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domingo, 29 maio, 2022

2022: o ano que foi antecipado

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2022: o ano que foi antecipado
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O maior esforço político entre 2020 e 2021 foi adiantar o calendário eleitoral para criar fatos relevantes que dessem, ao mesmo tempo, notoriedade a pré-candidatos ou lhes abrissem caminhos com a queda de governantes, como nos dois processos de impeachment contra Carlos Moisés (sem partido).

A antecipação serviu aos propósitos de integrantes de partidos, a maioria com mandatos, e à imprensa, mas não empolgou em nada o eleitorado, muito mais preocupado em se recuperar as perdas financeiras da pandemia, garantir um emprego ou enfrentar a galopante inflação, em resumo, sobreviver no mundo real, longe dos intermináveis debates rasteiros nas redes sociais.

Quem se posicionou para ganhar holofotes e virar pré-candidato seguiu à risca a tática inaugurada por Jair Bolsonaro (PL), que, em 2014, iniciou a cruzada contra a corrupção, a esquerda e o PT, que foi a base de sua campanha vitoriosa em 2018.

O problema está no fato de que com a forçada de barra para que o debate eleitoral tivesse contornos definitivos muito antes do tempo ideal, pesquisas revelaram que Lula (PT), o maior adversário do presidente, ganhou força e espaço, depois que condenações dele acabarem anuladas pelo STF.

Tampouco as ações contra Moisés lograram o êxito esperado e o governador tocou a administração com dezenas de realizações, projetos importantes – Reforma da Previdência, Reforma Administrativa, reajuste de servidores, reorganização de carreiras e o novo Código Ambiental – e repasses de verbas às prefeituras, sem fazer qualquer financiamento para onerar o erário.

A antecipação do palanque virou uma questão difícil de equacionar para a maioria dos seus patrocinadores, embretada neste momento.

 

Ilógico

Seguida a ação orquestrada de um calendário eleitoral muito antes de 2022, os políticos e partidos deixaram a impressão de que o Natal deveria ter sido comemorado em fevereiro do ano passado e a virada em março.

Tamanho esforço produziu uma série de pré-candidaturas ao governo e três dos maiores partidos catarinenses vivem dilemas semelhantes para resolver quem concorrerá, ainda sem uma solução e que tende a levá-los para a reedição de alianças para ter chances no pleito.

A força da definição das candidaturas à Presidência mantém o impacto sobre os pré-postulantes no Estado, os que querem ter carreira solo e os que aguardam pela interferência nacional para entrar no jogo.

 

Muitos nomes, poucas definições

Tanto Lula deu força para que a esquerda comece a se aglutinar e o PT tenha dois pré-candidatos ao governo, o ex-deputado Décio Lima (presidente da sigla no Estado) e o professor Rogério Portanova, recém-chegado ao partido – que já concorreu em 1998, pelo PV, e, em 2018, pela Rede Sustentabilidade -, tanto Bolsonaro embala um embate entres os senadores Jorginho Mello (PL), que virou conservador da noite para o dia, e Esperidião Amin (PP), pra ver quem se torna o “herdeiro” da inegável força política do presidente no Estado.

O prefeito Fabrício Oliveira, de Balneário Camboriú, foi lançado antes que a pré-candidatura do ex-juiz federal Sérgio Moro se tornasse efetiva, porém precisa da consolidação no Podemos, que até agora não veio.

Situação parecida com a do ex-deputado federal e estadual e prefeito de Lages Fernando Coruja Agustini, que foi lançado pelo PDT para garantir palanque para o ex-governador, deputado e ministro Ciro Gomes.

O ex-governador Raimundo Colombo e o ex-prefeito de Blumenau, Napoleão Bernardes, têm no senador Rodrigo Pacheco (MG), presidente do Congresso, uma das apostas da chamada terceira via pelo PSD, embora o sonho seja de que o presidente nacional Gilberto Kassab use a persuasão para decidir a parada, que deve ser feita em março, em um sistema que não envolverá pesquisas, principalmente depois que o prefeito João Rodrigues, de Chapecó, largou a disputa.  

Com a pré-candidatura da senadora Simone Tebet (MS) ao Planalto, o MDB parece ter lançado a melhor pré-candidata a vice, algo que nem de longe ajuda a dirimir o dilema criado entre o prefeito Antídio Lunelli (Jaraguá do Sul), o deputado federal Celso Maldaner (comandante da sigla) e o senador Dário Berger, assumidamente contrário à prévia de fevereiro próximo e com um pé fora do partido.

Pior é o quadro do ninho tucano, sem o ok do prefeito Clésio Salvaro, de Criciúma, para concorrer, uma indicação dele em favor do ex-deputado Gelson Merisio e uma pré-candidatura do secretário Vinícius Lummertz (Turismo, de São Paulo), que vem para evitar uma dispersão no partido em nome do pré-candidato à Presidência João Doria, que não era o favorito do PSDB localna prévia nacional.

Resta o prefeito da Capital Gean Loureiro (União Brasil) definir seus parceiros, cada vez mais escassos com pressões que vem de um lado ou de outro, pois sem a consolidação de aliados, terá dificuldades para decolar.

 

O fator Moisés

Pré-candidato à reeleição, o governador Carlos Moisés da Silva está sem partido e já namorou com vários, uma sequência de especulações que passou por PP, Podemos e Republicanos, estacionou em Avante e MDB, contudo inclui novas ideias, tal qual a do PSDB, destino negado por tucanos influentes.

Se não se definir este mês, Moisés alimenta o perigoso cenário de não ter mais com quem conversar sério sobre coligações, sequer apoios em futuro próximo, quando já deveria, a esta altura, ter investido tudo em filiar-se a um partido mais forte e atrair descontentes de seus principais aliados na Assembleia, sem a pretensão de trazer partidos inteiros ao usar a máxima da estratégia militar: dividir para vencer.

Com uma filiação no MDB e fatias generosas de PSD, PP, Republicanos, PSDB, Podemos e, pasmem, até do PL, revelado o desejo de alguns prefeitos e vices, mais o confirmado apoio do Avante, o governador pavimentaria uma candidatura invejável, mas vacila como se tivesse o dom da costura ou a capacidade de fazer tudo isso se tornar realidade no fim de março.

 

Um fato

Candidato a presidente da República e presidentes de partidos querem é mesmo a eleição de deputados federais para reforçar os fundos Eleitoral e Partidário – mais o tempo de rádio e TV -, assim como senadores para garantir maioria no Congresso, governador fica em segundo plano.

Nos estados, a preferência é por fazer bancadas de deputados estaduais para ter poder de barganha junto aos futuros governadores, sem esquecer de chapas com 30% de mulheres e negros, objeto até hoje de punição de partidos que feriram a regra de gênero feminino em 2020.

Lembre-se que nas eleições para deputados acaba a coligação e cada partido necessitará de força com chapas robustas para não perder tempo, situação delicada que vai dos menores aos grandalhões, basta analisar o mapa da eleição municipal onde siglas tradicionais ficaram fora da Câmara em alguns dos principais colégios eleitorais de Santa Catarina.  

Roberto Azevedo
Roberto Azevedo tem 37 anos de profissão. Estudou jornalismo na UFSC, de Florianópolis, e direito na FURB, de Blumenau. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, na RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis, na Rede TV Sul! e na TVBV (Barriga Verde, BAND); comentarista na RIC TV Record e na Record News, e colunista no Diário Catarinense (onde também foi editor de Política) e no Notícias do Dia, tendo blogs nas versões digitais das edições. Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital catarinense. Além de ter uma coluna no Portal Making Of, desde setembro de 2016, faz comentários sobre política e economia na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e na TVBV (BAND), de Florianópolis.
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