Abril 07, 2021

A hora de dizer que a meta é o governo

A hora de dizer que a meta é o governo
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Sem ao menos ter certeza do futuro que está reservado para Carlos Moisés da Silva (PSL) ou Daniela Reinehr, ora sem partido à espera da definição de Jair Bolsonaro, Santa Catarina vive intensamente o fenômeno da antecipação do palanque em meio à proximidade do segundo julgamento de impeachment contra o governador.

Alguns caciques do PSD, reunidos à mesa de um restaurante (foto), declararam que a sigla terá candidato ao governo em 2022, curiosamente na presença de dois virtuais pré-candidatos: o ex-governador Raimundo Colombo e o ex-prefeito de Blumenau Napoleão Bernardes, pajeados pelo presidente do partido no Estado, o deputado Milton Hobus, na melhor perspectiva de quem estiver melhor concorrerá.

Os eleitores já esqueceram que, em 2018, Colombo e Napoleão, um ex-tucano, estavam em lados opostos e os pessedistas jogavam suas fichas no então deputado Gelson Merisio, hoje mais ativo do que nunca nos bastidores e adversário dos três à mesa, embora a forte amizade com Hobus possa levar a um acordo, sem a aprovação de líderes como o deputado Julio Garcia, que busca a redenção.

Os tucanos sequer deixaram vazar uma frase semelhante ao time do PSD e já enfrentam um possível clássico pela pré-disputa ao governo, delimitado entre o vitaminado Clésio Salvaro, prefeito de Criciúma, e Merisio, que joga a rede em várias direções, como o PSL, por exemplo.

 

Eternos fortes

Nesta disputa por nomes e apoios, o MDB tem uma das missões mais difíceis, sair sem fraturas expostas de uma recomendada prévia, mas que se perde na ausência de consenso, com cheiro de puxada de tapete a partir da escolha marcada para 15 de agosto.

A estrela em ascensão é o prefeito Antídio Lunelli, de Jaraguá do Sul, com o trabalho dos aliados no plano B ou P, na busca de uma alternativa que passa pelo Podemos, em caso de vitória do senador Dário Berger ou do deputado federal Celso Maldaner, presidente da sigla, o que sugere muito suor e saliva na maior sigla do Estado até o momento do voto.

 

Figura atuante

Quem nunca escondeu a condição de pré-candidato é o senador Jorginho Mello, que comanda o PL e tem reunido em torno dele bolsonaristas notórios, sem esquecer que isso não é suficiente para fazer sucesso na primavera do ano que vem.

Busca aliados em outras legendas e no PP, de Esperidião e Angela Amin, que estariam dando passagem ao prefeito reeleito de Tubarão, Joares Ponticelli, algo mais imprevisível do que acertar sozinho a Megassena ou acena para o MDB.

 

Alternativa

Conforme soprar o vento, o Podemos, de Paulo Bornhausen, está com pinta de par mais cortejado da vez.

Se dependesse unicamente do presidente Camilo Martins, marcharia com Merisio para onde ele quiser ir, mas a musculatura de quem reelegeu Mário Hildebrandt, em Blumenau, e Fabrício Oliveira, em Balneário Camboriú, sugere estratégias variadas.

 

Democratas

O prefeito de Florianópolis Gean Loureiro, reeleito pelo DEM em primeiro turno contra todos os principais adversários, um exímio aglutinador de apoiadores, não estará para brincadeira na próxima eleição.

O caminho dele é mais cheio de obstáculos, porque terá que trabalhar para ser o preferencial em qualquer coligação, depois de assegurar que alianças com Republicanos, PSC e até Podemos ou PSD são renováveis em uma nova disputa que não deve ignorar PRTB e Patriota.

 

Outros jogadores

No campo até outubro do ano que vem, as esquerdas precisam de um norte e de uma ação mais elástica, mais ao centro, para pensar em algo além do que coadjuvância.

O PT, entre Lula e Fernando Haddad à Presidência, terá certamente candidato ao governo em Santa Catarina, talvez o ex-deputado federal Décio Lima, com a necessidade urgente de buscar o apoio do PCdoB, PSOL, PDT e PSB, que têm rumos próprios traçados na disputa ao Planalto, seja com Guilherme Boulos ou Ciro Gomes.

As articulações terão óbvio reflexo nos projetos locais, que passam por nomes como Elson Pereira (PSOL) e Cláudio Vignatti (PSB), para citar alguns, na expectativa de qual brizolista entrará na briga.  

 

A expectativa

Não há de se desconsiderar o Novo, que elegeu o prefeito do maior colégio eleitoral do Estado, Adriano Silva.

O problema do partido é a complicada política interna de alianças, focada apenas em quem defender as mesmas bandeiras, quase como uma placa de mantenha a distância para a maioria das outras siglas, para não dizer todas.     

 

Resumo

Muitos dos que entraram em campo com sede em cima do objetivo de varrer a figura de Moisés do mapa, não chegarão sequer a uma candidatura viável, serão vices ou negociarão a única vaga em disputa ao Senado, na apertada renovação de um terço.

Aliás, para complicar o meio de campo, muitos dos que anteciparam o palanque eleitoral esqueceram que não haverá coligação na proporcional, jogo para chapas mais fortes a deputado estadual e federal, tampouco pensaram o que fazer se Moisés se livrar do impeachment e virar vítima ressurgida de um complô na hora certa.    

Outro ponto a ser avaliado é qual será o peso de Jair Bolsonaro, ainda sem partido, na disputa ao governo catarinense. A conferir.

 

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UNIDOS EM TORNO DE DANIELA REINEHR

Decidir pelo apoio à gestão de Daniela Reinehr foi a conclusão esperada da reunião, entre uma garfada e outra, do Bloco Social Liberal da Assembleia, que tem 10 parlamentares de PSL e PL. Complicado será manter a harmonia em um grupo que tem gente de personalidade muito forte. O que o líder do bloco, o deputado Ivan Naatz (PL) chama de apoio republicano à governadora em exercício, pode significar não deixar as críticas de lado. Na foto oficial, da esquerda para a direita: Jessé Lopes, Ricardo Alba, Marcius Machado, Ivan Naatz, Ana Caroline Campagnolo, Nilso Berlanda, Maurício Eskudlark e Sargento Lima, recém-chegado às hostes do Partido Liberal. O que chamou a atenção foi o grupo todo de máscara, coisa que não era muito comum para muitos dos deputados presentes antes de Jair Bolsonaro adotar a proteção contra a Covid-19.   

 

E agora?

Os proponentes já entregaram o libelo acusatório e a defesa já apresentou as contrarrazões ao presidente do Tribunal Especial de Julgamento que analisa o segundo pedido de impeachment contra o governador afastado Carlos Moisés, desembargador Ricardo Roesler.

Defensores do afastamento definitivo querem ouvir duas testemunhas, na lógica de que quanto tempo mais demorar pior para o réu, enquanto os defensores de Moisés preferem apresentar provas documentais. O momento é de análise. 

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Roberto Azevedo tem 36 anos de profissão. Estudou jornalismo na UFSC, de Florianópolis, e direito na FURB, de Blumenau. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, na RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis, na Rede TV Sul! e na TVBV (Barriga Verde, BAND); comentarista na RIC TV Record e na Record News, e colunista no Diário Catarinense (onde também foi editor de Política) e no Notícias do Dia, tendo blogs nas versões digitais das edições. Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital catarinense. Além de ter uma coluna no Portal Making Of, desde setembro de 2016, faz comentários sobre política e economia na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e na TVBV (BAND), de Florianópolis.
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