Janeiro 08, 2020

TERROIR BRASILEIRO

TERROIR BRASILEIRO

A coluna da última semana atendeu a provocação dos editores do portal e procurou indicar algumas possibilidades que se apresentam para 2020. Mas esqueceu de fazer menção a – talvez – uma das mais importantes: A tendência cada vez maior de produzir bebidas com “terroir”.

O conceito começou possivelmente com o vinho, onde o solo e microclima garantem características únicas a cada lote. Mas produtores de cerveja, cachaça, gin e outros destilados perceberam que os consumidores buscam, cada vez mais, produtos com identidade. Justamente por isso estão desenvolvendo bebidas com características únicas para atender essa crescente demanda. Até porque, a ideia de uma bebida com um “DNA próprio”, tem um apelo de marketing enorme (e um potencial de exportação ainda maior).

 

Foto: Colorado/Divulgação

A Colorado é um bom exemplo deste movimento. A cervejaria já produzia uma cerveja de trigo com a adição de mel, mas lançou uma série limitada, que valoriza diferentes méis nativos do Brasil. Outras criações levam rapadura e castanha do Pará e há até uma série que tem como ingredientes frutas tropicais como uvaia, graviola e caju.

A AmazonBeer, do Pará, também tem usado frutas exóticas na produção de suas cervejas. São criações como a stout de açaí, e a witbier de teperebá (cajá) e até uma red ale com priprioca, uma erva aromática encontrada na região amazônica.

 

A ainda pouco conhecida cervejaria Albanos, de Minas Gerais, realiza expedições para estudar o uso de ingredientes mineiros na elaboração de cervejas. O projeto “Da Origem ao Copo” começou em agosto do ano passado, e o vídeo acima resume a ideia do projeto.

 

Foto: Albanos/Divulgação

A beersommelier Fabiana Arreguy, uma das idealizadoras do projeto, diz que a ideia foi buscar ingredientes que retratam “a riqueza e a multiplicidade do estado, como as famosas jabuticabas de Sabará, as compotas e doces tombados como patrimônio imaterial, e o famoso café do Sul de Minas”. A primeira criação da série é a stout(foto) com adição de compota de laranja-da-terra.

 

Foto: Fepeam/Divulgação

No Amazonas, pesquisadores de uma fundação estadual, elaboraram a primeira cerveja produzida a partir da fermentação de leveduras de três espécies de frutos nativos: araçá-boi, cacau e cupuaçu. O estudo é o primeiro passo para produzir uma bebida com sabores e aromas únicos, além de ajudar a preservar as plantas nativas e gerar uma fonte de renda adicional para os moradores da região.

 

Foto: Lohn Bier/Reprodução

Já em Santa Catarina, a cerveja mais premiada dos últimos anos é uma produção que usa outro ingrediente amazônico: o cumarú, uma espécie de castanha com aroma e sabor de baunilha. Prova de que estes ingredientes exóticos tornam receitas únicas é o fato de que a Carvoeira, criação da Lohn Bier, conquistou nada mais, nada menos, que dez medalhas no Brasil e no exterior só em 2019. Para se ter uma noção da qualidade desta criação, das 100 medalhas já conquistadas desde a fundação da cervejaria, há cinco anos, 28 são da Carvoeira.

É preciso destacar também os testes com madeiras nativas do Brasil. Os experimentos são para substituir o carvalho no amadurecimento das bebidas e assegurar características únicas para vinho, destilados, ou mesmo cervejas - como a coluna já comentou anteriormente.

Enfim, alguns indícios de que nossa biodiversidade pode ajudar sobremaneira a produzir bebidas exclusivas e atender um público ávido por novidade e exclusividade.

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

QUATRO EM UM

Por falar em tendências, uma destiladora do Reino Unido juntou algumas das principais tendências de mercado em uma única bebida. A Bramley& Cage estudou bem o perfil do novo consumidor e produziu um gin tônica único (foto).

Único porque:

1 – Tem como base o gin – cuja tendência de consumo continua em alta;

2 – É um drink em lata – e pronto para beber, o que facilita o transporte e consumo;

3 – Tem baixa caloria – só 50 calorias por lata, contra as 210 de um G&T tradicional;

4 – Tem baixo teor alcoólico – apenas 0,8%, contra os tradicionais 8% do drink original.

Para os puristas de plantão os destiladores também enlataram um G&T clássico, com 7% de teor alcoólico. O produto está sendo vendido por enquanto apenas no Reino Unido por aproximadamente R$ 15.

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

NO PALITO

Foto: Frisabor/Divulgação

Ainda na linha da inovação, empresários pernambucanos provocaram um burburinho danado na última semana ao lançar um picolé de cerveja. A ideia da Frisabor e da cervejaria Ekäut foi juntar dois ícones do verão e oferecer um produto apresentado como uma “cerveja no palito”. Durante quatro meses a equipe das duas empresas testou diferentes bases e cervejas. E acabou optando pela American IPA, que tem sabor frutado e amargor bem destacado. O produto não tem adição de leite, o que permite atingir também o público vegano. O picolé é recomendado apenas para adultos, já que tem 3,2% de teor alcoólico.

Foto: Cervejaria Blumenau/Divulgação

A Smirnoff já produziu um produto parecido em parceria com a Cacau Show. E colocou no mercado um gelato que tem como base o famoso Ice.

Em Santa Catarina a experiência mais bacana foi uma parceria da Sorveteria Bonatti e a Cervejaria Blumenau, que produziram um sorvete (foto) que tem como base a premiada cerveja Frida Blond Ale. O produto foi apresentado na Oktoberfest do ano passado.

Tags:
vinhos cervejas cerveja artesanal drinks destilados whiskey gastronomia portal makingof
Compartilhe: Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no Linkedin

Artigos Relacionados

Jefferson Douglas da Silva

Jefferson Douglas da Silva

Jornalista com especialização em Gestão de Marcas, atuou por mais de 25 anos em jornais e emissoras de televisão de Chapecó, Blumenau, Joinville e Florianópolis. Foi repórter, editor, apresentador e gestor de equipes de TV, entre elas a chefia de redação da RBS TV. Tem experiência em assessoria de comunicação e relações públicas nas áreas governamental e privada. Conhece em detalhes a rotina de cantinas que produzem vinho colonial no Oeste do estado e alambiques do Vale do Itajaí. Fez cursos de coquetelaria (Senac) e produção artesanal de cerveja (Escola Superior de Cerveja e Malte). Apaixonado por vinhos, estuda o assunto desde 2001.

Comentários

Media Social

Fique por dentro

Receba novidades no seu e-mail!