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terça-feira, 16 agosto, 2022

Política fracassada

Foto: Palácio Itamaraty, Brasileira. Crédito: Pixabay
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Há cerca de 100 dias das eleições presidenciais a falta de uma política econômica ainda é o calcanhar de Aquiles para a reeleição de Jair Bolsonaro.

O Ministro da Economia Paulo Guedes reverenciado no início do mandato presidencial como aquele que resolve tudo, ficou conhecido como o “Posto Ipiranga”, mas ao longo do tempo, a frente de um dos mais importantes ministérios para um país, deu sinais de fraqueza diante da postura incerta do Presidente em temas relevantes como a contenção da Pandemia os direcionamentos norteadores da economia.  Guedes segue a cartilha do livre mercado, enquanto Bolsonaro prioriza questões irrelevantes como o combate ao comunismo, ao meio ambiente, a ciência, a educação e a cultura, sendo estes quatro últimos alicerces importantes para o desenvolvimento sustentável de qualquer nação minimamente comprometida. O resultado desse descompasso chega ao mercado com a inflação galopante, desvalorização do real, desemprego, aumento da fome e uma crise de credibilidade que repercute além das fronteiras do país.

A trajetória do Ministro na defesa de sua política ultraliberal e do livre mercado são marcadas pela falta de uma política econômica, tanto que há poucos dias Guedes participou de uma live pedindo aos donos de supermercado que não aumentassem mais os preços dos produtos, endossando o pedido feito na mesma ocasião por Bolsonaro. Com este posicionamento, o Ministro  não conseguiu fazer frente a política de preços da Petrobrás e os aumentos sucessivos dos combustíveis ou ainda ao promover sua principal bandeira: a privatização de tudo o que for possível. Na reta final do atual Governo a ação mais recente de privatização da Eletrobras foi massacrada pelo aumento de 63,7% anunciado essa semana para a bandeira vermelha.

O reajuste entra em vigor em 1º de julho e é válido até meados de 2023, porém vai ser nos meses de seca e de calor que essa conta vai chegar no bolso já massacrado dos consumidores residenciais e industriais. Antes da privatização, especialistas apontaram para o impacto sobre o preço das tarifas, fato “desprezado pela equipe econômica”. A lição que fica nestes dias que antecedem a eleição Presidencial reforçam a necessidade de se colocar no cargo máximo do país alguém preparado para lidar com a economia, que tenha e divulgue um plano de Governo consistente e que coloque o país como prioridade. Governar para grupos de interesses é a forma mais evidente de uma política fracassada.  Basta ir ao supermercado ou a um posto de combustível para entender na prática o que isso significa.

Janine Alves
Graduada em Economia e doutora em Gestão do Conhecimento, faz parte do Grupo de Pesquisa Interdisciplinar em Conhecimento, Aprendizagem e Memória Organizacional (Interdisciplinary research group on knowledge, learning and organizational memory), núcleo de excelência em pesquisa científica e tecnológica, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento (PPGEGC/UFSC). Trabalhou como: professora da UFSC e Univali, colunista de economia do Grupo RIC Record (Jornal Notícias do Dia e Ric Record TV) e analista de economia na RBS - TV/ NSC - Diário Catarinense, Consultora de Economia Internacional para a CIP Cosultores – Espanha, Diretora do Escritório do Governo da Galicia/Espanha no Brasil, Diretora de Integração Internacional e Consultora de Economia do Governo de Santa Catarina (Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Assuntos Internacionais), etc.
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