Dezembro 12, 2017

Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo ...no Cinema

Fora de série

THE AFFAIR ( USA – 2014 – Netflix -  03 temporadas)

Já que o tema da coluna é sexo , vamos falar de " The Affair".  Noah (Dominic West) tem um casamento harmonioso e filhos com Helen (Maura Tierney). A família feliz vai passar o verão em Long Island. Lá, Noah conhece a garçonete Alison ( Ruth Wilson) e uma forte atração faz com quem iniciem um caso ( o affair do título...). O sexo, claro, é o ponto forte da relação.

Alison é casada com um vaqueiro (Joshua Jackson) de quem mora separada. Ele vive com a mãe e os irmãos que trabalham no rancho. Aos poucos vamos sabendo que o casal viveu uma tragédia, da qual Alison não se recuperou.  Já Noah é financeiramente dependente da família da mulher, enquanto tenta escrever um romance. O sogro é autor de best sellers e, junto com a mulher, não aprova a escolha da filha de  casar com um pé-rapado.

A estrutura da série é muito interessante:  começa com Noah e Alison depondo na polícia, alternadamente. Houve um crime, alguém morreu, mas só saberemos quem foi bem mais adiante.  Os dois narram suas lembranças de forma diferente . A visão dele e a visão dela sobre o que viveram juntos nem sempre bate. O mesmo acontece com o espectador que ora tem empatia por Noah, ora por Alison.  Acabei ficando   totalmente a favor de...não vou contar porque prometi não cometer spoilers, lembram? Mas, no fim das contas, não chega a haver mocinhos ou vilões. É a vida e suas matizes para muito além de apenas preto e branco. Isso eleva a qualidade de "The Affair" nessa mistura de drama e suspense, principalmente nas duas primeiras temporadas. Depois, cai um pouco, mas ainda vale à pena ir até o desfecho.

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Especial

O EROTISMO NAS TELAS (1ª parte)

Quando o assunto é sexo cada um tem sua preferência. E  gosto não se discute, diz o velho provérbio e suas variações. Bem, ao menos não se DEVERIA discutir a escolha sexual alheia, mas as redes sociais estão aí para mostrar o contrário. Estamos falando de Cinema ? Ah, sim... Foi difícil selecionar as melhores cenas, pois são muitas. Fazendo um recorte, vamos começar com algumas produções americanas dos anos 80, pródigos em erotismo.

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O destino bate à sua porta (1981)

Essa refilmagem do original de 1946 tem Jack Nicholson, ainda sem seus maneirismos atuais, contracenando com  Jessica Lange.  Os dois mal se conhecem já se sentem fortemente atraídos. Entre eles existe o marido dela. A história não original,  mas o filme é ótimo. Há um fetiche no cinema americano sobre cenas de sexo na cozinha ( comer e comer ???!!!) o que não é lá muito higiênico, não ?. Em "Atração Fatal", por exemplo, Michael Douglas e Glenn Close transam em cima da pia! Nesse subgênero "sexo na cozinha" a melhor é a de "O Destino bate à sua porta". Bob Rafelson dirigiu a cena do casal sobre a mesa cheia de farinha de forma primorosa.

Corpos Ardentes (1982)

Outra história clássica dos filmes noir: um advogado meio bobão , interpretado por William Hurt, é manipulado pela  femme fatale, vivida por Kathleen Turner, para... matar o marido. O diretor Lawrence Kasdan compara o calor do verão na Flórida à temperatura dos corpos e cria cenas ardentes mesmo.  A maneira como o advogado engendra a morte do marido da amante  também prende a atenção. E haja  toalha para enxugar tanto suor...

9 ½ Semanas de Amor (1986)

Esse foi um "arrasa quarteirão", estilo videoclipe comum na época, com  Kim Bassinger, belíssima, e Mickey Rourke, antes da deformidade causada pelo boxe e as plásticas. O diretor Adrian Lyne juntou-os para contar a intensa paixão entre a dona de uma galeria de arte e um homem rico. Como o título diz, depois de 9 ½ semanas de jogos sexuais que incluíam até leve  sadomasoquismo, tudo acaba. Sim, dá para imaginar onde a autora de "50 Tons de Cinza" se inspirou. Não li o best seller, mas vi o filme e achei péssimo. A distância entre um e outro não são só os 30 anos, mas o erotismo crível de "9 ½ "transmite, enquanto "50 tons" tem cenas coreografadas quase risíveis. A falta de talento dos atores colaboram para isso. Na minha modestíssima opinião, claro. Desculpe aí, os fãs dos tons cinzentos.

Dirty Dancing – Ritmo Quente (1987)

É um filme "gracinha" que fez muito sucesso e é repetido à exaustão na TV fechada. Baby, vivida por Jennifer Grey, é a garota inteligente, mas ingênua, que vai passar as férias com a família num resort . Entediada com a caretice da programação local, ela descobre que os empregados se divertiam muito mais dançando ritmos quentes. Enquanto aprende a dançar com o líder do grupo, interpretado por Patrick Szwayze , Baby se envolve com ele e tem sua primeira experiência amorosa. A dança é uma grande metáfora para a descoberta do amor e sexo.

Vítimas de uma Paixão (1989)

Outro grande ator, Al Pacino, vive com a loira sexy do sorriso torto, Ellen Barkin, uma cena do tipo "me joga na parede, me chama de lagartixa". Não, não é sexo com violência. É que foi filmada em pé, contra a parede! Pacino é o detetive em busca de uma assassina em série que sempre toca a música "Sea of Love" (o título original do filme) no local da morte. Um dos melhores thrillers dos anos 80.

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Sexo nas telas

Como tudo começou

Hoje, apesar da onda moralista que assola o país e o mundo, as cenas de sexo abundam (sem trocadilho). Imaginem, porém, o furor que causou a primeira , em 1933. O filme foi "Êxtase" e a corajosa foi a atriz Hedy Lamarr. Além de mergulhar nua num lago, ela simula o primeiro orgasmo nas telas. Embora a câmera enquadre seu rosto quase todo o tempo e não o casal, a cena é considerada a primeira representação de relações sexuais em um filme não pornográfico. É uma mão que escorrega da cama, o colar rebentado com pérolas espalhadas pelo chão, os suspiros de Hedy. Apesar da sutileza escandalizou a sociedade americana. A direção foi do cineasta tcheco, Gustav Machaty.

O que nem todos sabem é que a austríaca naturalizada americana, também era inventora. Ela foi coautora de um mecanismo de comunicação, usado durante a Segunda Guerra Mundial, que serviria de base para a telefonia celular.

Hedy Lamarr

Nota-péE você que está lendo a coluna, qual o filme ou cena do gênero que prefere? Deixe a timidez de lado e conte aqui nos comentários ou pelo e-mailcineseries@portalmakingof.com.br

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O livro que virou filme

O AMANTE  (Marguerite Duras)

Esse é o mais autobiográfico dos livros da francesa Marguerite Duras. Ela vai misturando presente, passado e futuro para contar a história da menina que tem sua iniciação sexual aos 15 anos e meio na antiga Indochina francesa, atual Vietnã ( onde a autora nasceu).  O amante do título é um chinês aristocrata e rico que ela conhece na balsa ao atravessar o rio Mekong. A época são os anos 20.

O pai morreu, a mãe investiu no negócio errado e entrou em depressão, o irmão mais velho é viciado e cruel e o caçula frágil e amedrontado. Assim é a vida da garota quando descobre que pode ganhar dinheiro através do sexo para ajudar em casa. O chinês se apaixona, mesmo sabendo ser impossível assumir a  "amante branca". A jovem se mantém espontânea e tranquila nos encontros que se dão na limousine dele e nas tardes quentes na penumbra do quarto, onde ele a banha como se fosse um bebê.

A sensualidade está presente, mas o livro é muito mais que isso: é profundo, poético e triste. A maneira como Duras começa o livro já mostra que estamos diante de uma escrita incomum. "Eu a conheço desde sempre(...)venho lhe dizer que, por mim, eu a acho mais bonita do que quando jovem; gostava menos do seu rosto de moça do que do rosto que você tem agora, devastado. (...)Entre todas as imagens de mim mesma é a que mais me agrada, nela me reconheço, com ela me encanto". Ela descreve as marcas do próprio rosto aos 70 anos ,comparando-o ao frescor da juventude. O texto não é linear, o que obriga o leitor a ficar  atento. A narradora principal é a menina, mas às vezes percebemos a narrativa da mãe . A maioria dos personagens não tem nomes: é o chinês, a menina, a mãe, o irmão..."O Amante" recebeu o Prêmio Goucourt , o mais importante da literatura na França, em 1984. Marguerite Duras escreveu romances, novelas, peças de teatro, roteiros de cinema e chegou a dirigir filmes. Morreu em 1996, aos 82 anos.

Marguerite Duras
 

O FILME

O francês Jean-Jacques Annaud fez um belo trabalho ao adaptar "O Amante" para o cinema, em 1992. Ele dirigiu e participou do roteiro ,cuidando de cada detalhe. A fotografia de Robert Fraisse é excepcional e ganhou vários prêmios, inclusive o Oscar.

A estreante Jane March interpreta a jovem que se envolve com o chinês( Tony Leung). Os dois têm na tela o que costumamos chamar de "química" e, apesar dos assuntos importantes da história, como diferenças raciais e sociais, o que causou polêmica na época do lançamento foram as tórridas cenas de sexo. Como sempre.

A "cereja do bolo" é a voz rouca e profunda da atriz Jeanne Moreau, fazendo a narração. Precisa mais ?

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EM CARTAZ – SESSÕES GRATUITAS

" REPULSA AO SEXO "

15/Dez – 19 horas - Cine Clube Badesc

O Cineclube da Fundação Cultural Badesc, Florianópolis, exibe dentro do projeto " A Psicanálise vai ao Cinema",  o longa de Roman Polanski " Repulsa ao Sexo".

Sinopse: Catherine Deneuve interpreta Carol Ledoux, uma mulher linda e sexualmente reprimida. Ela sempre tenta escapar do assédio do namorado e também desaprova o amante da irmã mais velha, com quem foi morar em Londres. Ao ficar sozinha no apartamento, enquanto a irmã viaja, Carol cai em profunda depressão e passa a ter alucinações.

Os comentários serão de Tatiane Fuggi, psicanalista praticante, e Carolina Votto, mestre em teoria e história das artes visuais.

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"ASSASSINATO NO EXPRESSO ORIENTE"

12/12 – 17h – CINEMARK FLORIPA SHOPPING - FLORIANÓPOLIS

O Projeto Sessão Sênior  encerra o ano em grande estilo : oferece para o público acima de 60 anos a exibição de "Assassinato no Expresso do Oriente". Acompanhantes também têm entrada livre.

Já falamos dele na seção " O Livro que Virou Filme". É um remake da versão de 1974, baseado no famoso romance de Agatha Christie. O novo traz Kenneth Branagh no papel do detetive Hercule Poirot e tem também Johnny Depp no elenco. Poirot tem que desvendar um crime que se passa no trem.

Para participar é preciso fazer inscrição no http://sessaoseniordecinema.com.br/

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BEIJO DE CINEMA

Nesta edição nada de "selinhos" ou cálidos beijinhos no olho. Se o tema é sexo, o beijo é quente! Um deles é de "Diário de uma Paixão" (2004), com um dos queridinhos de Hollywood no momento, Ryan Gosling, e Rachel McAdams ( interpretando os papéis de James Garner e Gena Rowlands quando jovens). A história de um amor proibido pela diferença de classes sociais já foi explorada à exaustão, mas o filme baseado no best seller de Nicholas Sparks e dirigido por Nick Cassavetes foi mais além e virou um clássico romântico. A cena dos jovens amantes na chuva ( mais um beijo molhado?!) foi parar no cartaz e em todo o material de divulgação do filme.

Nota-pé : Apesar da "química" na tela, reza a lenda que Ryan e Rachel se odiaram no início das filmagens. Depois de muitos gritos e pingos nos is, acabaram se entendendo.

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Esse outro vem da tela pequena. Durante várias temporadas, os fãs da série esperaram o beijo entre o Dr. House e Cuddy, a diretora do hospital. Ele acontece na 5ª temporada, no momento em que Cuddy está devastada por precisar devolver o bebê adotado para a mãe biológica. Apenas para consolar a chefe amiga ou não, o ranzinza House mandou bem.

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HASTA LA VISTA, BABY !

As  frases mais famosas do Cinema

Quando se junta "filmes e sexo" o primeiro título que vem à cabeça é " "Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo, mas tinha medo de perguntar " , de 1972. Este foi o 4º filme de Woody Allen , ainda numa fase em que o diretor estava mais interessado em fazer rir do que filosofar. São sete episódios com temática sexual em tom de sátira de fazer morrer de rir. Depois, Allen foi apostando em filmes mais "cabeça" e alguns bem sérios como " Interiores" e "A Outra". Ao todo foram mais de 50 filmes. Sua mais recente criação, a série televisiva para a Amzon, "Crisis in Six Scenes", foi arrasada pela crítica, uma raridade na obra de Allen.

Como frasista, tanto pessoalmente quanto na boca de personagens, Woody Allen talvez só perca para Groucho Marx, de quem já falamos aqui. Selecionamos algumas tiradas sobre sexo do diretor, ator, roteirista e músico americano que chega aos 82 anos em plena atividade. Fala, Woody !

"Ei, não condene a masturbação. É sexo com alguém que eu amo".

"O sexo alivia as tensões. O amor as provoca."

"Se eu acho que sexo é sujo? Só quando é bem feito."

"Discordo de Freud. Não acho que a inveja do pênis seja exclusiva das mulheres."

"Sexo é a coisa mais divertida que eu já fiz sem rir."

"Finalmente tive um orgasmo. Mas o médico me disse que era do tipo errado."

"Por que escovar os dentes quatro vezes ao dia e fazer sexo duas vezes por semana? Por que não o contrário?"

"Acho  que sexo é uma coisa linda entre duas pessoas. Entre cinco é fantástico!"

"O cérebro é o meu segundo órgão favorito!"



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Mens@agem para você

De: Lourenço V.

Coluna desta semana está excelente! Acho que podemos fazer uma parte 2 do especial, dessa vez com cartazes de séries. Minhas sugestões são o cartaz da primeira temporada de Stranger Things e da segunda de Breaking Bad! Abração!

Obrigada pela sugestão. Dentro de algumas semanas voltaremos a falar dos cartazes.

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De: Biaguiar

Quis ampliar a imagem dos cartazes mas não deu.  Não tem como abrir as fotos ?

Você tem razão. Vamos verificar isso. Obrigada pelo toque.

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Sobre a colunista :

Brígida De Poli é jornalista. Cinéfila desde criancinha, converteu-se à mania das séries depois de assistir a "Os Sopranos". Não se considera crítica de Cinema, apenas alguém que gosta de compartilhar ideias sobre a sétima arte.

Contato:  cineseries@portalmakingof.com.br

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