Junho 07, 2018

Viajando com o Cinema

Viajando com o Cinema
Jeremy Irons - Trem noturno para Lisboa

Pausa para reflexão: o mundo "lá fora" anda tão conturbado que é melhor abordar um tema mais agradável esta semana. Das coisas boas da vida já falamos de comida, sexo, amor, música... Ah, e quem não gosta de viajar ? Eu a-do-ro, só não faço a volta ao mundo por falta de recur$o$.

Então, falemos sobre viagens e viajantes! Minha seleção abrange histórias leves, divertidas, bem turísticas mesmo e outras tristes e profundas de quem embarca em busca de si mesmo. Alguns são bem sucedidos, outros chegam ao final da Viagem, sim, aquela com letra maiúscula.

Sei que digo sempre a mesma coisa, mas são taaantos filmes que renderia várias colunas.

Bem, chega de conversa. Arrumem as malas, apertem os cintos e vamos viajar pelo mundo maravilhoso do Cinema ( tô inspirada hoje...rs)!

Para adicionar, reclamar, elogiar, use o espaço de comentários no final da coluna ou escreva para cineseries@portalmakinsof.com.br . Não seja tímido, manifeste-se!

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O TURISTA ACIDENTAL ( direção: Lawrence Kasdan – EUA – 1989)

Tudo a ver começar nossa seleção com a história de um escritor de guias de viagem para quem...detesta viajar. Nele, o autor dá dicas de como impedir que o passageiro do lado puxe conversa no avião, por exemplo. Assim é Macon( William Hurt), um homem deprimido pela perda do filho, que busca se isolar de tudo e todos. Nem sua mulher ( Kathleen Turner)consegue mais conviver com ele e pede o divórcio. Seu contraponto é Ariel (Geena Davis) uma adestradora de animais, que também viveu uma tragédia, mas deu a volta por cima . Com ela, Macon aprende a olhar a vida de outra maneira. Uma bela metáfora sobre sermos "turistas acidentais" no mundo. A diferença está em como nos comportamos nessa viagem.

 

 O CÉU QUE NOS PROTEGE ( direção: Bernardo Bertolucci –Itália – 1990)

Gosto demais desse filme que conta a história de um casal que sai em viagem pelo deserto africano, buscando sair do tédio do casamento, já desgastado pelo tempo. Mais que nos diálogos, o vazio dessa relação se mostra nas imagens fantásticas do mestre Bertolucci, ao filmar a vastidão do deserto. De repente, há uma reviravolta, mas não vou contar muito porque pode ser que você não tenha visto o filme. E vai ter o prazer o descobrir essa obra maravilhosa. No elenco, John Malkovich, Debra Winger, como o casal viajante, e Campbell Scott, o amigo que viaja com eles e serve de observador. Uau, vontade de rever "O céu que nos protege", que filmaço!

 

PRISCILLA, A RAINHA DO DESERTO ( direção: Stephan Elliot -Austrália – 1994)

Outro filme do meu coração! Sempre acabo revendo no mínimo uma ou duas cenas favoritas quando reprisam na TV.  Esse road-movie consegue tratar de temas delicadíssimos com ironia e respeito. Duas drag queens, Felicia (Guy Pearce) e Mitzi (Hugo Weaving) e a transexual Bernardette ( Terence Stamp) saem em direção a uma resort no deserto australiano. Mitzi tem algo importante a fazer lá. Vão no velho ônibus a quem chamam  de "Priscilla". Pelo caminho vão conhecendo pessoas legais, são agredidos por machões, Berna e e Felicia não param de brigar... É engraçado, triste, emocionante e ainda tem a música animadíssima do Abba e afins.

Vale dizer que o cinema australiano arrasou nos anos 90. Além de Priscilla, adoro "O Casamento de Muriel", "Vem dançar comigo" e outros...

 

ENCONTROS E DESENCONTROS ( direção: Sofia Coppola – EUA – 2003)

O segundo filme de Sofia Coppola é uma pérola rodada no Japão. Quem só gosta de filmes de ação até pode achar que nesse filme "não acontece nada", mas acontece muita coisa. Bill Murray, interpreta Bob, um ator em fim de carreira que está em Tokio para gravar um comercial de uísque. Charlotte, vivida por Scarlett Johanson, está no país acompanhando seu marido, um fotógrafo famoso. Bob e Charlotte sofrem com a insônia, o fuso horário...e se encontram no bar do hotel, onde começam a bater papo. Surge uma grande afinidade entre eles, mas não espere uma história romântica. Há amor entre os dois, mas não romance. São pessoas diferentes em idade e história de vida, talvez jamais se relacionassem em outra situação. Sofia é sutil na direção e deu a Bill Murray, que sempre quis ser levado a sério e não apenas um ator de comédias, seu melhor papel. "Encontros e Desencontros" é um filme delicado, no melhor sentido da palavra.

 

SOB O SOL DA TOSCANA ( direção: Audrey Wells – EUA – 2004)

Esse filme fez muito sucesso junto ao público feminino. Conta a história autobiográfica de Frances Mayes, uma escritora americana que se muda para a Itália, depois de descobrir a infidelidade do marido.  Com direito a metáfora da reforma de uma casa antiga e romance com um lindo italiano, "Sob o sol da Toscana" encanta também pelas paisagens exuberantes de uma das regiões mais belas do mundo. O filme é simpático, agradável, tem uma trilha sonora muito boa, os atores são carismáticos. Tudo junto garante duas horas de entretenimento e leveza.

 

FAMÍLIA RODANTE ( direção:Pablo Trapero – Argentina – 2004)

Pablo Trapero é um dos mais importantes diretores argentinos em atividade.  Esse road-movie cômico inicia quando a matriarca de 84 anos resolve reunir três gerações para irem à cerimônia de casamento de uma parente. São onze pessoas dentro de um trailer e mil quilômetros entre Buenos Aires e Missiones. Durante a viagem, muitos apertos, percalços, brigas e...o prazer do reencontro e da convivência familiar. "A Pequena miss Sunshine", filmado nos EUA, dois anos depois, segue a mesma linha de "Família Rodante".

 

VICKY CRISTINA BARCELONA (direção:Woody Allen – EUA/ESP- 2008)

Nos últimos anos, Woody Allen adotou uma linha de filmes um pouco turísticos. Trocou Nova York pela Europa e filmou em Londres, Roma, Paris e..aqui, no caso, Barcelona. Duas amigas americanas ( Scarlett Johanson e Rebecca Hall) viajam para a Espanha para passar o verão. Lá encontram o pintor Juan Antonio, encarnado pelo maravilhoso Javier Bardem. Forma-se um triângulo amoroso, com a ex-mulher meio maluca de Juan, correndo por fora. A intérprete é Penélope Cruz.

 

MEUS DIAS NO CAIRO ( direção: Ruba Nadda – Canadá/Irlanda- 2009)

Um filme delicado, sensível, que conta a viagem de Juliette ao Cairo para encontrar o marido. Como ele precisou ir à Faixa de Gaza resolver um problema, envia Tareq, um antigo assessor na ONU, para buscá-la no aeroporto. Juliette está num país estranho, mas não adota seus hábitos e sai à rua com seu cabelão loiro exposto, vestidos mostrando a pele...logo encontra confusão, claro. É o famoso choque cultural. Aos poucos ela e Tareq, tão diferentes, vão se envolvendo. A americana madura, moderna e bem sucedida, descobre nesse lugar estranho velhas emoções. Patrícia Clarkson é a atriz perfeita para o papel principal. "Meus dias no Cairo" vai bem além de uma história romântica dessas tolinhas que vemos tanto nas telas.

 

COMER REZAR AMAR ( direção:  Ryan  Murphy  - EUA – 2010)

Preciso ainda falar alguma coisa sobre esse mega sucesso autobiográfico da escritora Elizabeth Gilbert ? Infeliz com a própria vida, ela empreende uma viagem de busca interior, passando pela Itália (comer), Índia (rezar) e Indonésia (amar). Julia Roberts, com seu sorriso  encantador, interpreta Liz. As belíssimas locações nos três países e a presença de Javier Bardem, vivendo o brasileiro por quem Liz se apaixona e casa, são de encher os olhos.

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Outros títulos do mesmo tema: A Viagem de Lucia, Viagem para Darjeeling, Babel, Eurotrip, Hector à procura da felicidade, Por aqui e por ali, On the road, Que tan lejos, Livre, Tracks, Antes do Amanhecer,Umrika, A map for Saturday, O exótico hotel Marigold ...

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FORA DE SÉRIE

MARCO POLO ( 2 TEMPORADAS – 2014 – NETFLIX )

Quem melhor quando o assunto é viagem do que o grande explorador italiano Marco Polo ? A série conta os primeiros anos de Polo na corte de Kublai Khan, neto do grande Genghis Khan, onde foi deixado pelo pai e pelo tio como servo. Marco Polo acaba se tornando figura importante nos planos de poder do grande líder mongol. O pano de fundo é a guerra entre a China e a Mongólia no século XIII.

Comecei a ver sem muito entusiasmo, mas acabei gostando. Gravada na Itália, Cazaquistão e Malásia, "Marco Polo" é uma grande aventura, com direito a cenas de batalha grandiosas, sexo, traição, inveja, lutas marciais... Está tudo lá, mas mesmo assim, a crítica torceu o nariz.

Apesar do grande investimento da Netflix nessa produção similar aos padrões de "Game of Thrones", a série não emplacou e foi cancelada antes da terceira temporada.

 Quem acompanhou as duas temporadas, ficou esperando um desfecho que não veio. Mesmo assim, se você gosta do gênero e ainda não viu, vale muito à pena conferir. Ficamos conhecendo mais sobre a cultura asiática oriental, sobre o papel da Igreja nas explorações, as diferenças tribais, a ânsia pelo poder de todos os lados, a luta para se manter vivo. Apesar de sanguinário e determinado a estender o império mongol a qualquer custo, aprendemos também a olhar para Kublai Khan com certa admiração e fascínio. Como o próprio Marco Polo. É diversão garantida, com lições de História.

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O LIVRO QUE VIROU FILME

O LIVRO : TREM NOTURNO PARA LISBOA (Pascal Mercier – 2009)

O romance "Trem Noturno para Lisboa" é um dos maiores best-sellers recentes da Europa e coleciona elogios da crítica. A autora chilena Isabel Allende, por exemplo, o classificou como "um deleite para a alma, um dos melhores livros que li nos últimos tempos".

Numa ambiciosa trama sobre amor, vida e literatura, o romance acompanha o professor de línguas Raimundo Gregorius, morador de Berna, na Suíça. Numa manhã qualquer, Gregorious impede que uma mulher se jogue de uma ponte. Ele não consegue entender uma palavra do balbucio da suicida frustrada, mas se encanta com a musicalidade daquele idioma misterioso.

Ao descobrir que se trata do português, o professor imediatamente compra um livro do autor Amadeu Inácio de Almeida Prado. Seu encanto pela obra e pelo idioma o levará a largar sua rotina bem organizada na Suíça e pegar um trem noturno para Lisboa. Nas vielas da capital portuguesa, ele conhecerá a história do país, a luta contra a ditadura de Salazar, e redescobrirá a si próprio. (Sinopse:Livraria da Folha)

 

O FILME : TREM NOTURNO PARA LISBOA ( Bille August – Alemanha- 2013)

A adaptação do dinamarquês Bille August para o famoso romance não foi bem recebida pela crítica. Para alguns, ele ficou preso demais à linguagem do livro, para outros seguiu o caminho seguro e sem graça dos filmes americanos. É um daqueles casos em que a história é tão boa que basta não estragar para dar certo. Mas, no Festival de Berlim, por exemplo, "Trem Noturno para Lisboa" foi execrado. Não é para tanto. No mínimo vale pelo trabalho de Jeremy Irons como o veterano professor que sai de uma rotina sem graça e embarca em uma viagem, não só de um país a outro, mas de descobertas fundamentais para voltar a viver plenamente.

Um dos problemas é o uso do inglês seja nas cenas que se passam em Berna, Lisboa ou na Espanha, o que não faz sentido se levarmos em conta que o idioma "estranho", o português, foi o elemento deflagrador da virada de mesa do professor.

O elenco traz atores de várias nacionalidades, como a inglesa Charlotte Rampling, o suíço Bruno Ganz e a sueca Lena Olin.

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É COISA NOSSA

COLEGAS ( direção: Marcelo Galvão – Brasil - 2013)

Três amigos portadores da síndrome de Down vão superar suas limitações para correr atrás de seus maiores sonhos. Um dia, inspirados pelo filme Thelma & Louise, o grupo foge no antigo carro do jardineiro  e parte numa viagem que tem a felicidade como objetivo. Márcio deseja voar como um pássaro, Aninha espera arrumar um bom partido para se casar e Stalone só quer ver o mar pela primeira vez. Eles vão viver diversas aventuras juntos e irão descobrir que a liberdade é um direito de todos. (Sinopse:Papo de Cinema)


Uma curiosidade: o ator Ariel Goldenberg é fã ardoroso de Sean Penn e fez uma campanha para que o astro americano viesse ao Brasil no lançamento de "Colegas". Sean não veio, mas depois recebeu Ariel e sua mulher na casa dele em Los Angeles. Assim como seu personagem, Ariel realizou um grande sonho.

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EM CARTAZ

FESTIVAL VARILUX DE CINEMA FRANCÊS

Uma excelente chance de maratonar  a nova safra do cinema francês. São vinte longas-metragens  em exibição em 60 cidades brasileiras. A cada ano é escolhido também um clássico. Em 2018 será "Z", de 1969, de Costa-Gavras, diretor sobre o qual já falamos várias vezes aqui na coluna.

Em Santa Catarina,  as cidades de Florianópolis, São José, Balneário Camboriú e Blumenau receberão o festival. Im-per-dí-vel!

Como a programação é extensa, acesse o calendário correspondente a cada cidade e sala de exibição aqui.

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BEIJO DE CINEMA

Quem acompanha a coluna sabe que entre os meus xodós (atualizando: meus crushes ) está o espanhol Javier Bardem. Então, a escolha da semana foi óbvia. É na pele do pintor Juan Antonio que ele dá uns besos calientes em Vicky ( Rebecca Hall) e Cristina ( Scarlett Johansonn) . Lembro que ele beija também Penelope Cruz, sua mulher na vida real, mas não encontrei o registro. A foto do casal também é de Vicky Cristina Barcelona.





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HASTA LA VISTA, BABY!

FRASES DE CINEMA

As dicas de Macon Leary/ William Hurt no seu guia de viagem em "O Turista Acidental"

"Um viajante a negócios só deve levar o que cabe na bagagem de mão. Despachar bagagem é procurar problemas. Inclua vários saquinhos de sabão em pó, para não ter que cair nas mãos de lavanderias desconhecidas. Poucos produtos não são vendidos em saquinhos para viagem".

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 "Um terno basta, se você estiver levando removedores de manchas. O terno deve ser cinza médio. O cinza não apenas esconde parte da sujeira como também é próprio para funerais repentinos. Leve sempre um livro, como forma de se proteger de estranhos. Revistas leem-se rapidamente, e jornais de outro lugar indicam que você é um forasteiro. Não leve mais que um livro. É um erro comum superestimar o potencial tempo livre e consequentemente sobrecarregar a bagagem. Nas viagens, assim como na maior parte da vida, menos é invariavelmente mais."

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"E o mais importante: nunca leve em sua viagem algo tão valioso ou estimado cuja perda deixaria você arrasado."

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MENS@GEM PARA VOCÊ

Juliana Bergmann sobre a coluna "O Ouro Negro.." :

Adorei o tema, Brígida! Muito inteligente da sua parte, como sempre. Beijos!

R.: - Muito obrigada pelo incentivo, Juliana.

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E aí, todos prontos para viajar ??!!

THE END

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cinema séries beijos de cinema arte cultura séries de TV netflix
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Brígida Poli

Brígida Poli

é jornalista. Cinéfila desde criancinha, converteu-se à mania das séries depois de assistir a "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, apenas alguém que gosta de trocar ideias sobre a sétima arte.

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