Fevereiro 02, 2017

Um comando feito a quatro mãos

A gestão compartilhada prometida pelo novo presidente da Assembleia Silvio Dreveck (PP) e seu pré-anunciado sucessor, o vice Aldo Schneider (PMDB), interessa desde já ao governador Raimundo Colombo, embora a independência do Poder Legislativo foi uma das tônicas do discurso de posse. O delicado momento por que passa o país, com crises de toda ordem que produzem duras críticas à atividade da classe política, leva os deputados a adotarem um discurso cauteloso, de “relação pró-ativa e produtiva” com o governador, mas sem obras nababescas ou concursos públicos na casa do povo, sob a lógica “da importância dos centavos” sinal de um período de  economia que se avizinha.

A dupla germânica Silvio e Aldo está afinada. Comemora o esforço que levou a 38 votos pela chapa de consenso e que não chegou aos 40 votos pela justificada ausência dos deputados Serafim Venzon, líder do PSDB, e Nilso Berlanda (PR), o que não atrapalhou a unanimidade dos 38 presentes. E deixaram claro que segunda dobradinha PP-PMDB, em quatro anos, no comando da Assembleia, nada aproxima e nem distancia, pois 2018 e suas construções políticas ficam para o ano que vem. Algo capaz de abalar esta harmonia não está no horizonte do Legislativo.

 

Bloco

A minoria ganhou força com a protocolada formação do bloco PP, PR e PSB na Assembleia, que fez o grupo garantir posição na mesa diretora e nas comissões de Constituição e Justiça e Finanças, além das demais.  São necessários cinco deputados para assegurar uma vaga na mesa, o bloco possui nove parlamentares.

 

Destino

Depois de fazer um balanço de sua gestão à frente da Assembleia, o deputado Gelson Merisio (PSD) irá para o comando da Escola do Legislativo Lício Mauro da Silveira. Tem sido o caminho natural de ex-presidentes.

 

PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

COM TEMER

O vice-governador Eduardo Pinho Moreira esteve em Brasília acompanhado do presidente da Acafe Sebastião Salésio Herdt e do secretário Acélio Casagrande (Articulação Nacional) e passou pelo Palácio do Planalto, onde se encontrou com o presidente Michel Temer, ao lado do deputado federal Edinho Bez (PMDB). Conversa rápida que foi incluída na agenda depois de uma audiência com o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) a quem solicitou a liberação de uma linha de crédito do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento das Instituições de Ensino Superior (Proies) para o Sistema Acafe - hoje bloqueada -, e a ampliação da faixa de renda familiar para bolsas de estudo de 1,5 para três salários mínimos. O mesmo pedido foi parar nas mãos do ministro Mendonça Filho (Educação).

 

Recado

A peregrinação de Eduardo Pinho Moreira incluiu uma passada pelo Congresso Nacional em dia de eleição para a presidência do Senado, Nas conversas com os senadores Dalírio Beber e Paulo Bauer, ambos do PSDB, e com os deputados federais peemedebistas Mauro Mariani e Ronaldo Benedet , Moreira fez uma manifestação de apoio à eleição do senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), que foi confirmada mais tarde. “O Brasil está quase parado. Precisamos avançar e o Senado é peça fundamental neste processo. Os projetos precisam tramitar com rapidez, sem negociatas”, declarou o vice-governador.

 

Barba, cabelo e...

Há um vitorioso na escolha dos presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, embora o resultado da Câmara Baixa só saia hoje. O presidente Michel Temer reativou a articulação política do Palácio do Planalto, o que demonstra quão era frágil o que a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) considerava o poder de interlocução com o Congresso Nacional.

 

Aplausos

Ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal, deu a letra ao desconsiderar os pedidos dos demais candidatos à presidência da Câmara contra Rodrigo Maia (DEM-RJ), candidato à reeleição. O assunto não deve ser judicializado, trata-se de uma questão regimental da Câmara, que não encontra clareza sobre o mandato-tampão de Maia na Constituição.  

 

Semelhanças

Pelo menos nos discursos, o pepista Silvio Dreveck e o peemedebista Eunício Oliveira, separados por milhares de quilômetros, valeram-se da mesma retórica depois de eleitos para comandar a Assembleia e o Senado. Para Silvio, "não existe democracia sem o Legislativo". E, para Eunício, o parlamento "é o mais transparente dos poderes". Ambos têm razão, mas o poder que está mais próximo do cidadão necessita mesmo é melhorar a sua imagem para valorizar o propósito de suas existência: elaborar leis e fiscalizar o Executivo. 

 

RÁPIDAS

 

* Governador Raimundo Colombo fará o discurso anual na Assembleia a partir das 14h desta quinta.

 

* Expectativa sobre o nome do novo relator da Lava Jato, no STF, também passará pelo pedido do ministro Edson Fachin para mudar de turma na corte, o espaço ocupado pelo catarinense Teori Zavascki. Atualização: às 11h30min, desta quinta, o sistema do STF escolheu Fachin por sorteio, um paranaense indicado ministro por Dilma Rousseff (PT). Para quem pensa que houve maracutaia, uma explicação: o sistema escolhe, via de regra, quem tem menos processos para julgar.

 

* Senadores Eunício de Oliveira e Renan Calheiros, novo e ex-presidente do Congresso, propuseram a quebra de sigilo das delações da Odebrecht, sob análise da Procuradoria Geral da República: a ridícula posição de jogar para a torcida.

 

* O PT acusa os governistas de golpe mas vota com eles na escolha dos presidentes do Senado e da Câmara, aquela tática de ocupar o espaço está acima de qualquer disputa política ou ideológica.

 

* Deputada Ana Paula Lima (PT), terceira secretária, valorizou o fato de que, pela primeira vez, há duas mulheres, ela e a deputada Dirce Heiderscheidt (segunda secretária), na mesa diretora do Legislativo Estadual.   

 

* Atualização: com morte cerebral atestada pelos médicos, dona Marisa Letícia, ex-primeira-dama do país, mulher do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), morreu aos 66 anos, no Hospital Sírio Libanês, onde estava internada depois de sofrer um AVC. A família doará os órgãos. Os comentários que misturam ideologia, raiva e o pior do ser humano, são dispensáveis e impensáveis nesta hora.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 34 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, nas RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis e na Rede TV Sul!; comentarista na RIC TV Record e na Record News, e editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital. Faz comentários sobre política e economia.
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