Março 21, 2019

Temer cumpre o seu destino na história

Temer cumpre o seu destino na história
REPRODUÇÃO/TV GLOBO

O que mais era esperado depois do ex-presidente da República Michel Temer deixar o cargo, no final de 2018, era a efetiva prisão a partir das denúncias sobre favorecimentos a amigos empresários, do setor dos portos em Santos (SP) e da JBS. A prerrogativa do cargo mais alto do país, que impede que o titular seja processado sem autorização do Congresso no caso de crimes cometidos a partir da posse ou por fatos ocorridos antes do exercício da função, deixou Temer no limbo. Era temporário, já que muitos em seu entorno, beneficiados em um primeiro momento pela decisão da Câmara em não abrir a investigação contra o então presidente, já eram alvo de operações da Polícia Federal. Os ex-ministro Wellington Moreira Franco (quando atuou como ministro das Minas e Energia) e o ex-assessor e amigo de Temer, o coronel João Batista Lima, também foram presos, todos envolvidos em recebimento de propina. São 10 pessoas ao todo, a maioria empresários, que tiveram oito mandados de prisão preventiva e duas temporárias decretadas. Mas não foi nada do passado investigado, mas sim uma nova acusação que levou Temer à prisão. O ex-presidente cumpre o seu destino na história, uma vergonha para o país.

 

Na foto

O momento da prisão de Temer, registrado em imagens pela Polícia Federal, foi no meio da rua, próximo das 11h desta quinta (21), quando Temer deixava a residência dele, no Bairro Pinheiros, em São Paulo. Um agente da PF assumiu o volante do carro e seguiu para o Aeroporto de Guarulhos.

 

Lista

O fato é um duro golpe para o MDB, que terá uma chance de fazer uma depuração a partir dos fatos, pois Temer é o presidente da sigla, licenciado a favor do ex-senador Romero Jucá, líder dos governos de Fernando Henrique (PSDB), Lula e Dilma, ambos do PT. Antes da prisão de Temer - acusado pelo Ministério Público Federal de liderar uma organização criminosa que teria  recebido R$ 1,8 bilhão -, Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, e o ex-ministro e deputado Geddel Vieira Lima, mais os ex-governadores do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho e Luiz Fernando Pezão, tomaram o mesmo rumo por ações em verdadeiras organizações criminosas. Esta turma e mais alguns são os motivos para muitos emedebistas atuais admitirem sair da sigla em Santa Catarina. Seria mais fácil, na opinião deles, do que tentar salvar a sigla. 

 

Uma má referência

Cunha, preso em Curitiba, inclusive por criar um fantasioso fundo do qual usufria e não era o responsável pelo dinheiro, milhões que por ali passavam.  era um dos mais próximos a Michel Temer. Tinha o aval do ex-presidente, mesmo quando somente dentro do partido para arrecadar todo e qualquer quantia, vinda de onde viesse. O ex-governador e senador Luiz Henrique tinha ojeriza de Cunha, mesmo sentimento seguido pelo ex-governador Eduardo Pinho Moreira. Cunha foi uma dos responsáveis por pedir a intervenção no MDB catarinense, em 2010, e até a expulsão de Moreira, nunca concretizada.

 

O porquê

A prisão preventiva de Michel Temer e de ex-assessores foi determinada pelo juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro, para onde os detidos serão encaminhados. São desdobramentos da Operação Lava Jato e da delação João Antunes Sobrinho, da Engevix, nas obras da Usina Nuclear de Angra 3. Na ordem de prisão, Bretas declarou que não vê indícios de crime eleitoral no pedido do Ministério Público Federal. O coronel Lima teria pedido a propina a mando de Temer.

 

E agora?

O PT sempre alegou perseguição ao ex-presidente Lula e gente próxima a ele nos casos que o levaram à prisão. Os petistas perderam o discurso. Temer foi vice de Dilma Rousseff por duas vezes. A sucedeu, depois do impeachment, porém inviabilizou um governo, de dois anos e quatro meses, que poderia ser de reconstrução, justamente preocupado em se defender de acusações e de duas tentativas de tirá-lo do cargo por envolvimento em corrupção, barradas na Câmara. 

Tags:
roberto-azevedo política economia bastidores da política Santa Catarina
Compartilhe: Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no Linkedin

Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 34 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, nas RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis e na Rede TV Sul!; comentarista na RIC TV Record e na Record News, e editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital. Faz comentários sobre política e economia.
  • Youtube

Comentários

Media Social

Fique por dentro

Receba novidades no seu e-mail!