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terça-feira, 24 maio, 2022

Vai pra onde?

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Vai pra onde?

Quem já entrou em fria ao pegar carona levanta o dedo! Como jamais dirigi carro na vida, coleciono histórias sobre o tema. Não sou das que pedem carona a estranhos, mas isso não impediu de me ver em situações bem esquisitas. Todo caroneiro já passou por coisas parecidas. O caso mais comum é deixarem você no meio do nada. Depois de conferir que o motorista vai para centro, por exemplo, descobrir que ele pararia a cinco quarteirões de onde precisava ir. Às vezes a gente se vê perdida num trecho escuro, onde não passa nada.

Existem aqueles que se revelam fãs de Lewis Hamilton e dirigem como se estivessem numa pista de Fórmula 1. O carona vai rezando para São Ricardo, São Cristóvao, a Irmã Geralda, na tentativa de chegar vivo ao destino. Tem também os motoristas do tipo “só preciso dar uma passadinha em tal lugar antes…”. Depois leva horas resolvendo alguma coisa, enquanto você espera no carro. Uma passadinha, pode também virar quatro paradinhas.

Com o tempo a gente vai aprendendo a identificar a casca de banana. Certa vez uma colega convenceu outras a irem de carona com ela em uma festa longíssima. Prometeu que ia voltar rápido. Eu, escaldada, decidi não ir. No dia seguinte, minhas amigas contaram que a colega se engraçou por um convidado e ficou na festa até o sol nascer. Elas não tinham como sair de lá. Dormiram sentadas em cadeiras à espera da motorista. Desde então meu mantra favorito é: o diabo não é sábio por ser diabo, mas por ser velho.

Há dois tipos de “caronistas”: os amáveis que saem do caminho para deixar você o mais perto de casa, e aqueles que fogem dos caroneiros como podem. Alguns até mentem que vão em outra direção. Trabalhei numa emissora que fica no alto de um morro. Isso significava sempre ter funcionários no “ pé do morro”, esperando algum colega passar de carro. Desse tempo, ficaram famosas duas colegas: uma que evitava passar por onde o povo ficava esperando, mesmo que para isso ela tivesse que fazer uma volta muito maior; outra que se via obrigada a parar, mas fazia coisas como mandar o caroneiro segurar o guarda-chuva molhado no colo para não pingar no assoalho do automóvel. Outros do tipo dessa motorista pensam que por estarem “fazendo um favor “, o infeliz caroneiro não tem direito a nada, muito menos a reclamar de algo.

Para encerrar: lembram que comentei lá em cima do “ só vou dar uma passadinha antes…”. A pior/melhor história que conheço foi a de um amigo pegar carona com pessoas desconhecidas ao sair de uma festa, onde não passava nada. No caminho, o grupo que estava no carro parou num lugar meio suspeito para buscar “ um bagulho”. Meu amigo suava frio, esperando no carro e já imaginando ouvir sirenes da polícia. Os caras voltaram carregando um pacote de substâncias ilícitas. Foi a viagem mais longa da vida do meu colega. Assim que viu a possibilidade de pegar um táxi, pediu para descer. Agradeceu a carona e bateu a porta sem olhar para trás.

Irmã Geralda, protegei-nos!

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MICROCONTOS

Como esta época remete aos anos de chumbo no Brasil, escolhi o miniconto da escritora Lucimar Vieira, do coletivo @literaturamínima, sobre uma  mãe e mulher corajosa que lutou contra a ditadura. Mentoria: Robertson Frizero, professor e escritor.

Brígida Poli
Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".
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