Novembro 01, 2021

A violência contra jornalistas em Roma

A violência contra jornalistas em Roma
Reprodução/Youtube

Foi inaugurada ontem, 31, em Roma a relação troglodita entre o governo brasileiro e a imprensa: segundo relatos e a comprovação de imagens, três jornalistas foram agredidos por seguranças ao tentarem se aproximar de Jair Bolsonaro ao caminhar próximo à Embaixada.

Um dos agredidos, o correspondente da Globo, Leonardo Monteiro, relatou ter levado um soco no estômago, quando tentava fazer uma pergunta ao presidente. Outro, o repórter do UOL Jamil Chade teve o celular tomado e jogado no chão e a repórter da Folha, Ana Estela Pinto foi empurrada várias vezes.

Várias entidades já emitiram nota de protesto, entre as quais a Associação Nacional de Jornais: “É lamentável e inadmissível que o presidente e seus agentes de segurança se voltem contra o trabalho de jornalistas”, disse a ANJ.

O temor é que os episódios de Roma marquem uma dificuldade ainda maior na relação do poder com a imprensa, que ultrapassa o lado racional e, se não for devidamente esclarecido, pode ser parte de uma escalada de intransigência sem final feliz.

 

Opinião

Palavras interessantes de Augusto Nunes, ex-diretor de redação de vários jornais brasileiros, colunista, hoje na Jovem Pan: “O leitor quer saber o que o entrevistador tira do entrevistado, não o que pensa o entrevistador”.

Dá para discordar das opiniões radicais do jornalista hoje em dia, mas o que ele diz ter aprendido nas páginas amarelas da revista Veja deveria servir de orientação para muita gente que ocupa microfone. E que coloca sua opinião antes ou depois do entrevistado ou mesmo se manifesta sobre os assuntos banais do dia a dia, como se fosse importante para quem ouve.

 

Pan

A estreia da Jovem Pan News em TV dia 27 do mês passado mexeu pouco com os canais fechados de notícias. A GloboNews manteve a liderança confortável no PNT com 15 % de pontos a mais do que os concorrentes somados. Em São Paulo, maior mercado publicitário, a CNN foi a que perdeu posição para o novo concorrente, passando para o quarto lugar.

É cedo para avaliar com mais profundida o impacto da Pan, mas alguns pontos são mais notados: os cenários não são prioridade, em certos momentos há, inclusive, uma certa poluição visual; a reportagem é menos abrangente do que GloboNews, CNN e até mesmo Band News; o investimento maior é em opinião, quase sempre mais longas do que o costume, de muitos comentaristas.

O diferencial maior certamente é a abertura de espaço para posicionamentos políticos de direita, agora, inclusive, com a contratação de Alexandre Garcia – demitido da CNN há algumas semanas por posições contra a vacinação de jovens e por defender medicamentos sem comprovação para combater a Covid-19.

 

Apagão

Há 18 anos, em 29 de outubro, Florianópolis sofreu um apagão por quase três dias, provocado por uma barbeiragem de funcionários da Celesc que, ao fazerem um conserto na ponte Colombo Salles, acabaram tirando a cidade do ar. O único meio de comunicação disponível durante todo esse tempo foi a rádio CBN Diário, que se manteve no ar sem parar. O estoque de pilhas na cidade se acabou para abastecer os radinhos.

Foi sem dúvida a mais significativa cobertura de rádio da história da capital, reconhecida em vários prêmios recebidos. Foi o trabalho de uma grande equipe, coordenada por Carlos Alberto Ferreira.       

 

Oeste na Copa

O rádio catarinense das capitais segue propondo desafios. A rádio Oeste Capital FM lançou sábado passado o projeto de presença na Copa do Catar 2022. O jornalista Giovani Martinello vai acompanhar os passos da seleção brasileira com um serviço especial, como a emissora tem feito regularmente aqui no País.    

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Claiton Selistre

Claiton Selistre

Publisher, colunista e owner do Portal Making Of, é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Foi diretor de Jornalismo por 25 anos da RBS TV, TVCom e Rádio CBN/Diário, além de coordenador do comitê editorial da RBS em Santa Catarina. Antes atuou na  Rádio e TV Gaucha do grupo RBS e em redações de jornal, rádio e tv do grupo Caldas Jr. em Porto Alegre. Foi também repórter da na Sucursal do Jornal do Brasil. Planejou e Coordenou coberturas multimídia nas Copas do Mundo de Futebol na Alemanha, Argentina, Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França e Japão/Coréia. Dirige a Making of há sete anos.

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