Julho 21, 2017

Temer divide opositores sobre denúncia

Dobrar os impostos sobre os combustíveis e anunciar um corte nos gastos públicos de quase R$ 6 bilhões é tão impopular para o governo de Michel Temer quanto a preocupação do que ocorrerá na votação do próximo dia 2 de agosto sobre a denúncia da Procuradoria Geral da República por corrupção passiva. Mas Temer pode ganhar “aliados” de última hora dentro do PT, seu maior adversário, entre líderes que consideram ser mais viável do ponto de vista eleitoral um governo enfraquecido até o dia 31 de dezembro de 2018, quando termina o mandato atual.

A tese controversa, que divide petistas de vários calibres e influências, sepultaria, definitivamente, a campanha por eleições diretas gerais no caso do afastamento do presidente da República, desde que 372 deputados federais definam-se pela aceitação da denúncia e abertura do processo contra Temer pelo Supremo Tribunal Federal. Sangrar este tempo todo interessa aos opositores, não necessariamente à sociedade, que vê cada vez mais distante a aprovação de duas reformas importantes: a da Previdência, cujo rombo alimenta o contingenciamento anunciado nesta sexta, e a Tributária, uma daquelas prioridades que mofam no Congresso há anos. A turma do quanto pior melhor ignora que é o eleitor que decidirá esta pendenga no ano que vem.

 

De fato

O que aparenta ser um recuo tático tem outra conotação prática. Nem governistas nem oposicionistas têm certeza de quantos soldados estão do lado de quem na batalha do dia 2 de agosto. A decisão no voto será mais próxima da falta de quórum do que de presenças, e o eleitor deve ficar atentos àqueles parlamentares que ficarem em cima do muro, o tipo mais perigoso de canalha que há na política.   

 

KARINA FERREIRA/AGÊNCIA AL

FELIZ DA VIDA   

Antes do recesso parlamentar começar, o deputado João Amin (PP) não escondia a satisfação em torno de um debate sobre o tamanho ou existência das agências de desenvolvimento regional, que um dia já foram secretarias regionais. Enquanto PMDB, que defende a manutenção, e PSD, com apoio de parlamentares do PP e do PSDB, querem a extinção, mas até admitem diminuir o número das atuais 35 para 21 ADRs, Amin lembra que já fez duas manifestações sobre o assunto. Em 2015, durante a discussão sobre a reforma administrativa, quando propôs a extinção e implantação das 11 regiões metropolitanas; e, em 2017, em emenda onde pediu, mais uma vez, a extinção. Agora, vê muitos colegas de plenário que vetaram as iniciativas a pedir o fim das regionais.   

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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