Fevereiro 07, 2019

Uma CPI para descobrir desvios

Uma CPI para descobrir desvios
ROBERTO AZEVEDO

Confirmados os mais de R$ 700 milhões utilizados em diversas reformas e obras inacabadas da restauração da Ponte Hercílio Luz, o Estado está diante de um dos maiores escândalos de mau uso do dinheiro público, algo que uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Assembleia terá o desafio de esclarecer. Longe de se transformar em um palanque político, a pretendida investigação, proposta pelo deputado Bruno Souza (PSB) e assinada por 26 parlamentares, não deve prescindir de coordenar seus trabalhos com as adiantadas avaliações e ações movidas pelo Ministério Público. O ideal é que trabalhem juntos. Não há sentido em manter a sociedade sem saber o excesso de recursos para soluções que ainda parecem distantes e que tiram da estrutura a sua única finalidade: possibilitar o deslocamento de pessoas e veículos sobre a Baía Norte, em Florianópolis. Injusto é imaginar que, desde 1991, depois de tantas administrações estaduais, um forçado sentimentalismo tenha evitado que o suposto desenfreado assalto aos cofres públicos não fosse esclarecido. Detalhe: encontrar responsáveis e cobrar deles os recursos desviados, com punições exemplares, deve ser essencial

 

As muitas teses

Sempre houve exageros em torno da Ponte Hercílio Luz e todas as hipóteses racionais foram fulminadas, uma a uma, em função de uma pseudo reação negativa da sociedade. Reconstruir, fazer uma réplica, foi descartado por técnicos e governantes, que sempre alegaram a impossibilidade de desmontar a estrutura ou a falta de recursos para tanto, uma ironia em um gasto tal que viabilizaria a construção de uma nova ligação. Mas mesmo que isso fosse viável, e embora a engenharia qualifique a maior especialização para edificar pontes como obra de arte, não existe a possibilidade de manter a Hercílio Luz apenas como algo a ser contemplado, sem cumprir a sua única finalidade.      

 

Mais problemas

Preparada para sustentar o vão central da Ponte Hercílio Luz até dezembro do ano passado, a estrutura provisória instalada precisa ser reforçada. O governo do Estado garante que investirá R$ 41 milhões na obra de restauração até o final do ano. O problema é que o poder público descuidou da manutenção e conservação também das outras duas pontes que ligam a Ilha de Santa Catarina ao Continente, Colombo Salles e Pedro Ivo, e sabe se lá de quantas mais Estado afora.

 

E agora

Você cansou de ouvir que o horário de verão ajuda a consumir menos energia elétrica em função de maior tempo de dia claro. Só que enquanto a Celesc, que visitará domicílios para saber sobre o comportamento do usuário, está sob pressão de órgãos de defesa do consumidor, Ministério Público e da sociedade sobre as absurdas tarifas cobradas de muitos consumidores, em janeiro, o excesso de calor fulminou a estratégia. Vale lembrar que, este ano, o tal horário de verão termina à meia-noite do dia 16 deste mês, é logo ali.

 

MAIARA GONÇALVES/DIVULGAÇÃO

EM FUNÇÕES-CHAVES

Procuradoria Geral do Estado e Defensoria Pública do Estado começaram a debater formas de resolver extrajudicialmente litígios na área da Saúde para diminuir a judicialização de questões como fornecimento de medicamentos, responsável por tirar recursos do poder público sem o devido provimento. A questão é grave e o que deveria ser a solução para alguns necessitados torna-se o problema para a coletividade. À frente das conversas estão duas mulheres, a procuradora-geral do Estado Célia Iraci da Cunha e a defensora pública-geral Ana Carolina Dihl Cavalin,  que começaram as tratativas que pode, de forma extrajudicial, dar prioridade à conciliação, a partir de outras experiências em municípios e outros estados da federação. Nesta quinta (7), acompanhada do subdefensor Público-Geral, João Joffily Coutinho,  Ana Carolina foi recebida pelo governador Carlos Moisés, na Casa d’Agronômica, para apresentar dados e mostrar que a déficit no número de defensores públicos em Santa Catarina.

 

Preocupante

A possibilidade do presidente Jair Bolsonaro estar com um quadro de pneumonia indicaria que ele desenvolveu uma infecção pós-operatória, o que atrasaria a alta prevista para a semana que vem. A demora na recuperação de Bolsonaro tem mais repercussões na administração federal do que se possa avaliar, inclusive sobre o projeto da reforma da Previdência, que já é objeto de vazamentos de versões, sem a palavra final que será do presidente.

 

Sai, volta  

Contar com integrantes na Câmara dos Deputados no governo fez com que, nas últimas horas, pelo menos quatro ministros de Jair Bolsonaro fossem exonerados: Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Tereza Cristina (Agricultura), Osmar Terra (Cidadania) e Marcelo Álvaro Antônio (Turismo), que dizem que pode não retornar. O campeão é Onyx, que, pela segunda vez, nos últimos sete dias, saiu primeiro tomar posse e agora para ajudar tocar projetos. Este, garantem que retorna.

 

Mais do que o Lula

Condenado pela segunda vez na Lava Jato por corrupção e lavagem de dinheiro, agora pelas vantagens em torno do Sítio de Atibaia (SP), o ex-presidente Lula levou uma série de amigos e ex-assessores com ele na nova sentença. O detalhe crucial, enquanto os correligionários e devotos de Lula ainda batem na tecla de que ele não é do dono do local, o que sugeriu inclusive um pedido no STJ para anular a sentença, foi o acréscimo da multa que os condenados terão que pagar, R$ 85 milhões em reparação de danos. É a máxima: da cadeia onde dia pode sair, mas o necessário é punir também no bolso.

 

No vídeo

Campanha da Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e TV (Acaert) valoriza a relevância dos veículos a partir de uma manifestação do ministro e ex-juiz federal Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública) que valorizou o papel da imprensa ao lançar a Lei Anticrime. Concessões do Estado, as emissoras alcançam a toda a sociedade como veículos de massa, algo que as redes sociais e grupos de WhatsApp não conseguem. Assista ao vídeo.

 

Em recuperação

Filho mais velho do ex-governador, o médico Eduardo Pinho Moreira Filho, de 42 anos, deixou a UTI do S.O.S Cárdio, em Florianópolis, nesta quinta (7). Está internado desde segunda (4), depois se sofrer um infarto na madrugada. O filho, que é radiologista, contou com o acompanhamento do pai, que é cardiologista.

 

 

* Medida correta do governador Carlos Moisés da Silva em determinar que o helicóptero que serve a ele seja destinado ao transporte de órgãos para transplante quando não estiver em uso.

* Governador mudou de posição em relação ainda de sua posse e foi um dos que seguraram a mangueira, ao lado do deputado e coronel Onir Mocellin (PSL), no batismo do novo comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar, coronel Edupércio Pratts, e do ex-comandante-geral, coronel João Valério Borges.

* A incidência de nova alíquota de ICMS sobre produtos da cesta básica deve ser um dos grandes embates para o Executivo na Assembleia ao se avaliar o alarido nos gabinetes e no plenário.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 34 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, nas RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis e na Rede TV Sul!; comentarista na RIC TV Record e na Record News, e editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital. Faz comentários sobre política e economia.
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