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A Inteligência Artificial pode substituir o artista visual? – Por Edna Carla Stradioto

Foto: Pixabay

Por Edna Carla Stradioto*

Arte digital, aplicativos de design, plataformas de criação artística e desenho, NFT, metaverso e inteligência artificial são ferramentas cada vez mais ao alcance do público e serão utilizadas, cada vez mais, e de forma mais abrangente e mais democrática.  Em um mundo com fácil acesso a um conteúdo quase infinito de informações e recursos, poderá a IA substituir a criação de artistas visuais?

Podemos analisar um pouco alguns acontecimentos recentes da história. A preocupação com o desconhecido e os mistérios que o futuro nos reserva já acometeu a humanidade em outras inúmeras vezes. Em um exemplo recente, Muitos diziam que as fotografias acabariam a profissão dos artistas visuais, outros categoricamente afirmaram que a carreira dos ilustradores estava ameaçada. Nada disso foi verdade. Fotografias não roubam almas, pintores continuaram a surgir em grande número e a arte da pintura continua se expandindo, enquanto os ilustradores continuam sempre profissionais cada dia mais requisitados.

Pense, por um segundo, no número de aplicativos disponíveis, gratuitamente, para edição de fotos e vídeos, com aplicação de filtros, uma variante quase infinita de recursos para melhoria de qualidade de imagem, alteração de cores, aplicação de zoom, e a tão sonhada edição de resolução. Agora vá em suas mídias sociais e veja a variedade de fotógrafos no mundo que produzem conteúdo e são reconhecidos e valorizados pelo trabalho que oferecem. Será mesmo que não estamos vivendo de novo esse boom de insegurança na área das artes plásticas porque os paradigmas mudaram de novo?

Quanto mais a gente sofre pela mudança das prerrogativas do nosso mundo atual, menos a gente entende como uma nova ordem mundial. Assim como os emojis vieram para alarmar a vida dos linguistas e atualizar nossa forma de comunicação, a tecnologia permanecerá se expandindo e o campo das artes visuais continuará se ampliando. Os artistas visuais terão cada vez mais recursos, amplitude e campo de atuação. E continuarão a ajudar a transformar vidas de pessoas comuns ou profissionais, contando com o apoio de artifícios variados para criar novo tipo de arte, inovar nesse campo, modernizar suas vidas.

A relação homem-arte não sairia ilesa. A arte não poderia ficar de fora da evolução científica e o mercado de arte não poderia continuar o mesmo, nem apartado das novas configurações culturais e sociais do homem moderno e contemporâneo. Era óbvio, se não uma condição natural, que a tecnologia também iria afetar de maneira indiscutível o cenário artístico.

Sartre disse “não somos aquilo que fizeram de nós, mas o que fazemos com o que fizeram de nós”. Sobre isso, será fundamental ao artista usar sua subjetividade poética para descobrir como essas ferramentas podem ser úteis.  Quando tudo muda, as artes também precisam se adaptar e reestruturar. A arte digital veio para ficar: segundo o relatório do mercado de arte da Artbasel, de 2022, o mercado de Fine Art foi o que mais cresceu, atingindo 42% de aumento em relação ao ano anterior. O mercado de arte tradicional teria crescido “apenas” 22% no mesmo período.

Aplicativos que reproduzem a realidade no metaverso permitem criar exposições individuais que potencializam a divulgação do trabalho do artista. Esse mercado ultrapassou 60 bilhões de dólares em 2021 e deve alcançar 1,5 trilhão em 2029, segundo a Fortune Bussiness. Um crescimento de quase 2300%. Ferramentas de IA podem transformar a arte estática em dinâmica. Esse mercado passou 119 bilhões de dólares em 2022 e deve chegar a 1,5 trilhão em 2030, segundo o relatório de mercado da Precedence Research.

Já existem empresas especializadas na criação de NFTs, possibilitando ao mercado artístico a transformação de obras em token, com comercialização de artes em criptomoedas.  Segundo dados da Statista sobre o mercado de NFT é esperado que alcance em 2023 a cifra de 3,5 bilhões de dólares em vendas, o que significa um incremento de quase 23% sobre a receita de 2022.

O certo é que a democratização das ferramentas tecnológicas é, sim, um benefício ao mundo das artes. Somos 7,88 bilhões de pessoas no mundo. Na virada do século XIX para XX, éramos 1,63 bilhão. De lá para cá, o modo de plantar e colher mudou, o modo de locomoção mudou, o modo de reprodução gráfica mudou. Mas sabe o que de mais importante mudou? Nossa relação com os recursos naturais e a criação de protocolos de sustentabilidade. Tudo isso intermediado pelo uso mais amplo e frequente de tecnologia. Bem-vindo ao novo mundo!

 

*Edna Carla Stradioto é artista plástica, curadora e produtora cultural

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