Maio 23, 2020
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Um discurso que não espanta mais ninguém

Um discurso que não espanta mais ninguém
MARCELLO CASAL JR/AGÊNCIA BRASIL

Acompanhe com atenção os trechos liberados na reunião ministerial, do último dia 22 de abril, e não se espante com o que já é por demais conhecido por todos, a depender do ângulo de vista: para uns, o presidente Jair Bolsonaro é, na essência, autêntico; para outros, o suprassumo da tosquice.

O filtro de dezenas de palavrões pronunciados ou partes excluídas em que é colocada em risco a segurança nacional nada impede de que seja revelada a verdadeira face da maioria dos assessores direto do presidente, pessoas que tratam radicalmente de temas que não lhe são simpáticos.

A imprensa incomoda com sua independência, mande calar a boca; o Poder Judiciário age com a independência constitucional consagrada, mande prender os ministros (ou qualquer outro magistrado) que exercer sua função; os prefeitos e governadores adotam medidas de isolamento social para combater o avanço do Coronavírus, use o mesmo remédio antidemocrático e contra o conceito de entes federados, processe e prenda-os.

Não há nada de novo no que foi revelado, o espanto não existe e as torcidas se deparam com as práticas semelhantes, adotadas em Santa Catarina neste momento.

 

Confirmação

As posições de ministros como Abraham Weintraub (Educação) e Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) já haviam vazado, antes de revelada a gravação liberada pelo ministro Celso de Mello, decano do Supremo, e replicam milhares de manifestações dos 30% do eleitorado que seguem fielmente Bolsonaro, capazes hoje de reelegê-lo em primeiro turno.

Os dois ministros cometeram crimes, devem ser investigados por isso.

 

Parece pouco

Se depender de tentativas de impeachment para corrobar as denúncias do ex-ministro, ex-juiz federal, ex-herói da direita, Sérgio Moro, de interferência na Polícia Federal, as provas não são robustas ou, por ora, não furarão o bloqueio da base governista, agora encorpada pelo fisiológico Centrão (PL, PTB, Republicanos, PSD e PP).

Bolsonaro agiu politicamente, Moisés não.

 

Quem sabe

Se tudo correr como o Palácio do Planalto, seu gabinete de ódio e os mais radicais apoiadores do atual governo idealizaram, não se surpreenda se Jair Bolsonaro ganhe novos seguidores e tenha a popularidade reforçada, particularmente por defender, leoninamente, a família.

Há um insuspeito foco na claque, nas hostes bolsonaristas, pouco importa quem pense diferente, seja para rebater a apreensão do aparelho celular do presidente ou qualquer outro propósito, não há preocupação com o entorno, até os palavrões serão elogiados.

 

Saiba

Que o mesmo discurso da ministra Damares Alves fundamenta o pedido de impeachment contra o governador Carlos Moisés da Silva, por não respeitar as determinações do presidente da República.

A peça foi apresentada pela deputada Ana Caroline Campagnolo (PSL), o que também não caracteriza uma novidade.

 

MAURÍCIO LOCKS/DIVULGAÇÃO

EM OUTRO CONTEXTO

Enquanto o Brasil acompanhava a divulgação do vídeo da reunião ministerial, o senador Jorginho Mello (PL) se reunia com o presidente Jair Bolsonaro, no Palácio do Planalto. A audiência foi para tratar da regulação do Programama Nacional de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Pronampe), projeto de autoria do parlamentar catarinense. Jorginho permanece em Brasília e disse, à saída do encontro, que “a expectativa é que a regulação do Pronampe aconteça na próxima semana”. O senador aproveitou a conversa com Bolsonaro para falar sobre Santa Catarina e declarou que o presidente “temmuito carinho pelo nosso Estado”.

 

Começo do fim

O desembarque do diretor-presidente, Diego Machado Enke, o diretor administrativo e financeiro, Adilson Schlickmann Sperfeld, e o diretor de Operações e Logística, Sergio Poliano Villarreal, do Porto de São Francisco do Sul, mesmo que já era planejado, significa muito mais no governo de Carlos Moisés.

Indicados por Lucas Esmeraldino, os três representam, na prática, o início do caminho de saída do secretário de Desenvolvimento Econômico da administração estadual, principalmente porque a operação é feita pela SCPar e as demissões, com cara de pedido de exoneração, foram, por ora, engolidas a seco, uma verdadeira intervenção.

 

Sem equívocos

Moisés não estaria interessado em prolongar o primeiro feudo de seu governo, bancado por Lucas Esmeraldino, ex-candidato a senador e presidente do PSL catarinense, erro que cometeu com o segundo, capitaneado por Douglas Borba.

Com o tempo e o desgaste de denúncias que envolviam parentes do secretário e de dúvidas sobre a lisura de seus indicados, Esmeraldino perdeu espaço para Borba, o mais influente dos secretários, que angariou desafetos por toda parte. Sem eles, Moisés perderia os dois que estavam mais próximos a ele na campanha de 2018, aquela da “nova política”.

 

Reação

O controlador-geral do Estado, Luiz Felipe Ferreira, reagiu ao que caracteriza como postura profundamente lamentável a postura dos deputados da CPI dos Respiradores.

Além de constatar a retirada de contexto de uma declaração sobre roubop, onde repetiu o que o deputado Ivan Naatz (PL) dissera, Ferreira acrescenta que era interrompido a todo instante pelo parlamentar e  por outros integrantes da Comissão e acrescenta: “Não é admissível que se faça discurso pregando desgoverno, quando se sabe que as regras questionadas, que permitem a aquisição na Secretaria da Saúde sem passar pelo Grupo Gestor de Governo, foram criadas em 2015 pela Resolução GGG n.º 001, alterada pela 004/2017. Não é admissível que se fale em desgoverno quando os números mostram o contrário, inclusive recente relatório do TCE/SC sobre as Contas do Governo de 2019 evidencia o menor crescimento anual de custeio total.”

 

E diz mais

O controlador-geral ainda reforça que “É inquestionável que ações de austeridade vêm sendo intensificadas a partir de 2019, quando saímos de um déficit de R$ 1,19 BILHÃO para um superávi de R$ 161,76 milhões”.

Ferreira considera que esse avanço não pode ser “desconsiderado por conta de um fato ocorrido durante a pandemia e que vem recebendo as devidas apurações”.

 

DIVULGAÇÃO

JULIO PREGA UNIÃO

A união total de esforços para superar as crises de saúde, econômica e social foi pregada pelo presidente da Assembleia, deputado Julio Garcia (PSD), durante a reunião do Fórum Parlamentar Catarinense, que, além de deputados federais e senadores, reuniu muitos deputados estaduais, em São João Batista. A cidade é um polo calçadista e sofreu pesadas perdas econômicas com a pandemia. E Julio não poderia ter escolhido melhor ambiente, onde presencialmente estava a vice-governadora Daniela Reinehr (Aliança Pelo Brasil) e, pela internet, do governador Carlos Moisés, a quem cabe o pedido do parlamentar: “Só vamos conseguir superar essa crise se estivermos unidos, buscando a solução para os problemas”. E isso enquanto sugeria uma reação mais forte por parte das autoridades, inclusive ele mesmo, “no sentido de evitar que, ao final da pandemia, nós tenhamos uma crise econômica insuportável e quase insuperável”.

 

Defesa

Prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro (PSDB) tomou medidas duras no município que detiveram o avanço do Coronavírus.

Agora, Salvaro defende uma flexibilização maior e responsável, por ver os resultados no combate à doença. Uma voz que deveria ser ouvida.   

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia. Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis), e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, assina uma coluna no Diarinho (Itajaí), faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento), na 105 FM (Jaraguá do Sul) e na Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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