentos favoráveis e desfavoráveis, mas prevalece avaliação positiva.

Os dados completos da pesquisa podem ser acessados em  https://www.mapa.com.br/avaliacao-do-governo-carlos-moises/.

 

SIMONE SARTORI/DIVULGAÇÃO

GABINETE DO LIXO ZERO

A proposta de Gabinete Lixo Orgânico Zero, do deputado Mauro de Nadal (MDB), vice-presidente da Assembleia, tem tudo para se espalhar pelo parlamento estadual. A parceria com o departamento de Agronomia da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) leva os detritos para uma floreira instalada no mezazino, próximo ao Auditório Antonieta de Barros, no primeiro andar do Palácio Barriga Verde. De Nadal faz questão de dizer que não é um ato isolado, pois, no mandato, já criou a lei que dá a destinação correta às carcaças de animais mortos nas propriedades rurais para não prejudicar o lençol freático e também defende a redução do ICMS para a energia fotovoltaica, obtida a partir de células que absorvem a luz do sol. O parlamentar pretende, agora, levar a ideia da destinação do lixo orgânico a escolas, reuniões de conscientização que começarão por três municípios do Extremo-Oeste – Dionísio Cerqueira, Cunha Porã e Cordilheira Alta.

 

Entrou na briga

A Associação da Micro e Pequena Empresa Metropolitana (Ampe) também entrou na batalha, defendida com unhas e dentes pela Fecomércio e a Acats, contra a redução de 17% para 12% nas vendas da indústria para o varejo internas em Santa Catarina, em documento enviado aos deputados estaduais, assinado por Piter Santana, presidente da entidade.

O discurso é o de que vai encarecer o produto final ao consumidor em função da perda de crédito tributário, leia-se vantagens fiscais, porque o problema se dará em um mercado menos competitivo, “oligopolizado”, de acordo com a Ampe, com consequências nocivas a cerca de 600 mil empregos em Santa Catarina, mantidos pelas micro e pequenas empresas.

 

MONTAGEM DE FOTOS SOBRE COMUNICAÇÃO TJSC/AGÊNCIA ALESC

AS MUITAS VARIÁVEIS DE UMA CONDENAÇÃO

A Operação Fundo do Poço sempre representou um grande problema para o deputado Romildo Titon (MDB), mesmo antes da antes da condenação de 10 anos e um mês por corrupção passiva, na última sexta (13), uma bomba política que atinge o cenário político. Em 2014, Titon foi afastado da presidência do Legislativo Estadual por uma decisão monocrática, algo que faz refletir sobre o poder de um magistrado, no caso do desembargador José Trindade dos Santos, em afastar um chefe de Poder, e que, mais tarde, foi convalidada pelo Órgão Especial. Agora, com a condenação, a defesa do deputado terá que se esforçar nos recursos para manter a versão de Titon, de que não participou de atos ilícitos nas licitações para a contratação de empresas para perfurar poços artesianos por prefeituras das regiões Oeste e Meio-Oeste. Tampouco recebeu alguma vantagem financeira, embora ligações telefônicas com empresários, à época da campanha eleitoral de 2010, de acordo com a denúncia do Ministério Público, sejam usadas como provas desta proximidade, que icnlui as emendas destinadas pelo parlamentar ás prefeituras.

 

Não foi só Titon

Na condenação, que ainda indicará ou não os desdobramentos, como a inelegibilidade ou até a perda das funções públicas, o empresário Luciano Dal Pizzol, responsável pela perfuração dos poços, teve a condenação confirmada de 17 anos de prisão em regime fechado.

Dos 37 réus a partir da Operação Fundo do Poço, houve outras condenações e absolvições por falta de provas.

 

Respingos

O MDB catarinense se orgulhava de não ter entrado na rota de corrupção da cúpula nacional e de alguns estados, como o Rio de Janeiro, e com a decisão desfavorável a Titon terá respingos.

O maior problema para o eleitor sempre será separar uma ação pessoal de uma legenda, daí o desafio. 

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia. Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis), e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, assina uma coluna no Diarinho (Itajaí), faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento), na 105 FM (Jaraguá do Sul) e na Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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