Janeiro 12, 2022

A política partidária e a famigerada esquerda versus direita

A política partidária e a famigerada esquerda versus direita
Foto: Reprodução

Por Davi Rogerio Waltrick*

 

A muito tempo atrás Edmund Burke disse: "a prudência não é apenas o primeiro pilar das virtudes políticas e morais, mas sim o diretor e regulador". Sem a prudência, a política é tomada por decisões sem elo com o que a sociedade precisa, sem contato com o passado e o que perdurou no tempo como viável, sem conexão com a realidade prática e irrefutável. Por fim, sem prudência a política se torna obtusa, pautada em falsos princípios, em palavras ralas e mentirosas. Pois bem caro leitor, eu enxergo uma falta de prudência no debate entre a direita e a esquerda.

Se você observar com atenção, diariamente no noticiário irá ouvir sobre a tal polarização da política, esquerda vs direita. Os que criaram essa retórica colocam em um lado o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e do outro o atual Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro. Se te perguntarem em que lado você está, ou você escolhe ou diz que não votará em nenhum, abrindo terreno para a tal terceira via. Simples visualizar o cenário desta forma não é mesmo? Pois é, lamento lhe dizer, mas a política é bem mais complexa do que isso e os lados muito mais numerosos.

Começando pelas ideologias políticas. Temos muitas, irei citar algumas. À direita, temos libertários, conservadores e liberais. À esquerda, temos progressistas e socialistas. Para cada espectro político, você terá princípios e valores bem definidos. No Brasil, não há essa clareza na representatividade ideológica porque entram em cena os inúmeros partidos políticos que temos em atividade. Em nosso país temos uma falta de representatividade ocasionada justamente por essa quantidade abusiva de siglas partidárias, uma verdadeira confusão de nomes que não representam absolutamente nada do que diz a ciência política. Há uma falta de coerência sobre o que um partido defende e como ele é diferente dos outros. Em alguns casos isso até pode ser claro, mas analisando o panorama geral, há mais semelhanças do que diferenças entre muitos partidos, o que já coloca em xeque o porquê de termos tantos em operação. Soma-se a isso o financiamento público de campanha e começamos a perceber ummodus operandi, que é o uso da verba pública para manutenção dos partidos, em vez do uso dos recursos para legislar em prol da população que elege seus representantes.

O fato é que o número enorme de partidos só é justificado pelo interesse de seus dirigentes em auto sustentar seus projetos políticos de poder, sem qualquer compromisso em trabalhar pela população. Analise países muito mais avançados que o nosso no cenário político cultural e você verá que a representatividade política não necessita de quantidade, mas sim de qualidade na construção de pautas e nos valores que dão sustentação à atuação político partidária. A exemplo disso, cito os EUA, a Inglaterra, a Alemanha e a Suécia. O número de partidos são pouquíssimos nestas democracias, às vezes apenas dois (é o caso dos EUA).

Deu para entender o problema que enfrentamos no Brasil? O problema da falta de representatividade, da falta de conhecimento político ideológico por parte da maioria dos brasileiros que dizem não gostar de política, da falta de ética e compromisso dos operadores políticos em criar mais transparência e representatividade no cenário político partidário.

2022 está aí, ano de eleição para Presidente, Governadores,  Senadores, Deputados Federais e Deputados Estaduais. Quer uma dica? Vote em candidatos que queiram combater o status-quo político partidário brasileiro, que tenham coragem de operar as mudanças que o país precisa para um amadurecimento político cultural. Fica a dica caro leitor, do contrário continuaremos a ser feitos de palhaço com retóricas simplistas como direita vs esquerda. Caso você queira mudanças, assim como eu quero, exerça o seu voto com prudência, já diria Edmund Burke.

 

*Davi Rogerio Waltrick é Bacharel em Relações Internacionais pela UNISUL, Mestre em Administração pela Univali, com MBA pela Halmstad University (Suécia).

 

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