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quinta-feira, 26 maio, 2022

A estratégia é garantir os quatro votos

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A estratégia é garantir os quatro votos
REPRODUÇÃO/TVAL

O núcleo mais próximo do governador afastado Carlos Moisés da Silva (PSL), onde estão, entre outros, o secretário Jorge Eduardo Tasca (Administração), e o já ex-chefe da Casa Civil, Eron Giordani (PSD), já estava reunido na sexta (26), quando o Tribunal Especial de Julgamento definiu o placar desfavorável, com a missão, no mínino, o mesmo placar de 6 a 4, que garantirá a permanência no cargo.

É o caminho mais curto, mas não tão fácil como se possa imaginar, a partir de uma sessão que decidiu pelo prosseguimento do processo de impeachment como votos de conteúdo extremamente político por parte dos cinco desembargadores, seguidos pelo deputado Laércio Schuster (PSB).

Os magistrados basearam-se no relatório da CPI dos Respiradores, formado em grande parte por provas testemunhais, ilações e deduções, e ignoraram, quase que na maioria dos votos, os fatos que sobrevieram em forma de um relatório da Polícia Federal que isenta o governador e da conclusão do Ministério Público Estadual que concluiu pelo arquivamento de uma inquérito civil que apurava a responsabilidade de Moisés  na compra dos 200 respiradores com o pagamento antecipado, sem garantias de entrega, de R$ 33 milhões.   

De fato, como tanto insistiram em suas manifestações de que se tratava de uma análise de caráter político-jurídica, a participação dos desembargadores pareceu centrada em apenas um dos aspectos, sem avaliar os prejuízos que o novo afastamento do governador traz ao Estado e a insegurança jurídica que provoca.

Quer saber passo a passo, como foi a cronologia da votaçãopelo prosseguimento do processo de impeachment,leia mais em https://portalmakingof.com.br/roberto-azevedo.

 

Batalha

Pano de fundo da votação de sexta, no Tribunal Especial de Julgamento, está o embate entre os cinco desembargadores que representam o TJ e o presidente, desembargador Ricardo Roesler.

Estão em lados opostos na eleição do novo comandante do Judiciário catarinense e seria bem mais fácil justificar os votos políticos pela situação da Covid-19 no Estado do que levar para o Tribunal Especial uma questão paroquial.

 

Todos sabiam

Que os cinco desembargadores escolhidos por sorteio eram reconhecidos como linha dura na hora de julgar, ninguém duvidava.

O que sugere que, depois de praticamente pré-condenar Moisés, não será fácil imaginar que mudem substancialmente os votos, embora a única análise que ficou para o julgamento definitivo do impeachment seja a justa-causa em cima da compra, sem garantia de entrega, dos respiradores.

 

Não decepcionou

O voto de Laércio Schuster já era motivo de desconfiança entre os demais parlamentares que compõem o Tribunal Especial e seus assessores na semana que antecedeu o julgamento.

Sabe-se que, dias antes, Schuster reuniu-se com o ex-deputado Gelson Merisio (PSDB), o nome mais comentado enquanto a sessão corria, e teria definido pelo voto contra Moisés desde então.

Não s e esqueça, no primeiro impeachment, aquele da equiparação dos salários dos procuradores do Executivo com os da Assembleia, Schuster deu um voto pelo prosseguimento e outro no dia do julgamento final, algo imprevisível pela conotação política de sua manifestação.

 

Não foi só

Enquanto Schuster era ligado a Merisio, candidato derrotado por Moisés, em 2018, e disposto a tirar qualquer possibilidade do governador se recuperarem direção a 2022, a desembargadora Rosane Portela Wolff, teve a sua vida acadêmica ligada ao cunhado do ex-deputado.

O advogado Antonio Marcos Gavazzoni, doutor em direito, foi orientador da magistrada quando da especialização em direito civil, pela Faculdade Exponencial, entre 2003 e 2005, em uma área sugestiva: Responsabilidade Civil por Abuso de Direito. Se isso tem relevância, qualquer pessoa ligada ao staff de Moisés poderia ter acesso, pois consta do currículo da desembargadora no site do Tribunal de Justiça.

 

E tem mais

Outro movimento político que ocorreu com a nomeação da advogada Beatriz Campos Kowalski para superintendente da Floram pelo prefeito Gean Loureiro (DEM), neste mês de março, merece uma atenção especial.

Ela é uma das autoras do segundo pedido de impeachment contra Moisés e significaria o alinhamento de Gean, que pretende se lançar pré-candidato ao governo no ano que vem, com o grupo político que possui, inclusive, integrantes no governo do Estado, pelo menos até terça (30).

 

Oportunidade

A vice-governadora Daniela Reinehr (sem partido) tem grande chance de rever sua atuação durante um mês, entre outubro e novembro do ano passado, na nova interinidade que se inaugura nesta terça (30).

O momento não é para idas e vindas nas redes sociais, diante do mais delicado dos momentos no combate à pandemia, o que exigirá a formação de um governo centrado, menos influenciado por gente que sonha com a eleição ao governo no ano que vem.

 

Debandada

Eron Giordani, ligado ao deputado licenciado Julio Garcia (PSD), não será o único a se exonerar do governo com a chegada de Daniela.

É bom ficar de olho nos deputados Altair Silva (PP) e Luiz Fernando Cardoso, o Vampiro (MDB), que podem deixar as pastas da Agricultura e da Educação e retornarem para a Assembleia muito antes do previsto, além de muita gente indicada por parlamentares nos últimos dias.

Roberto Azevedo
Roberto Azevedo tem 37 anos de profissão. Estudou jornalismo na UFSC, de Florianópolis, e direito na FURB, de Blumenau. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, na RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis, na Rede TV Sul! e na TVBV (Barriga Verde, BAND); comentarista na RIC TV Record e na Record News, e colunista no Diário Catarinense (onde também foi editor de Política) e no Notícias do Dia, tendo blogs nas versões digitais das edições. Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital catarinense. Além de ter uma coluna no Portal Making Of, desde setembro de 2016, faz comentários sobre política e economia na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e na TVBV (BAND), de Florianópolis.
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