Outubro 08, 2021
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A dúvida sobre Moisés na sigla que quer crescer

A dúvida sobre Moisés na sigla que quer crescer
DIVULGAÇÃO/PODEMOS

Ousadia e atrevimento não faltarão para o Podemos em Santa Catarina nas palavras de um dos seus líderes, o ex-deputado federal Paulo Bornhausen, na foto com a presidente nacional Renata Abreu e o presidente estadual Camilo Martins, um reconhecido formador de partidos e que segue um roteiro de Joaçaba a São Miguel do Oeste até o fim de semana.

Nome colocado à disposição para concorrer ao Senado, Bornhausen informa que o Podemos conversa com DEM, PSDB, PSD, PL, PP e até o prefeito Antídio Lunelli (Jaraguá do Sul), um dos três pré-candidatos do MDB ao governo, embora aposte no crescimento do projeto com o prefeito Fabrício Oliveira (Balneário Camboriú), lançado pré-candidato à sucessão de Carlos Moisés.

Sobre o atual governador, avalia que o Podemos catarinense, uma sigla leve e sem manchas, não tem interesse em tê-lo nos quadros e a explicação de Bornhausen é clara: não vê em Moisés um líder, teve duas conversas presenciais com ele, uma delas depois do primeiro processo de impeachment, e cristalizou esta opinião.

 

O motivo 1

Na semana passada, a presidente nacional do Podemos, Renata Abreu, consultou Paulo Bornhausen e Camilo Martins, presidente estadual do partido e ex-prefeito de Palhoça, sobre uma oferta do nome de Moisés para ingressar na sigla.

Bornhausen respondeu que “conversar sim, interesse nenhum”, ao concluir que, em 2022, pela falta de simpatia à ideia e ao personagem, “se Moisés estiver de um lado, nós estaremos do outro”.

 

O motivo 2

Para Camilo, o pragmatismo de Renata pesa na possibilidade da vinda de Moisés, embora ressalve que haverá dificuldades em convencer integrantes da legenda no Estado sobre o movimento, alimentado por uma conversa telefônica entre a presidente nacional e o governador por mais de 10 minutos.

Renata, pondera o ex-prefeito de Palhoça, quer musculatura e sabe que a figura de um governador à reeleição seria adequada para a ajudar chapas fortes a deputado estadual, mas também a federal, que conta para os fundos Eleitoral e Partidário, além do tempo de rádio e TV, em um cenário sem coligação na proporcional pela primeira vez em um pleito geral.

 

Detalhe

Camilo voltou de Brasília nesta sexta (8) com a certeza de que falta muito pouco para o ex-juiz federal e ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro anunciar a candidatura à Presidência pelo Podemos, sinalização dada por Renata Abreu.

Moisés estava na trincheira de Jair Bolsonaro, em 2018, que tinha o combate à corrupção e ao PT como norte, leia-se Moro, o que transformaria a questão em natural.

 

Discorda

Paulo Bornhausen vê duas situações negativas em relação a Moisés: tem muito a explicar sobre a compra dos respiradores, mesmo que não acredite na participação direta do governador no escândalo, e fomenta um equívoco na política de liberação de recursos a prefeitos, mais de R$ 3,5 bilhões, parte das emendas impositivas dos deputados – pagou mais de R$ 1 bilhão, do governo anterior e da atualidade.

Candidato ao Senado, em 2014, Bornhausen, então no PSB, relembra que foi o Fundam – financiamento de R$ 750 milhões a fundo perdido concedido a prefeitos, construído com base em financiamentos do BNDES e do BRDE pelo então governador Raimundo Colombo (PSD) – que o derrotou, favorecendo o emedebista Dário Berger.

 

O porquê do “PIX”

A explicação de Bornhausen é a de que Colombo pagava as verbas depois da eleição, ou seja, empurrava os prefeitos e deputados a puxarem voto para quem o governador à época apoiasse.  

Hoje, o ex-deputado federal, instalado no Podemos, considera que o repasse de verbas de Moisés é um “PIX”, feito à vista, não cria obrigação ou lealdade, mas uma tendência de que muitos que posam de aliados do governador se dispersem e esqueçam da benevolência, o que ele considera, por analogia, um verdadeiro Cavalo de Troia.

 

Fato

Vale para o Podemos e para qualquer partido o fato de que as coisas só serão definitivamente esclarecidas próximo ao fim do ano, com a escolha do partido pelo presidente Jair Bolsonaro, entre PP, PL, PTB ou uma sigla menor para chamar de sua, ou mesmo a formalização de uma candidatura do porte da de Sérgio Moro.

O ex-juiz federal, aliás, seria um nome para compor em outra chapa, talvez como vice, o que abriria perspectivas para o senador Rodrigo Pacheco, que oscila entre permanecer no DEM (União Brasil pela fusão com o PSL) ou ir para o PSD, sonho de Gilberto Kassab e companhia, ou se o governador gaúcho Eduardo Leite vencer o governador paulista João Doria Júnior, no embate das prévias do PSDB.

 

Conselhão

O Podemos catarinense criou um conselho político, presidido pelo prefeito Mário Hildebrandt, de Blumenau.qie a administra o terceiro maior colégio eleitoral do Estado, e a intenção é de dar uma definição sobre alianças e candidaturas, que serão homologadas me meados do ano, em convenção.

Hildrebrandt é, ao lado de Eduardo Freccia, de Palhoça; Fabrício Oliveira, de Balneário Camboriú; e do deputado federal Rodrigo Coelho, de Joinville, considerado a linha de frente do partido, que ainda receberá  o reforço dos deputaos estaduais Nazareno Martins e Laércio Schuster.   

   

REPRODUÇÃO/INTERNET

UNIÃO BRASIL NASCE FORTE

O prefeito Gean Loureiro (DEM), pré-candidato a governador e presidente do DEM catarinense, e o deputado federal Fábio Schiochet, presidente estadual do PSL, ainda permanecerão nos respectivos cargos, enquanto o TSE não ratifica a fusão entre as duas legendas e seja criada a União Brasil, nome da nova sigla, que terá o número 44. Os dois devem definir quem ficará à frente do partido. No Estado, são 200 vereadores, 20 prefeitos e 25 vice-prefeitos, e as permanências asseguradas apenas de Schiochet na Câmara e Ricardo Alba, na Assembleia. A sigla nasce grande, com a maior bancada da Câmara dos Deputados. A fusão abre a porta para a chegada de novos integrantes do Legislativo, sem o risco de perde de mandato, mas também de saída para os descontentes. Só na Assembleia serão cinco de uma bancada de seis. Nos últimos dias, pelo menos dois prefeitos deixaram o PSL no Estado. Na foto, durante o evento do DEM, aparecem, entre outros, o presidente nacional do DEM, ACM Neto, de máscara, e o deputado federal Antônio Bivar, presidente do PSL.

 

Curiosidades

Fusão de DEM e PSL tem um fato curioso em Blumenau e em muitas cidades por conta das diferenças partidárias.

O deputado Ricardo Alba estará lado a lado com o ex-deputado e prefeito João Paulo Kleinübing, atual vice-presidente estadual demista, contra quem concorreu à prefeitura em 2020.

Kleinübing começou este mês um mestrado em Políticas Públicas, na Blavatnik School of Government, da Universidade inglesa de Oxford.

 

Na ativa

Senador Jorginho Mello (PL) contabiliza 10 projetos de autoria dele sancionados pelo presidente Jair Bolsonaro, o último que dá aos beneficiários da previdência social alternativas para fazerem a prova de vida e que deixa suspenso a necessidade da comprovação até 31 de dezembro deste ano.

Em outra frente, Jorginho fez barulho para dizer que a bancada federal catarinense no Congresso, leia-se Fórum Parlamentar, garantiu a recomposição de R$ 137 milhões do PLN 15 e PLN 20, cortados no relatório do orçamento de 2021, com a distribuição de R$ 11 milhões para BR-285, R$ 54 milhões para a BR-280, R$ 14 milhões para BR-164 e R$ 57 milhões para a BR-470.

Uma vitória de deputados federais e senadores, sem dúvida, com valores menores do que o governo do Estado garantiu com verbas do Tesouro catarinense para as mesmas obras.  

 

ARQUIVO DA FAMÍLIA/REPRODUÇÃO

O ADEUS A TARZAN!

Será velado na Câmara de vereadores de São Joaquim, nesta sexta (8), a partir das 18h, o corpo do ex-vereador, vice-prefeito e prefeito (por duas vezes) Rogério Tarzan Antunes da Silva, falecido aos 82 anos, por falência múltipla dos órgãos, nesta madrugada. Folclórico e autêntico, Tarzan marcou época na região Serrana. Ele nasceu em Painel, mas fez a carreira profissional e política em São Joaquim. Pai do ex-deputado Sandro Tarzan (já falecido), o comerciante Rogério Tarzan deixa a mulher Marita, com ele na foto, os filhos Cibeli e Elisandro, e netos.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Roberto Azevedo tem 36 anos de profissão. Estudou jornalismo na UFSC, de Florianópolis, e direito na FURB, de Blumenau. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, na RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis, na Rede TV Sul! e na TVBV (Barriga Verde, BAND); comentarista na RIC TV Record e na Record News, e colunista no Diário Catarinense (onde também foi editor de Política) e no Notícias do Dia, tendo blogs nas versões digitais das edições. Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital catarinense. Além de ter uma coluna no Portal Making Of, desde setembro de 2016, faz comentários sobre política e economia na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e na TVBV (BAND), de Florianópolis.
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