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quarta-feira, 18 maio, 2022

A trama que foi ralo abaixo

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A trama que foi ralo abaixo

Àqueles que fazem de conta que nada ocorreu no campo político nos últimos meses, principalmente deputados estaduais que passaram a frequentar agendas do governador, saibam que a decisão do Ministério Público em arquivar a investigação sobre a participação de Carlos Moisés no processo de aquisição dos 200 respiradores junto à Veigamed, com pagamento antecipado de R$ 33 milhões, é um duro golpe definitivo na trama para derrubar a cúpula do comando estadual.

A ação urdida nos bastidores da Assembleia, quando se falava de um governo do Legislativo, movida pela sede pelo poder, por insultos, ofensas e supostas provas, que nunca se confirmaram, não deve ser esquecida pela sociedade catarinense, tampouco por quem viu de perto o que se pretendia ou deu espaço para que a canalhice progredisse com dois pedidos de impeachment e uma CPI.

MP e Polícia Federal concluíram o óbvio, porém o desgaste às imagens do governador e da vice Daniela Reinehr, outro alvo da trama, não terminaram com a calmaria de agora, quando deputados não tratam mais do assunto, o ignoram, para justificar um relacionamento com Moisés, em nome da governabilidade.

Se levantarmos este véu circunstancial, veremos parlamentares, muitos deles, sem discurso e a luta do presidente da Assembleia, deputado Julio Garcia (PSD), um dos líderes da ação contra  o governador, a se equlibrar com o escudo do parlamento na mão para evitar as prisões decretadas pela Justiça Federal em função das operações Alcatraz e Hemorragia, da PF e do MPF, que tratam de corrupção, prova de que o Poder Legislativo terá que se reerguer, amparado na muleta de Moisés.

 

Dado

Prevaleceu o que Moisés insistia em sua defesa e não tinha eco na Assembleia, o fato de que mandou apurar, no mesmo dia em que soube, a compra dos respiradores, com sindicâncias internas, notificações ao MP e a abertura de uma investigação pela Polícia Civil.

O arquivamento pelo MP vem assinado pelo procurador-geral de Justiça, Fernando da Silva Comin, e pelos promotores de Justiça Alexandre Reynaldo de Oliveira Graziotin, Mauricio de Oliveira Medina, Marina Modesto Rebelo, Lara Peplau e Isabela Ramos Philippi.

 

Próximo passo

O advogado Marcos Fey Probst, que defende Moisés, incluirá a decisão do MP Estadual no processo do segundo impeachment, que trata de crime de responsabilidade do governador justamente na compra dos respiradores, na dispensa de licitação de um hospital de campanha, que nunca saiu do papel, e da falta de punições a administrativas aos ex-secretários Douglas Borba (Casa Civil) e Helton Zeferino (Saúde).

O Tribunal Especial de Julgamento ainda aguarda os documentos da Polícia Federal onde um parecer também isenta o governador catarinense por não encontrar indícios de envolvimento de Moisés na compra dos respiradores.

 

Demorou

O que já estava certo há semanas foi confirmado com a chegada do deputado Luiz Fernando Cardoso, o Vampiro (MDB), à Secretaria Estadual da Educação, depois de ter sido relator da Comissão Especial que aprovou o prosseguimento do primeiro impeachment do governador na Assembleia.

Ex-secretário da Infraestrutrura nos governos de Raimundo Colombo (PSD) e de Eduardo Pinho Moreira (MDB), o parlamentar, que é advogado, tem experiência na gestão pública, mas isso é o que menos importa, ele referenda o apoio da maior bancada na Assembleia a Moisés.

 

Recepção

Vampiro assume às vésperas do reinício do ano letivo na Rede Pública Estadual, um planejamento que é feito com muita antecedência, e com o desafio das aulas presenciais, a partir de 8 de fevereiro.

De um assessor do atual titular Natalino Uggioni, que prefere o anonimato, e em função do número de cargos que Vampiro terá à disposição, veio a frase: “Tanto trabalho jogado fora!”

 

Resolvido

O advogado Matheus Hoffmann, ex-secretário adjunto da Casa Civil do Estado, na gestão de Douglas Borba, assumirá uma função no gabinete da deputada Paulinha da Silva (PDT, por ora), ex-líder do governo Moisés na Assembleia.

Matheus sobreviveu às desventuras de Borba sem arranhões, embora tenha sido visto como testemunha-bomba (como tantas outras que não deram em nada) na CPI dos Respiradores, mas o posicionamento no Legislativo significa que a “República de Biguaçú” está bem viva.

 

Tradição

Presidente Jair Bolsonaro mantém a tradição de visitar Santa Catarina uma vez por ano pelo menos, como fará no próximo dia 4.

Bolsonaro já esteve em Santa Catarina para sobrevoar locais de tragédia climática e jápassou um período de descanso, no fim do ano passado, em São Francisco do Sul, mas o endereço prefeito oficial é a Academia Nacional da Polícia Rodoviária Federal, chamada de Universidade Corporativa (UNIPRF), com sede na Vargem Pequena, no Norte da Ilha de Santa Catarina.

 

VANDREI BION/DIVULGAÇÃO

DIRETO PARA A LAGOA

Mal chegou de Brasília, o deputado federal Hélio Costa (Republicanos) foi direto à Lagoa da Conceição acompanhar de perto o trabalho de recuperação da área atingida pelo vazamento de uma estação de tratamento da Casan. Hélio entra na fila com o Ministério Público Federal, que pretende investigar a conduta da estatal e cobrar ações contra os danos ambientais, e a prefeitura de Florianópolis, que abriu processo para multar a empresa em R$ 15 milhões pelo desastre provocado pela forte chuva. O foco do deputado é que a Casan auxilie as famílias atingidas e já prega que as estruturas da estatal sejam retiradas do local.

 

Venceu

Mesmo que com alguns sobressaltos, o pacote enviado por Gean Loureiro (DEM) à Câmara de Vereadores, em convocação extraordinária, passou sem sustos, embora a matéria sobre o IPTU, com data maior para o pagamento com desconto, em janeiro, tenha sido retirada.

O que não dá para entender é a insistência do Sintrasem em manter a greve dos funcionários da Comcap, algo que soa mal junto à população e ajuda a dilapidar a imagem da autarquia. Os líderes sindicais não perceberam que, desta vez, não haverá novas vantagens à mesa, muitas delas responsáveis por levar à situação atual, onde 84% do faturamento da Comcap são gastos com folha de pagamento.  

Roberto Azevedo
Roberto Azevedo tem 37 anos de profissão. Estudou jornalismo na UFSC, de Florianópolis, e direito na FURB, de Blumenau. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, na RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis, na Rede TV Sul! e na TVBV (Barriga Verde, BAND); comentarista na RIC TV Record e na Record News, e colunista no Diário Catarinense (onde também foi editor de Política) e no Notícias do Dia, tendo blogs nas versões digitais das edições. Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital catarinense. Além de ter uma coluna no Portal Making Of, desde setembro de 2016, faz comentários sobre política e economia na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e na TVBV (BAND), de Florianópolis.
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