Dezembro 03, 2020

A lista de Guedes e as excentricidades dos governantes

A lista de Guedes e as excentricidades dos governantes
Reprodução

O Brasil já foi chamado de "País dos contrastes" – Norte/Sul, Ricos/Pobres. Agora, caminha para ser o País das excentricidades. Cada dia aumenta um ponto na classificação. Ontem, 2, por exemplo, enquanto o Ministro da Saúde afirmava no Congresso que distanciamento não ajuda no combate à Covid-19, em Santa Catarina, Governo e Municípios anunciavam toque de recolher em 21 cidades para tentar reduzir o contágio.

A coisa é tão excêntrica que até os mais excêntricos se surpreendem.

Exemplo irretocável é a lista que a empresa "BR + Comunicação" elaborou para o Ministério da Economia rotulando jornalistas e influenciadores em detratores, neutros informativos e favoráveis ao governo.

Diante da repercussão, extremamente negativa, acabaram envergonhados do patrulhamento? Nada disso. Trocaram a palavra detratores por contrários.

O documento contém telefones celulares e e-mails dos relacionados, avaliações sobre o desempenho e outras preciosidades sobre cada um deles. Por exemplo, para o blogueiro Felipe Neto escreveram: "o influenciador é contra o governo, faz duras críticas do Ministro da Economia no que tange as questões da pandemia".

E sobre Guga Chacra, comentarista internacional da GloboNews, residente em Nova York: "Jornalista é crítico ao governo Bolsonaro...", a empresa sugere "a partir dos posts que ele fizer sobre economia, monitorar se há algum debate equivocado e publicar posts que esclareçam de forma indiretas essas mensagens".

 

Antecedentes

Esse tipo de documento, mais parecido com trabalho de arapongas, não é tão raro assim. Surpreende é ser revelado.

A história, ao longo dos séculos, também traz exemplos que se assemelham a essa lista do Guedes.

O AI-5, de 1968, o mais severo de todos, levou a censura prévia da música, cinema, teatro, televisão à imprensa e meios de comunicação. Tem alguma semelhança com a lista da

"BR + Comunicação", na intenção de calar vozes dissonantes e privilegiar os favoráveis. Felizmente está longe daquela ação, mas a responsabilidade é lembrar do que já aconteceu neste País para que não se repita.

Voltando bem mais, houve as versões medievais da Inquisição, nos séculos XIII e XIV, que na raiz tinha o objetivo de fiscalizar a fidelidade dos convertidos.

O sonho dos governantes - civis ou não -   com viés ditatorial é o controle, do qual a lista de Guedes é um pequeno exemplar. E que deve parar por aí.

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Claiton Selistre

Claiton Selistre

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi diretor de Jornalismo por 25 anos da RBS TV, TVCom e Rádio CBN/Diário em Santa Catarina. Antes atuou na  Rádio e TV Gaucha do grupo RBS e em redações de jornal, rádio e tv do grupo Caldas Jr. em Porto Alegre. Foi também repórter da na Sucursal do Jornal do Brasil. Planejou e Coordenou coberturas multimídia nas Copas do Mundo de Futebol na Alemanha, Argentina, Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França e Japão/Coréia. Dirige a Making of há seis anos.

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