Maio 04, 2019

Tucanos não querem aumentar o desgaste

Tucanos não querem aumentar o desgaste
ARQUIVO/AGÊNCIA CÂMARA

Os tucanos catarinenses optaram pelo caminho menos penoso para começar a reestruturar a sigla depois do desempenho na eleição de 2018, a eleição por consenso do presidente no Estado, que será o ex-prefeito de Joinville e deputado federal Marco Tebaldi (foto). Envolvido em escândalos nacionais, que não atingem diretamente o partido no Estado, o PSDB catarinense entra no rol de PT, MDB, PSD e Progressistas ou PP, que não sabem como será o futuro em 2020, mesmo que haja a possibilidade de que a aprovação de uma unificação do calendário eleitoral, em debate no Congresso, prorrogue mandatos de prefeitos e vereadores. Nem a diminuição da agonia resolveria, porém, o desgaste que os tucanos acumularam. As mazelas de Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra, só para citar alguns queimados por denúncias de corrupção, além das constantes ameaças ao ex-senador Paulo Bauer, em função de um suposto recebimento de caixa dois, na campanha ao governo em 2014, advinda de uma delação premiada de um executivo da empresa Hypermarcas (atualmente Hypera Pharma), na Operação lava Jato, empurraram a sigla para a vala comum da corrupção. Mesmo que muitos não gostem da solução, o consenso em torno de Tebaldi, que tem uma ficha de trabalho pela sigla, dará fôlego para debelar situações, algumas insanáveis, como a saída da maior estrela tucana catarinense, o ex-prefeito de Blumenau Napoleão Bernardes.

 

Ela é forte

A deputada federal Geovânia de Sá deve ser a primeira vice de Tebaldi para oxigenar e programar uma sequência na liderança do partido. Os dois sempre evitaram debater na possibilidade de disputa na convenção.

 

O tertius não vingou

O nome do ex-prefeito de Imbituba e atual segundo suplente de senador Beto Martins chegou a circular muito forte, mas a proximidade com o PR, do senador Jorginho Mello, impediu, por ora, a construção. Tucanos e PR devem estar muito próximos em 2020 e 2022.

 

Reconhecimento

Como tudo na política caminha entre o sucesso e o fracasso, seria injusto avaliar o período do deputado estadual Marcos Vieira à frente do PSDB pelo desempenho dos tucanos na eleição de 2018, que minguou a representatividade na Assembleia, na Câmara dos Deputados e no Senado também em função da onda Bolsonaro. Dois anos antes, o trabalho de Vieira na reestruturação de diretórios municipais e novas filiações fizeram com que a sigla pulasse de 25 para 39 prefeituras, entre elas as de Blumenau e Criciúma, dois dos 10 maiores colégios eleitorais do Estado, e ter emplacado o vice em Florianópolis.   

 

Em pé de guerra 1

O anúncio da nova executiva estadual do PSB, que tem o ex-vereador e suplente de senador Adir Gentil na presidência, com os prefeitos Julio Ronconi (Rio Negrinho) de vice e Juliano Duarte Campos (Governador Celso Ramos) de secretário-geral, não aliviou em nada o clima conturbado que ronda a sigla depois da saída de Paulo Bornhausen do partido. Nesta sexta (3), Ronaldo Freire conversava com o jurídico do partido sobre questões referentes à desfiliação do deputado estadual Bruno Souza, oficializada em 5 de fevereiro, com a devida autorização do então presidente, documentada por carta de liberação. A atual cúpula ignorou a dispensa dada por Freire e abriu processo de expulsão contra Bruno, o que acarretaria a perda do mandato.

 

Em pé de guerra 2

Bruno Souza está tranquilo e acredita que o prazo do PSB requerer seu mandato venceu. Mas mantinha a informação em sigilo, pois, quando perguntado pela coluna sobre a situação partidária, em 16 de abril último, não entrou em detalhes e ainda declarou que aguardava uma conversa com Paulo Bornhausen para decidir seu rumo, é só confferir em https://bit.ly/2VQGdos.

 

Barbeiragem tripla

A nova executiva do PSB cometeu, de cara, outros três erros crassos na movimentação em Santa Catarina: ignorou deliberações do ex-presidente Ronaldo Freire, entrou com um processo de expulsão contra o deputado estadual Nazareno Martins – mesmo depois dele e da antiga direção terem corrigido na Justiça Eleitoral o equívoco da desfiliação – e sequer levou em consideração a liderança do deputado federal Rodrigo Coelho, presidente do PSB de Joinville, maior colégio eleitoral do Estado, que foi esquecido no lançamento da nova cúpula. Adir Gentil e sua equipe terão muito a fazer.

 

De saída

Ronaldo Freire deixará o PSB tão logo resolva esta pendência, mas não sem se incomodar com problemas do passado partido, que, há custa de muito trabalho, recuperou até mesmo o fundo partidário. No último dia 30 de abril, por exemplo, a Justiça Eleitoral multou a sigla por uma dívida de R$ 460 mil, de 2011, quando o ex-deputado e prefeito de São José Djalma Berger dirigia a legenda. Freire já oficiou que Berger se manifeste, pois não pretende se tornar parte solidária nesta enrascada.  

 

A carta

No início da noite desta sexta (3), Ronaldo Freire e o secretário-geral Cau Harger, da direção do PSB eleita, divulgaram uma carta onde condenam a intervenção nacional, que qualificam de ditatorial. Leia o documento na íntegra.

 

De mãos dadas

Não há como dissociar as ações de segurança pública da tecnologia. O prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (MDB), e o secretário municipal Alceu Pinto apresentam na segunda (6) um novo programa para o setor que alia de segurança para Florianópolis com ações voltadas à prevenção da violência aliadas à tecnologia, com direito a entregar 10 novas viaturas para a Guarda Municipal e assinar o Plano de Segurança de Florianópolis, que está alinhado aos planos estadual e federal.

 

GUTO KUERTEN/DIVULGAÇÃO

CASA CHEIA

Não era para menos e prefeitos, vices, vereadores e líderes comunitários lotaram as duas primeiras audiências públicas para discutir a sustentabilidade dos municípios catarinenses, em Ibirama e Lages. A participação não deixou dúvida sobre a relevância do assunto. O presidente da Comissão de Assuntos Municipais, deputado Jerry Comper (MDB), à direita, salientou que o interesse coletivo demonstra a necessidade de mudança na busca de “eficiência das administrações” e aponta para a necessidade de maior transparência na gestão. Assembleia, Tribunal de Contas, OAB e Fecam estão engajadas no debate, principalmente depois que um estudo de auditores da corte administrativa de contas revelou que pelo menos 105 das cidades catarinenses têm dificuldade para se manter economicamente. A ideia de que deveriam ser anexadas a outros municípios para ter viabilidade provocou reações contrárias.

 

São tantas emoções

Mais movimentado no mundo político do que a visita do presidente Jair Bolsonaro, em Camboriú, na quinta (2), o show de Roberto Carlos, na Arena Petry, em São José, sábado (27), quase uma semana antes, uniu forças de matizes e correntes divergentes. Em três camarotes diferentes estavam o senador Dário Berger (MDB), o ex-deputado Gelson Merisio (ainda no PSD) e o governador Carlos Moisés da Silva (PSL), além de muita gente com mandato. Para não desafinar, dá para dizer que o Rei consegue unanimidades improváveis, por isso canta “Eu sou terrível e é bom parar”.

Tags:
roberto-azevedo política economia bastidores da política Santa Catarina
Compartilhe: Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no Linkedin

Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 34 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, nas RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis e na Rede TV Sul!; comentarista na RIC TV Record e na Record News, e editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital. Faz comentários sobre política e economia.
  • Youtube

Comentários

Media Social

Fique por dentro

Receba novidades no seu e-mail!