Março 01, 2019

Utopia direcional para a previdência

Utopia direcional para a previdência

Gandhi disse que a utopia é o que dirige a evolução da humanidade. Seu objetivo, ele disse, não é atingir cem por cento do alvo. Mas apenas dar a direção que tem que ser tomada pelo esforço para o aperfeiçoamento humano. Um exemplo claro dessa utopia direcional está na medicina. Cada passo da medicina tem como objetivo derrotar a morte. Objetivo inatingível em cem por cento, mas que tem que ser perseguido para existir medicina.

Uma boa, generosa, previdência requer uma boa, generosa, arrecadação de recursos financeiros para patrociná-la. A utopia direcional para se atingir uma boa, generosa, previdência, portanto, é a distribuição e o incremento da renda de todos os cidadãos. Para essas rendas pagarem uma boa, generosa, previdência. Com cidadãos enriquecidos, teremos a boa previdência. Com a pobreza que reina no Brasil, jamais teremos a boa previdência. Os monetaristas do equilíbrio fiscal, que buscam nos enganar com outras soluções, merecem, mesmo, a revolta da população, quando propõem consertar a previdência cortando benefícios em vez de homogeneizá-los ampliando-os e consolidando uma previdência generosa.

A utopia direcional, portanto, para se resolver e aperfeiçoar, tornar mais generoso o benefício da previdência, é distribuir e ampliar as rendas dos brasileiros. Não tem outra solução. Só fugas a essa responsabilidade.

Só tem um modo de fazer isso, resolver o problema da previdência. Ensinar todos os brasileiros a empreender, serem produtivos, gerar empregos, aumentar a renda de todos. Essa é a utopia direcional necessária para se direcionar corretamente e resolver o problema da previdência. Cortar previdências para homogeneizá-las, em vez de aumentar as mais baixas para fazer isso, não é buscar uma solução. É fugir de buscar a solução, que só será alcançada abraçando-se a utopia direcional de aumentar a renda de todos os brasileiros. A medicina faria a mesma coisa, fugir de sua utopia direcional, se desistisse de buscar eliminar a morte. Meta bem mais inatingível do que o incremento da renda de todos os brasileiros.

Só tem um caminho para aumentar o máximo possível a renda de todos os brasileiros: Educação que leve ao empreendimento, à produtividade, à geração de empregos e rendas. A educação para fazer isso, a educação do futuro – já abraçada por países como a Finlândia e a Coréia do Sul – é aquela que irá assumir integralmente a responsabilidade pelo sucesso das carreiras concretas de vida e trabalho de todos os cidadãos, do nascimento à morte. Com ajuda da revolução comunicacional-informacional que está aí. O sucesso dessas carreiras é o que garantirá a arrecadação e a previdência decente para todos. Não tem outra solução. Aqueles que estão falando apenas em equilíbrio fiscal e em cortar as aposentadorias, não estão preocupados com a solução para a previdência. Estão preocupados apenas em reservar uma maior parte dos impostos para colocar no bolso dos políticos, dentro dos vários esquemas da corrupção política que estão aí dentro do capitalismo estatizado.

Quem estiver interessado numa boa previdência, se preocupará com o aumento da renda de todos os brasileiros, produzida por uma revolução educacional radical, que estruturará um sistema educacional que assuma a responsabilidade integral pelo sucesso das carreiras concretas de vida e trabalho de todos os brasileiros. Garantindo com isso uma previdência decente. Sem essa utopia direcional correta para a busca da solução, não haverá solução para a previdência. Só cortes. 

*Ricardo Luiz Hoffmann é Formado em direito, técnico em assuntos educacionais da Universidade Federal de SC, aposentado.

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Redação Making Of

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