Julho 14, 2017

Temer está entre a comemoração e a preocupação

Os 40 votos contra 25 na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, que rejeitaram o relatório do deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ) foram a confirmação de que a troca de parlamentares favoráveis à aceitação da denúncia contra o presidente Michel Temer, por corrupção passiva, funcionou para o Palácio do Planalto. A tal “vitória da democracia e do direito”, alardeada por Temer, nem de longe revela a tensão que ocorria em paralelo à decisão, quando emissários do presidente da República tentavam convencer, na residência do presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ) que ele aceitasse iniciar a sessão, que o Planalto queria na próxima segunda, com 257 parlamentares em plenário, bem longe dos 342 necessários para aprovar a denúncia. Não deu certo e Maia marcou para o dia 2 de agosto a votação.

O cronograma irrita Temer, que deve ser, à época, depois do recesso no Judiciário e no Congresso, alvo de nova denúncia do procurador-geral da República Rodrigo Janot, por obstrução da Justiça, ainda em função da gravação de Joesley Batista, na calada da noite, com o presidente da República. Como se observa, o êxito na comissão, que de prático gerou um relatório paralelo, aprovado por 41 a 24 e 1 abstenção, e um novo relator, Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), que afasta a denúncia e ainda depende da análise do plenário foi uma primeira e tímida etapa, com intensidade imprevisível. O futuro dirá se foi tardia a mudança de planos para que a oposição garanta o quórum em plenário.  

 

Ah, as emendas!

E depois de revelado que nunca se pagou tanta emenda parlamentar para livrar Temer do afastamento do cargo, podemos avaliar que nem sempre a coisa funciona bem. Basta ver o comportamento do deputado federal Jorginho Mello (PR), que vota contra o presidente da República, foi o campeão em receber recursos do Planalto: R$ 6,3 milhões, com 75% deste total para a a área da saúde. A tentativa de cooptação tem furo.

 

Direto do impeachment

Lembram quando Dilma Rousseff (PT) despejou dinheiro para os deputados federais que estavam com ela, na primeira fase da admissibilidade do impeachment. Pois o catarinense Celso Maldaner (PMDB), o mais beneficiado, ficou em cima do muro até a última hora, convencido na véspera da votação por um tal Michel Temer, levado pelo colega Mauro Mariani ao Palácio Jaburú. Pois agora Maldaner aparece como indeciso nas listas extra-oficiais dos jornalões e portais da internet, e a pergunta é de quem o influenciará.

 

Racismo?

Deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ), que é judeu, chamou de racista e preconceituosa a posição do deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), que comparou, de maneira velada, o conteúdo que o parlamentar produziu nbo relatório de prática nazista e fascista. Mas levou o troco, um pouco mais tarde, quando José Carlos Aleluia (DEM-BA), veterano em plenário e que se diz estudioso da cultura judaica, rebateu e disse que preconceituoso era Zveiter ao afirmar que os deputados só voltavam a favor de Temer pela liberação de emendas parlamentares.   

 

ROVENA ROSA/AGÊNCIA BRASIL

COM A LÍNGUA AFIADA

O ex-presidente Lula fez um discurso dentro do que se imaginava: desafiou seus acusadores e lançou sua pré-candidatura à Presidência sob o patrocínio do juiz federal Sérgio Moro. Sem a condenação confirmada pelo TRF da 4ª Região, o que deve ocorrer antes da eleição do ano que vem, Lula não será enquadrado na Lei da Ficha Suja e mantém a lideranças nas pesquisas. Adivinhem: virá uma avalanche de condenações do líder petista no Judiciário.     

 

Estratégia 1

Enquanto funcionários da Comcap, militantes de partidos de esquerda e integrantes do Sintrasem ocuparam o 11º andar da Câmara, e outros vandalizavam em frente à sede do Legislativo, o prefeito Gean Loureiro (PMDB) armou uma estratégia para a provar a transformação da Companhia em autarquia. Reuniu vereadores na sede da Secretaria Municipal de Turismo, juntamente com a Guarda Municipal e a Polícia Militar para planejar como seria a sessão desta quinta-feira, que determinou a aprovação da matéria em apenas cinco minutos.

 

Estratégia 2

O plano funcionou porque os vereadores chegaram às 6h30min da manhã à Câmara, no Centro da Capital, com o apoio dos policiais, sem se intimidarem com a presença do grupo contrário ao projeto dentro e fora do prédio. A ausência de sete vereadores, que não quiseram se comprometer, levou a crer que a estratégia dos opositores era não dar quórum, outra coisa que não funcionou. Gean ganhou a batalha e a guerra e sancionou a lei, no início da tarde, com direito à publicação no Diário Oficial em edição extraordinária, de olho no prazo para fazer o Refis da dívida.

 

Desabafo

Para o prefeito Gean Loureiro, que valeu-se de um trabalho de auditores da Receita, contabilistas e técnicos para determinar a mudança do regime para autarquia, a eleição da nova diretoria do Sintrasem, que terá três chapas, atrapalhou até mesmo o discurso do pessoal que lhe faz oposição política e sindical. Acredita que atendeu a um pedido da esquerda ao transformar a Comcap em uma empresa 100% pública, e que vereadores e sindicalistas só não assumem isso como positivo porque a ideia, que evita a privatização, partiu do prefeito.

 

Em números

A prefeitura da Capital e o Sintrasem tem novo encontro, nesta sexta à tarde, no Tribunal regional do Trabalho, em dissídio de greve ajuizado pela procuradora Regional do Trabalho Ângela Cristina Pincelli, que pode determinar o fim da greve. Caso contrário, os trabalhadores da Comcap dão novo tiro no pé, patrocinado pelo Sintrasem, com a operação de uma empresa contratada para fazer parte da coleta do lixo. Detalhe: o contrato vale por 15 dias, prorrogável por mais 15, a R$ 34 mil por dia, um contraste com os R$ 250 mil por dia, gastos com a operação da Companhia pública. A Comcap dá prejuízo de R$ 60 milhões por ano, porém a luta de preservação de direitos e de postos de trabalho é legítima.  

 

Via redes sociais

Se o governador Raimundo Colombo utilizou o Facebook para anunciar, ao vivo, o pagamento da primeira parcela do décimo-terceiro dos servidores estaduais, o secretário Luiz Fernando Cardoso (Infraestrutura), o Vampiro, não se furtou a atender, no mesmo canal da internet, quem participava da inauguração das reformas no Terminal Rita Maria, na Capital. O detalhe é que Vampiro, deputado estadual pelo PMDB, se entusiasmou e prolongou a conversa, mas ficou uma arara ao descobrir que não estava a falar com um jornalista ou blogueiro e sim com um cidadão que queria mostrar o evento para a família e amigos via internet, o que deixou o secretário com cara de poucos amigos ao dar entrevistas para os profissionais que cobriam, de fato, o evento.  

 

RÁPIDAS

* Bombou nas redes sociais o post de Gean Loureiro que explicava a mudança do regime da Comcap, uma audiência de 300 mil, com maciço apoio, grande parte da população de Florianópolis.

 

* A despedida do irmão do prefeito Udo Döhler (PMDB), Arno Döhler Júnior, de 82 anos, falecido na última quarta, levou grande caravana de políticos a Joinville, nesta quinta.

 

* Esta parte da delação dos “Freeboys”, Joesley e Wesley batista, que mantinham uma mesada para fiscais federais agropecuários para que atuassem fora da jornada de trabalho para liberar a carne da JBS e outros frigoríficos da holding J&F, te tudo para atrapalhar a venda de carne de Santa Catarina (e do Brasil) para o exterior. E eles estão livres, não irão para a cadeia!

 

* É nesta sexta, das 14h às 17h30min, no auditório da Fecomércio, na Capital, que as propostas tiradas do workshop que debateu o futuro da Ponte Hercílio Luz, da disciplina Cidades Mais Humanas, Inteligentes e Sustentáveis da UFSC, em parceria com a Câmara Empresarial de Tecnologia e Inovação da entidade, serão compartilhadas e poderão receber sugestões.  

 

* Decisão da oposição na Câmara da Capital entrar com ação na Justiça para barrar anular a votação da Comcap pode ser até uma boa medida, porém, na prática, transfere o poder de decisão político para o Judiciário. Mais um caso em que os vereadores tiram a prerrogativa de sua própria atuação.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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