Janeiro 09, 2019

TV Aberta x Streaming, a luta do século

TV Aberta x Streaming, a luta do século

O futuro da TV aberta está sendo jogado. Há dois palcos: a concorrência entre três grandes redes - Globo, Record e SBT - e elas diante do maior desafio da sua história - a NETFLIX, que vem obtendo grandes conquistas de receitas e usuários. A ameaça do streaming é real, fulminante e irreversível.

Redes

A audiência nacional de TV aberta tem a liderança da Globo, mas no ano passado foi duramente atacada por Record e SBT. Em estados como Bahia e Goiás, acabou em segundo lugar em vários horários; em outros, terceiro.

O Painel Nacional de Televisão, que pesquisa audiência em 15 cidades, mostrava na última semana de dezembro, que a novela das 9 tinha 24 pontos em média, quando o índice de sucesso seria acima de 30.

Novela, mais entretenimento e esporte, o tripé que sustentou a Globo, está enfrentando uma crise geral. O telespectador mudou ao conhecer as Smart TVs, a internet e a Netflix. Por que encarar uma novela que até agora tinha 200 capítulos (vai ficar em 160), com temas fantasiosos, distante da realidade, quando no streaming dá para ver uma boa série em 9 ou 12 capítulos e ainda maratonar?

A ameaça é tão real que ontem, 8, a Globo anunciou que vai abrir para as emissoras locais ocuparem duas horas com o Bom Dia, abrindo mão do espaço nacional, porque simplesmente o telespectador cansou do modelo. Só que, se as emissoras locais não investiram em qualidade na ocupação do espaço, o problema só vai aumentar. Como já é grande ao meio-dia em várias cidades e no jornal Hoje, vitima de um conceito editorial equivocado que tem repetido as noticias já veiculadas pelo jornal Nacional. O Vídeo Show deixará de existir.

É uma bola de neve.

 

Netflix

Atrás dela, como em um episódio de Indiana Jones, vem a Netflix com dados impressionantes, mas extraoficialmente levantados pelo colunista Flávio Ricco: tem 8 milhões de assinantes no Brasil - apenas 700 mil a menos do que a NET, uma receita estimada de 1,4 bilhão - maior do que o SBT em todo  ano de 2017.

Mais de 6 por cento dos assinantes da base mundial estão aqui. O escritório da empresa tem 50 pessoas sem chefia: qualquer problema é reportado diretamente ao exterior. 

O poderio demonstrado com a produção de conteúdos exclusivos acabou de ser premiado no Globo de Ouro, domingo passado, com o filme Roma, rodado no México, e veiculado apenas em streaming.

As ações de combate das mídias convencionais parecem até o momento insuficientes, como aconteceu com os jornais impressos na véspera da internet e dos digitais. Para o cliente é bom, para as redes de TV aberta um desafio enorme, o maior desde que começou a dominar o mercado nos anos 1950. Um problema que nem o infindável personagem Chaves pode resolver, mesmo contando com toda sua astúcia.

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Claiton Selistre

Claiton Selistre

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi diretor de Jornalismo por 25 anos da RBS TV, TVCom e Rádio CBN/Diário em Santa Catarina. Antes atuou na  Rádio e TV Gaucha do grupo RBS e em redações de jornal, rádio e tv do grupo Caldas Jr. em Porto Alegre. Foi também repórter da na Sucursal do Jornal do Brasil. Planejou e Coordenou coberturas multimídia nas Copas do Mundo de Futebol na Alemanha, Argentina, Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França e Japão/Coréia.

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