Dezembro 27, 2019
SÃO JOSÉ EM AÇÃO

Um bloco para fazer a diferença

Um bloco para fazer a diferença
FOTOS DE RODOLFO ESPÍNOLA/AGÊNCIA AL

O deputado Vicente Caropreso (PSDB), o Doutor Vicente, que aparece na foto, nunca gostou que chamassem a reunião de 11 deputados que votavam com o governador Carlos Moisés de bloquinho de forma avulsa, já que representavam mais de um quarto do parlamento estadual, e se alinhavam paralelamente à base de apoio.

O quase ex-líder Caropreso, pois a ideia é de um rodízio no comando, está  otimista para que, em 2020, Paulinha da Silva (PDT), Rodrigo Miniotto (PDT), Altair Silva (PP), Nilson Berlanda (PL), Nazareno Martins (PSB), Sérgio Motta (Republicanos), Jair Miotto (PSC), e os três que aparecem na foto abaixo, Moacir Sopelsa (MDB), Valdir Cobalchini (MDB) e  José Milton Scheffer (PP), ganhem reforço de peso na iniciativa.

Os novos integrantes seriam, de acordo com o tucano, os sete deputados restantes da bancada do MDB (Ada de Luca, Fernando Krelling, Jerry Comper, Luiz Fernando Vampiro, líder; Mauro De Nadal, vice-presidente da Assembleia; Volnei Weber e Romildo Titon) e até o petista Fabiano da Luz, que ganhou espaço entre os ponderados.

 

Moisés aplaudirá

Confirmada a engenharia anunciada por Caropreso, o que já foi o bloquinho ganhará uma enorme força em plenário, com quase metade dos votos (19), e com um campo vasto para assegurar novos integrantes, que lhe garantiriam, por baixo, a maioria simples.

Um feito e um trunfo para Moisés em um ano de eleição municipal capaz de aumentar a temperatura na Assembleia.

 

Sem compromisso

O que este bloco em processo de crescimento tem de importante é a falta de compromisso, embora tenda a votar com Moisés.

O grupo será, desde que formalizado, um contraponto à oposição, que, curiosamente, foi robustecida a partir da ruptura da bancada do PSL, partido do governador, onde quatro dos seis integrantes, mesmo que votem as matérias enviadas pelo governo, declaram-se independentes.

 

Eles se atacam sozinhos

A versão de que o governo de Jair Bolsonaro e seus apoiadores mais radicais abriram mão faz tempo do papel da oposição para gerar suas próprias crises bateu na porta do ministro Abraham Weintraub (Educação), que replicou, via Twitter, uma postagem do youtuber conservador Nando Moura.

O que Weintraub reparou, mais tarde, é que Nando havia chamado o presidente Jair Bolsonaro de “traidor” por manter a figura do “Juiz de Garantias”, na Lei Anticrime, contra a vontade do ministro Sérgio Moro.

 

É muita viagem

Weintraub justificou que está em viagem em um navio e que foi um engano, já que a internet oscila.

E emendou que um irmão gravará um vídeo para esclarecer a gafe, sinal de que o ministro vale-se de um reflexo dos ativistas digitais, curte pelo indivíduo e não exatamente pelo conteúdo, ponto inicial para qualquer tipo de tragédia de adesão.

 

A origem incomoda

A ira dos mais radicais com Bolsonaro, que justificou em uma rede social que não pode ir sempre contra o Congresso, é muito mais do que um blá, blá, pró-Moro, alvo da proposta legislativa.

O autor da emenda que acrescentou a figura do “Juiz de Garantias” é o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ), que um dia teve como assessora a ex-vereadora Marielle Franco, assassinada ao lado do motorista Anderson Gomes, e uma voz favorável ao ex-presidente Lula (PT), motivo de muitos discursos exaltados de extremistas.

 

BEATRIZ QUINTAS/DIVULGAÇÃO/06OUT2016

A REAÇÃO CONTRA O JUIZ DE GARANTIAS

Fernando Marcelo Mendes, presidente da Associação dos Juízes Federais (Ajufe), na foto à esquerda com o hoje ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública), e o ex-presidente da entidade, Roberto Veloso, fez coro às críticas de que o Juiz de Garantias, previsto na Lei Anticrime, traz mais problemas do que soluções ao Judiciário brasileiro. O maior problema está na estrutura, principalmente na Justiça Estadual, que, em pequenas comarcas, onde atua muitas vezes um único magistrado na Vara Criminal, terá que fazer um rodízio. Tudo para garantir que quem comece a análise da investigação da Polícia Judiciária (Civil ou Federal), remete o inquérito ao MP e tome as devidas decisões para determinar os mandados de prisão temporária ou preventiva, autorize busca e apreensão ou delações premiadas, não seja o mesmo que julgará a denúncia feita pelo Ministério Público. Isso altera a estrutura do Judiciário em todas as jurisdições.

 

E o prazo

A Lei Anticrime entre em vigor dia 23 de janeiro do ano que vem, em pleno período em que os magistrados estarão em retorno às suas atividades, depois do período de festas e durante as férias de muitos deles.

Adequar a estrutura para atender a lei, que não se aplica a casos de menor potencial, será um desafio redobrado, enquanto se discute se valerá para os casos já em andamento no Judiciário.

 

Do CNJ

Demorou, mas o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) terá um grupo de trabalho para avaliar a aplicação do mecanismo de juiz de garantias ou das garantias.

A determinação do ministro Dias Toffoli, presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal, deve, no mínimo, esticar até meados do ano que vem as formas de regulamentação da nova figura jurídica, enquanto a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) já informou que considera a medida inconstitucional e pretende questioná-la na mais alta corte do país.

 

* GRANDE NOTÍCIA: Vendas nos shoppings do país cresceu 9,5% em relação a 2018 neste Natal, o que reforça o aquecimento da economia, enquanto também aumentaram as vendas online.

* MUDANÇAS 1: Vias localizadas no entorno da cabeceira insular da Ponte Hercílio Luz darão preferência ao pedestre, como a Alameda Adolso Konder, que dá acesso à cabeceira da ponte e ao mirante.

* MUDANÇAS 2: A prefeitura de Florianópolis avisa que as Ruas Almirante Lamego, Hoepcke e Felipe Schmidt, também no acesso à Ponte Hercílio Luz terão o trânsito orientado pela Guarda Municipal.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia. Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis), e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, assina uma coluna no Diarinho (Itajaí) e faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento), na 105 FM (Jaraguá do Sul) e na Cidade em Dia FM, de Criciúma.
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