Por NEY BUENO – Jornalista
Embora o calendário oficial ainda indique distância, as eleições de 2026 já estão em andamento. Não nos palanques formais, mas no cotidiano da política, nas redes sociais, nas decisões institucionais e, sobretudo, na percepção do eleitor. Quem não se posicionar agora corre o risco de perder espaço e tempo em uma disputa cada vez mais antecipada e acirrada.
O eleitor mudou. Hoje, ele quer clareza: saber o que o político pensa, quais bandeiras defende e o que pretende fazer. Quer comparar discursos com ações, avaliar coerência e identificar liderança. O silêncio estratégico ou a postura excessivamente neutra já não funcionam como antes — são vistos como falta de convicção.
Nesse contexto, o presidente Lula tem usado o próprio cargo para se posicionar politicamente. Amparado pela visibilidade institucional, Lula ocupa espaço no debate nacional e também se beneficia, no momento, do vácuo provocado pela ausência de Jair Bolsonaro do jogo político direto, em razão de sua situação judicial e das decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Esse cenário cria uma sensação momentânea de controle do tabuleiro.
No entanto, trata-se de uma vantagem temporária. A partir do momento em que Bolsonaro voltar a se manifestar com mais intensidade — ainda que por meio de entrevistas, declarações públicas ou articulações indiretas — o ambiente político tende a ficar mais pesado.
Bolsonaro segue sendo uma referência central para a direita, que hoje aguarda seus movimentos antes de definir rumos claros para 2026.
Enquanto isso, Lula aparenta um quadro de estagnação eleitoral. Seus índices não demonstram crescimento expressivo, o que indica dificuldade de ampliar apoio para além de sua base consolidada. O presidente mantém protagonismo institucional, mas enfrenta desafios para empolgar novos segmentos do eleitorado, especialmente em um cenário de polarização já conhecida.
Esse cenário reforça uma lição central da política contemporânea: quem ocupa espaço primeiro constrói narrativa. Quem espera demais, assiste. A campanha não começa após as coligações; quando isso acontecer, boa parte da opinião pública já terá formado juízo. Espaços simbólicos, digitais e políticos não ficam vazios por muito tempo.
Antecipar-se não é sinônimo de campanha irregular, mas de presença política ativa, transparente e constante. Em um ambiente onde a disputa começa cedo e a memória do eleitor é disputada diariamente, quem não se posicionar agora pode chegar tarde demais a uma corrida que já está em pleno andamento.









