Julho 11, 2020

Unificação foi a atitude mais do que sensata

Unificação foi a atitude mais do que sensata
RICARDO WOLFFENBÜTTEL/SECOMenbüttel / Secom

Evidentemente que precisou o sinal de alerta do quase colapso do sistema de leitos de UTIs pelo SUS para os prefeitos das quatro maiores cidades da Grande Florianópolis e o secretário estadual da Saúde chegarem a necessidade de unificar ações entre municípios e o governo catarinense.

Mas a decisão de Gean Loureiro (DEM, Florianópolis), Adeliana Dal Pont (PSD, São José), Camilo Martins (PSD, Palhoça) e Ramon Wollinger (PSD, Biguaçú) em acordo com o secretário André da Motta Ribeiro consiste em um avanço necessário, sem protagonismo e cor partidária ou ideológica para dirimir os efeitos do crescimento assustador dos casos de Coronavírus.

A série de medidas adotadas aponta para um horizonte de dúvida e de incerteza, pois caso a população não respeite os novos regramentos estará sujeita a uma regressão de lockdown, como a registrada a partir de 18 de março, com consequências muito mais drásticas.

 

É um aviso!

Não se trata de provocar pânico, porém de indicar que a falta de respeito ao distanciamento social levará, inevitavelmente, a um retrocesso e à perda de toda a condição que propiciou a retomada da maior parte da atividade econômica.

Em diversas manifestações, eventos clandestinos e a recusa muitas vezes de usar máscara, o indivíduo se põe na condição de potencial disseminador da Covid-19, um risco para a sociedade, que sequer retomou atividades culturais e escolares.

 

É lógico

Com regras diferentes, o morador em uma região sem limites territoriais migrava com facilidade de uma cidade para outra em função da flexibilização com parâmetros diferentes, uma verdadeira correria.

Justamente o que era defendido à exaustão para empresários e algumas autoridades, que agora conhecem o efeito nas UTIs dos hospitais públicos, com leitos do SUS, e em instituições particulares, também próximas do estrangulamento do sistema, daí a necessidade de ampliação do modelo.

 

Eles de novo 1

É de se admirar negativamente o posicionamento de deputados estaduais que tentam mudar o discurso a cada ocorrência da Covid-19 e seus efeitos nefastos.

Os mesmos que criticavam as medidas restritivas, deflagradas em março, agora defendem que elas fossem aceleradas agora, e tentam dizer que não funcionaram, por isso a necessidade hoje.

  

Eles de novo 2

São em regra os mesmos parlamentares que, àquela época, defendiam modelos como os do Rio Grande do Sul e do Paraná, atualmente em colapso e muitos mais radicais do que o catarinense, porque erraram há quatro meses.

Ou ainda o que ocorreu na Suécia, onde um erro grotesco das autoridades preferiu ignorar a força da pandemia e evitar o isolamento social, fracasso reconhecido depois dos danos, mas não assimilado pela bancada Mick Jagger da Assembleia, que insiste no discurso fácil para ganhar likes e adesões dos negacionistas.

 

Idêntico

O posicionamento ambíguo de alguns parlamentares sobre a questão dos hospitais de campanha é mais impressionante ainda: baixaram a ripa quando do equívoco gigantesco do Estado com o Hospital Psiquiátrico Espírita Mahatma Ghandi ganhou a dispensa de licitação para erguer um em Itajaí, depois impugnada.

Agora, reclamam o porquê de outras unidades não terem sido implantadas, embora cobrem com razão a afirmação do governador Carlos Moisés da Silva de que faria a licitação para 10 unidades, que não saíram do papel.

 

Ultimato

O Ministério Público recomendou que, em dois dias, o governo do Estado e as prefeituras da Foz do Rio Itajaí respondam sobre a adoção imediata de medidas para implantação de novos leitos de UTI na região, uma das mais graves em relação à Covid-19 em Santa Catarina.

O procurador-geral de Justiça, Fernando da Silva Comin, e os promotores de Justiça da Amfri consideram que a ação dos entes federados é solidária neste caso, que visa a preservação da vida.

 

RODOLFO ESPÍNOLA/AGÊNCIA AL

CHEIRO DE MISTÉRIO NO AR

A CPI dos Respiradores dá uma parada nos depoimentos na próxima reunião, terça que vem, e se prepara para o salto de começar o relatório. Isso, no entanto, não tira certo mistério e suspense no ar, pois, nos bastidores, existe a convicção de que novos fatos estão para emergir que mude o cenário de aparente conformidade. Dos últimos depoimentos, deve ser extraída a frase do relator Ivan Naatz (PL), de que, em muitas oitivas, as testemunhas demonstraram um altruísmo fora do comum ao declararem que não estavam interessado em lucros na venda de insumos, principalmente respiradores ao governo, todos se dispuseram a ajudar o Estado. Que é estranho, é!

 

Da caserna

Militares estaduais estão indignados com a CPI dos Respiradores pelo tratamento dispensado aos oficiais que prestaram depoimentos, que consideram preconceituoso e pejorativo.

Mas não só neste terreno há evidente azedamento das relações: a vice-governadora Daniela Reinehr, que um dia vestiu o uniforme da Polícia Militar, está no alvo de muitos comentários e reclamações, principalmente por ser vista como uma das responsáveis pela não investidura do ex-comandante-geral da corporação, coronel Araújo Gomes, no comando da Secretaria Nacional de Segurança Pública. Ela e todos os integrantes da ala mais ideológica que apoia Jair Bolsonaro.       

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia. Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis), e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, assina uma coluna no Diarinho (Itajaí), faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento), na 105 FM (Jaraguá do Sul) e na Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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