Outubro 22, 2021

A briga pelo trono

A briga pelo trono
O elenco de estreia da 3ª temporada de Succession/divulgação

Uma série de terror que discute a fé, uma história de resiliência de uma jovem mãe e o premiado filme sobre a traição no seio dos Panteras Negras. Tá bom pra vocês? Mas a cereja do bolo desta edição é a volta de “Succession” e a guerra pelo trono do conglomerado da família Roy. Boa leitura.

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Séries

Succession – 3ª temporada – HBO

Finalmente chegou a aguardadíssima nova temporada da série, inspirada em Rei Lear de Shakespeare , onde ninguém é “mocinho”. Pai e quatro filhos, genro, sobrinho, esposa, ex-esposa, cachorro, papagaio...pisam no pescoço da própria mãe na disputa pelo poder. No primeiro episódio disponibilizado pela HBO, a escaramuça continua exatamente de onde terminou, ou seja, a traição do primogênito Kendall ao denunciar o patriarca da família Roy por acobertamento de assédio sexual e mortes numa das empresas do grupo. A filha, Shiv, e o caçula, Roman ficarão ao lado do pai ou do irmão? Quem será o sucessor do big boss, enquanto ele se afasta para preparar sua vingança e a retomada do cargo. Uma coisa continua intacta: a humilhação sofrida pelos herdeiros e executivos do conglomerado midiático. Mas eles aceitam tudo para tentar ocupar o trono vago.

Considerada como uma das melhores séries de todos os tempos, Succession  só foi “descoberta” pelo grande público na segunda temporada. Em 2020 acabou ganhando o Emmy de melhor série dramática , Melhor Ator em série dramática para Jeremy Strong, o Kendall, além de várias outras indicações. E vêm mais prêmios por aí em 2021!

 

Maid –  10 episódios – Netflix

Vi a série episódio por episódio para poder respirar ao fim de cada um. Não deu pra fazer maratona porque é daquelas tramas que vai dando um nervoso ao ver a protagonista Alex tentando refazer sua vida depois de abandonar o relacionamento abusivo com o pai de sua filhinha de três anos. Ela é jovem e despreparada. A mãe dela é uma artista plástica mental e emocionalmente perturbada, o pai é ausente, o ex-companheiro é alcoólatra. O governo disponibiliza vários programas de ajuda a mulheres que abandonam os abusadores, mas é tanta burocracia que tudo vai dando errado para Alex. Ela gostaria de fazer faculdade de criação literária, mas acaba virando faxineira para tentar sobreviver e sustentar a menina. Entra um percalço e outro, ela vai escrevendo sobre suas experiências nas casas que limpa. Apesar de toda essa desgraceira, Maid não é apelativa, não tem trilha sonora de violinos e a atriz Margareth Qualley traz uma leveza à personagem. O assunto é sério e oportuno. Além de Alex, a mãe e outras mulheres que ela encontra nessa jornada também viveram relacionamentos tóxicos, às vezes sem perceber. Ouve-se coisas como “ah, mas ele nunca me bateu”! Uma curiosidade: Margareth é filha de Andie McDowell, que interpreta sua mãe na minissérie.

 

Missa da meia-noite – criação: Mike Flanagan – Netflix

Essa série de terror vem assinada por um dos mais respeitados criadores do gênero atualmente. Flanagan é responsável pelo sucesso A maldição da residência Hill, também da Netflix. Desta vez a ambientação é na ilha de Crockett. O jovem Riley Flynn, retorna a ilhota onde nasceu depois de cumprir pena por atropelar e matar uma mulher quando dirigia bêbado. No mesmo momento, chega o padre Paul para substituir o monsenhor octogenário que comandava a paróquia do local há décadas. Quem administra a igreja é Bev, carola rígida, mas pouco correta com o dinheiro dos moradores.

Os primeiros episódios focam no drama, na culpa de Riley, na sua amiga de juventude que engravidou e retornou à Crockett, na crise que os moradores vivem diante da escassez da pesca. Quando o inspirado padre Paul faz um milagre diante dos olhos dos fiéis, tudo muda, o drama vira suspense e, só mais tarde, temos cenas de terror visual. O eixo de tudo é o fanatismo, a religiosidade, a discussão sobre a fé. Não espere monstros e baldes de sangue, isso Flanagan só promete para sua próxima série, já em andamento. Por outro lado, a gente encontra um elenco talentoso, bons diálogos e um subtexto brilhante.

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Filmes

Judas e o messias negro – dir: Shaka King –2021- HBO

Ser baseada em fatos faz aumentar a indignação com a história do líder dos Panteras Negras, Fred Hampton, contada no filme. Após os assassinatos de Luther King e Malcom X, o jovem Fred despontava como nova e importante liderança na luta racial nos EUA. Visto como um possível “messias”, nas palavras do terrível chefe do FBI, Edgar Hoover, eles usam um infiltrado na organização para ajudar a eliminar a “ameaça”. A escolha recai sobre o ladrão de carros William O´Neal. O informante consegue se tornar ativo e respeitado no grupo dos Panteras Negras e foi fundamental para o desfecho. Sem spoiler, né? O resto você saberá vendo o filme.

O ator britânico Daniel Kaluuya, do suspense “Corra!”, me convenceu que é um dos melhores intérpretes de sua geração. Ele recebeu o Oscar de Melhor Coadjuvante pelo papel de Fred Hampton.

 

A Batalha Esquecida – direção: Matthijs van Heijningen Jr -2021 – Netflix

Os eventos da Segunda Grande Guerra já foram explorados à exaustão no cinema. Mas, esta produção holandesa traz uma batalha pouco conhecida, como sugere o título, e também três perspectivas diferentes sobre os acontecimentos. Isso é uma raridade. A trama: quase ao final da guerra, os poderes do Eixo - Alemanha, Itália e Japão - haviam fortalecido o controle na Europa, mas a invasão das forças aliadas e a Batalha de Normandia, o famoso Dia-D, fizeram o exército alemão bater em retirada. A Batalha Esquecida é ambientada quando milhares de aliados lutam contra o exército alemão na ilha inundada de Walcheren na Zelândia. No meio dessa batalha, três pessoas têm suas vidas conectadas: um garoto holandês combatendo ao lado dos alemães, um piloto inglês e uma garota zelandesa que, relutantemente, se uniu à resistência. Nessa batalha, eles terão que tomar difíceis decisões para garantir não só a própria liberdade, mas também a de outras pessoas.

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Coletâneas Belas Artes à la carte

Sempre elogio o acervo do streaming do Belas Artes aqui, pequeno mas cheio de clássicos. E barato! Entre as boas ofertas estão as coletâneas de Hitchcock, Bertolucci, Catherine Deneuve... e outros. Todas são ótimas, mas sugiro a do diretor alemão, Wim Wenders.

Wim Wenders – 10 filmes disponíveis

A coletânea de WW traz seus títulos mais conhecidos como Asas do Desejo, Paris, Texas e Buena Vista Social Club, mas também Alice nas cidades e Movimento em Falso, os dois da década de 70. É uma ótima oportunidade para conhecer ou rever o cinema do cineasta.

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DEPOIS NÃO DIGAM QUE NÃO AVISEI...

Mania de reality

Os realities shows que invadiram a TV brasileira nos últimos anos são, em sua maioria, formatos comprados de outros países. A começar pelo mais famoso, o BB-Big Brother, originário da Holanda. Eles se multiplicam a cada dia. Cada canal tem um reality pra chamar de seu, seja de gastronomia como Masterchef(Band), Top Chef (Record), Mestres do Sabor (Globo); música como The Voice (Globo) em suas várias categorias e o estranho The Masked Singer (Globo) ou de brigas eternas, como A Fazenda (Record).

Mas quero avisar que logo, logo, as TVs abertas estarão se matando para adquirir os direitos de Casamento às cegas, um reality show internacional que acaba de ganhar uma versão brasileira na Netflix. O formato um tanto esdrúxulo é o de reunir homens e mulheres que se falam através de uma parede fina de cabines numeradas. Depois de alguma conversa, eles escolhem seu par amoroso antes de verem. Daí o nome do programa. Numa segunda etapa, os casais selecionados passam dias num resort paradisíaco, numa espécie de lua-de-mel, depois moram alguns dias juntos num apartamento fornecido pela produção e, finalmente, vão para o altar.  Só neste momento, o público saberá quem decidiu realmente se casar. Tudo isso, em poucas semanas.

Casamentos às cegas-Brasil repercutiu nas redes sociais, gerou memes e até mensagens de ódio a um candidato machista, ou seja, pacote completo de sucesso! Vai ou não vai para a TV aberta? Aposto minhas fichas que sim.

Agora, tem o seguinte: a Netflix investiu numa produção caprichada, soube selecionar os casais que iriam até a última etapa (nem todos que se “apaixonam” seguem adiante, a decisão é do programa). Achei fraco o casal de apresentadores, o belo e jovem casal de atores Camila Queiroz e Klebber Toledo. Se algum canal comprar o formato vai ter que primar por uma produção esmerada, como a Netflix, caso contrário o produto final poderá ser muito falso e bizarro. A ver.

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THE END

*Fotos reprodução/divulgação

Tags:
cinema séries beijos de cinema arte cultura séries de TV netflix
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Brígida Poli

Brígida Poli

Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".

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