Julho 08, 2020

Tasca confrontou a CPI

Tasca confrontou a CPI
RODOLFO ESPÍNOLA/AGÊNCIA AL

Se os deputados soubessem o tiro no pé que seria trazer o secretário estadual da Administração, o coronel Jorge Eduardo Tasca, não teriam feito a convocação para ele depor na CPI dos Respiradores.

Tasca tornou-se, desde o início dos trabalhos da comissão, a primeira linha de defesa do governador Carlos Moisés, até porque estava presenta na condição de testemunha.

Não só a confrontar provocações e dados ou mesmo ao pedir respeito à sua condição de militar, em resposta ao relator Ivan Naatz, que usou de novo a retórica de que “o senhor não está no quartel, está falando com um deputado”, Tasca desmentiu uma série de ilações e mostrou, ponto a ponto, que a CPI errou ao trazer um secretário de Estado para responder sobre um grupo de WhatsApp.

O desfecho, com a reação do deputado Ivan Naatz, diante do depoente, foi um episódio lamentável.

 

Escorregão

Instrumento legítimo de investigação político-administrativa, a CPI chegou ao seu momento decisivo com a necessidade de ganhar luzes e holofotes, daí a presença de Tasca, que negou qualquer envolvimento com o pagamento antecipado dos R$ 33 milhões pelos 200 respiradores junto à Veigamed.

E ainda completou que só soube do assunto, que jamais conversou com qualquer secretário ou com Moisés, no dia 28 de abril, com a divulgação da reportagem do site The Intercept Brasil. Ou seja, a falta que faz a defesa do Executivo na Assembleia.

 

Próximos passos

A CPI ouve, nesta quinta (9), o gerente de Responsabilização de Entes Privados e de Combate à Corrupção, integrante da equipe da Controladoria Geral do Estado (CGE) Clóvis Renato Squio, e o representante comercial paulista Cauê Lopes Martins.

Cauê é apontado como um dos intermediários nas negociações da aquisição dos respiradores por parte do governo do Estado junto a empresas de  importação e exportação, atuando também como representante da Brazilian Trade, empresa de Joinville.

 

Prato principal

Os deputados da comissão enviarão perguntas ao governador Carlos Moisés da Silva.

A expectativa é a de que venham as interrogações que não foram respondidas até agora, que deixaram Moisés longe de qualquer envolvimento no pagamento antecipado.

 

Crítica pela crítica

A situação de ocupação de UTIs lotadas em leitos do SUS, em Joinville, Balneário Camboriú, Tubarão e São José, deveria ser o norte dos deputados estaduais a debaterem o assunto, mas a opção tem sido criticar o governo e a política de isolamento social, além de pedir agora os hospitais de campanhas que tanto reprovaram em passado recente.

Alguns parlamentares insistem na tese errada de que o lockdown ocorreu antes do tempo no Estado e ignoram que a abertura da atividade econômica, que pediam no início, ajudou, junto com irresponsabilidade de quem não respeita o protocolo da saúde, a deixar o quadro como está, absolutamente perigoso.

 

Momento preferido

A bancada sem máscara, aproveita as explicações pessoais na Assembleia para detonar o governo de Carlos Moisés, vide o que fizeram os deputados Jessé Lopes e Sargento Lima, ambos do PSL, na sessão desta quarta (8).

Jessé usou até palavrão para dizer o que ocorre nos hospitais e que vai fiscalizar a fundo, Lima diz que esta administração “funciona à base do cacete”.

 

Nem todos

Servidores do Lacen enviaram correspondência em forma de nota aberta à direção do Sindicato dos Trabalhadores na Saúde (Sindsaúde) para dizer que não concordam com o material publicado no site pela instituição.

Na reportagem, o Sindicato afirma que reunião realizada com a categoria foi para denunciar a escassez de equipamentos de proteção individual e de falta de testagem de Covid-19, mas os funcionários do laboratório desmentem e afirmam que foram ao encontro para debater ações em relação à MP 228.

 

Rebarba

Quem ficou impressionado com a lista depois da passagem do presidente Jair Bolsonaro por Santa Catarina, deveria ficar atento ao que ocorreu dois dias depois, quando o ministro Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) passou pelo Aeroporto de Jaguaruna, na assinatura da concessão à CCR no trecho Sul da BR-101.

A vice-governadora Daniela Reinehr estava lá e Tarcísio convive com Bolsonaro, enquanto entre os deputados federais figuravam Celso Maldaner (MDB), Coronel Armando (PSL), Ricardo Guidi (PSD) e Dabiel Freitas (PSL).

 

Segunda vez

O senador Jorginho Mello (PL) passa, pela segunda vez, a dúvida sobre o Coronavírus.

A primeira foi no início deste ano, quando, depois de viagem na comitiva presidencial aos Estados Unidos, Jorginho ficou em quarentena, com duas testagens negativas para a doença. 

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia. Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis), e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, assina uma coluna no Diarinho (Itajaí), faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento), na 105 FM (Jaraguá do Sul) e na Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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