Novembro 30, 2020

A necessária coalizão chega finalmente

A necessária coalizão chega finalmente
ROBERTO AZEVEDO

Insistiram tanto na tese de que Carlos Moisés deveria fazer política e não ter qualquer prurido para fazê-lo que o governador dedicou-se piamente à construção de um governo de coalização, entre outros, com o presidente da Assembleia Julio Garcia.

Não só a indicação de Eron Giordani (foto, durante a coletiva do governador na última sexta, dia 27), que era chefe de Gabinete de Julio no comando do Legislativo, mas a construção de pontes para que os deputados possam participar das decisões do Executivo evidencia que o norte agora é assegurar a governabilidade nos próximos dois anos.

Hábil e conhecedor de cada gabinete no Palácio Santa Catarina, Eron é uma saída consensuada, de acordo com Moisés, para agir no processo de convencimento e de “ouvidoria” do parlamento estadual, tarefa que exige paciência e um índica altíssimo de resolutividade alto, já que de promessas, principalmente com o advento de Douglas Borba pela Casa Civil, que prometia e não cumpria, os deputados cansaram.

 

Lealdade

Um traço na carreira política de Eron Giordani é a lealdade, imagem construída durante o exercício dos cargos junto aos prefeitos João Rodrigues (PSD) e José Caramori (PSD), em Chapecó; César Souza Júnior (PSD), em Florianópolis, sempre pelas mãos do então deputado Gelson Merisio (antes PSD, agora PSDB), com quem rompeu antes de estar próximo de Julio Garcia (PSD), de quem era chefe de Gabinete.

A lista é grande, de um mesmo lado do espectro político, com um rol de adversários de Moisés ou com potencial para tanto, o suficiente para conferir, na nova trajetória, a que senhor Giordani servirá.

 

Vale para os dois

Enquanto a figura de submissão é espalhada pelos gabinetes da Assembleia, dando a impressão que só Moisés cedeu em direção à coalizão, vale registrar que os deputados foram também abalroados por um grande revés, a fracassada trama de trocar o chefe do Executivo e por aí vai.

Ou seja, os parlamentares igualmente engolirão em seco as bobagens que disseram, as denúncias infundadas que fizeram e ofensas que proferiram, antes, durante e depois do processo de impeachment, o que faz do episódio uma relação entre vitoriosos ou derrotados de todos os lados.

 

O que esperar

Um governo de coalizão significa ampliar a base de apoio, que hoje inexiste, e repartir esta tarefa pela governabilidade entre várias siglas diante de uma dilema: como reagirão os parlamentares, uma grande parte dos integrantes do parlamento estadual, que partiram para o ataque contra Moisés nos últimos seis meses, a um acordo costurado entre caciques.

Imaginar que MDB, PSD, PP e parte do PSL, além de alguns integrantes do PL, do PSB e do PSDB, tendem a seguir o apoio a Moisés representa a oferta de cargos no Executivo, até porque emendas e a realização de obras regionais já é algo que ocorre no atual governo, sem qualquer repercussão positiva entre a maioria dos deputados.

 

Caixa sólido

O grande feito do governo Moisés é manter uma sequência de obras públicas com recursos próprios.

Nenhuma contratação de empréstimo foi feita desde janeiro de 2019, equanto este sempre foi um flagelo para os cofres do Estado.

 

Lista 1

Pouco antes da comunicação oficial para Moisés de que ele estava reintegrado ao cargo, o governador conversou com Daniela Reinehr por 10 minutos.

O encontro presencial foi na Casa d’Agronômica e a vice-governadora teria acenado com a bandeira branca para recompor a relação, o problema é que, na véspera, havia exonerado muito agente da confiança de Moisés, quem sabe na esperança de permanecer no cargo. Não leu nem assistiu aos jornalistas.

 

Lista 2

Nas duas páginas de nomeações e exonerações que Moisés fez publicar no Diário Oficial do Estado no último sábado, não há só defenestrações do secretariado relâmpago de Daniela.

Há muitos que estão em novas funções e até subiram de posto.

 

Retorno triunfal

Foco da ira descabida de parlamentares, o secretário Jorge Eduardo Tasca volta com força à Secretaria Estadual de Administração, sinal evidente de que quem pensa que o governo de coalizão significará porteira aberta pode tirar às más intenções da chuva e da estiagem.

Tasca é a garantia de cumprimento da lei, um escudo contra aqueles contratos cheios de zero à direita, que engordavam campanhas eleitorais e viraram até operação das polícias Federal e Civil e nunca saíram da mira dos ministérios públicos estadual e federal.

 

Será?

Encontro risível entre uma figura que circula nos bastidores da política e a deputada Paulinha da Silva (PDT), ex-líder do governo, em pleno encerramento da sessão do Tribunal Especial, na última sexta (27), na Assembleia, continha o seguinte diálogo:

- Perdi uma aposta (uns chocolates de uma marca famosa) e tenho que pagar agora porque a senhora deve ficar na Assembleia e não virará secretária - disse o já decepcionado servidor.

- Melhor não pagar a aposta ainda – afirmou uma enigmática Paulinha.

 

Ficou ruim

A ausência na sessão do Tribunal Especial de Julgamento da última sexta, em função da Covid-19, no mínimo salvou do constrangimento o deputado Kennedy Nunes (PSD), de quem não podia se ver o celular, porém não o impediu de tentar embarrigar a votação com um pedido de vista, que, mais tarde, corretamente, foi abandonado.

Se Kennedy não estava entre togados, tentou implementar seu show à parte, o que, em determinado momento foi objeto de leve repreensão pelo desembargador Ricardo Roesler, que assinalou que o tal artigo 34, que o parlamentar insistiu em ler, já havia sido transcrito via internet.

 

Pior

O fato é que Kennedy, mais os deputados Sargento Lima (PSL) e Luiz Fernando Vampiro (MDB) não compareceram diante o inevitável desconforto de ver ir por terra toda a acusação contra Moisés.

Vampiro acovardou-se, dizem, em nome da pressão “bolsonarista” do eleitor de Criciúma, sua base, tão forte que deixou a candidata a prefeito mais identificada com o presidente em terceiro lugar. Não podemos esquecer do desembargador Luiz Felipe Siegert Schuch, quer manteve a sua posição contrária ao governador, e já ganhou a alcunha de “voto divergente vencido”, para abusar da redundância.

 

Brilhante

A postura do desembargador Ricardo Roesler, que entra para história como sendo o primeiro chefe do Poder Judiciário a presidir dois tribunais especiais de julgamento de impeachment simultâneos, merece o total aplauso da sociedade catarinense.

Em tempos de nervos à flor da pele e de insurgência política, o conhecimento jurídico e a experiência na condução do processo garantiram a lisura das decisões tomadas, e olha que não faltaram ações em plenário para desestabilizar, irritar.

 

Deve ser dia 14!

A data para a votação que pode determinar a continuidade ou não do segundo processo de Impeachment contra Moisés, que trata do pagamento antecipado de R$ 33 milhões, sem a garantia de entrega dos 200 respiradores, o hospital de campanha que nunca saiu do papel e a falta de punições administrativas para os ex-secretário Helton Zeferino (Saúde) e Douglas Borba (Casa Civil), deve ser o próximo dia 14 de dezembro.

Um dos fatores que levam a crer nisso é o de que as sessões do tribunal especial do segundo impeachment foram agendas para segundas e sextas, além de o prazo coincidir com o fim do período normal de trabalho e o início do recesso, interstício para os íntimos, tanto no Judiciário quanto na Assembleia.

Sem shows previstos, o segundo ato parece seguir o roteiro de fadado ao arquivamento, longe do efeito manada ou ondas, mas por fatos, que corroboram esta tendência.  

 

CRISTIANO ANDUJAR/PMF

OUTRO TIRO NO PÉ

O Sintrasem fez de novo, programou uma greve na Comcap com justificativa pífia, em Florianópolis, para pedir reajuste salarial que teria sido acertado antes da pandemia. A ação pode ter seus motivos, porém esbarra na impopularidade de desativar um serviço essencial, de saúde pública. Além disso, na guerra de informações, a prefeitura tem a alegação de que segue uma determinação federal que impede reajustes até o final do ano que vem. E transforma a paralisação dos funcionários da autarquia em um verdadeiro tiro no pé, quando contrata uma empresa privada (foto) para recolher o lixo. Detalhe: o custo é de R$ 176,89 por tonelada recolhida, enquanto a Comcap custa para o município R$ 420,80 por tonelada. A operação começou na noite desta segunda (30). 

 

Em tempo

A prefeitura da Capital se apressou em informar que as imagens com os trabalhadores da empresa privada que começou a fazer a coleta de lixo sem máscara tem explicação: o uso da proteção é facultativo entre os que fazem a coleta.    

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roberto-azevedo política economia bastidores da política Santa Catarina
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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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