Junho 02, 2021

A vitória foi mais do que significativa

A vitória foi mais do que significativa
DANIEL CONZI/AGÊNCIA AL

O que a maioria dos deputados estaduais fez ao derrubar os vetos do Executivo aos projetos que destinam recursos estaduais a obras federais, R$ 800 milhões do Plano Plurianual, e crédito suplementar de R$ 350 milhões para as rodovias BRs 470 (R$ 200 milhões), 280 (R$ 50 milhões) – entre Joinville e são Francisco - e 163 (R$ 100 milhões), é, na prática, foi findar politicamente a interinidade de Daniela Reinehr (sem partido) no governo do Estado e conceder uma vitória retumbante do governador Carlos Moisés (PSL).

Esta foi a grande polêmica produzida por Daniela na segunda passagem, de pouco mais de um mês, na chefia do Executivo e acirrou os ânimos entre deputados que debatiam entre o descaso do governo de Jair Bolsonaro com o Estado no quesito infraestrutura, os que não concordam com a liberação por razões jurídicas ou técnicas, os defensores por razões regionais e os que se insurgiram por ver na operação uma vantagem política para Moisés.

Em síntese, todos estão corretos em suas avaliações sem esquecer que o corte de mais de R$ 150 milhões no orçamento da União para as obras no Estado reforça o argumento de que pouco importa de onde venham os recursos, mas que revertam em benefício à população catarinense.

Debate político é a essência do parlamento, o que não é admissível era parlamentar que questionava a relevância da matéria em nome de disputa territorial e paroquial, sem que qualquer um dos envolvidos tenha defendido a posição de Daniela, no máximo resguardado a figura de Bolsonaro.

 

Rapidez

O governo do Estado terá agora que acertar com o DNIT a maneira de como proceder o repasse e assegurar que, de fato, os valores pré-agendados sejam investidos nas respectivas obras.

A conversa só começou e ao saudar os deputados pela decisão, nas redes sociais, fruto do novo momento com o Legislativo, Moisés disse que agora partiria para os detalhes com a colaboração do “competente ministro Tarcísio de Freitas”, de quem recebeu um elogio público pela atitude e pela confiança, ou seja, o governador faturou no Estado e em Brasília.

 

Pesadas críticas

Nem tudo foram flores para o governo do estado na Assembleia e o exemplo disso foram o desabafo e as pesadas críticas disparadas pelo deputado Valdir Cobalchini (MDB) ao Executivo e à Celesc na recuperação das linhas de transmissão no Meio-Oeste depois da destruição provocada por um tornado.

O que Cobalchini qualifica de absurdo é a falta de ação imediata da maior estatal do Estado e lembra que a transmissão até a subestação local é de responsabilidade da empresa Evoltz, concessionária do governo federal, o que não retira a responsabilidade da Celesc com as mais de 20 mil unidades desligadas só em Caçador, por quatro dias

 

Destino

Presidente Bolsonaro dever promover uma avalanche de interessados catarinenses em rumar para o Patriota, caso confirme a filiação na sigla depois que o filho, o senador Flávio Bolsonaro (Rio de Janeiro), seguiu o caminho como batedor, mesmo que enfrente alguma resistência entre os filiados mais antigos.

Em 2018, na Câmara, o partido fez seis deputados federais, tem pequeno tempo de rádio e TV, além de Fundo Partidário e Eleitoral, e, confirmada a cláusula de desempenho, estaria no corte dos destinados a perecer, embora hoje atue no Centrão, em bloco, ao lado de alguns gigantes em número de cadeiras, como PSL, PL, PP, PSD, MDB, PSDB, Republicanos, DEM, e outros menores como Podemos e Avante.

 

NATHAN NEUMANN/DIVULGAÇÃO

DOIS EM UM

Há muito em comum entre o deputado estadual Kennedy Nunes (PSD) e o senador Jorginho Mello (PL), que, com um ano e quatro de meses de antecedência, anunciam uma aliança para 2022: o alinhamento com o presidente Jair Bolsonaro e o antagonismo ao governador Carlos Moisés, para ser brando no rótulo. Jorginho, pré-candidato ao governo desde sempre, garante com Kennedy uma entrada no eleitorado evangélico, principalmente na Assembleia de Deus. O senador é católico fervoroso e devoto de Nossa Senhora Aparecida. Kennedy, agora investido de futuro dono do PTB no Estado, assegura um projeto mais sólido na majoritária. Aliás, no encontro, esta semana, no escritório de Jorginho, na Capital, bem próximo da sede do Legislativo Estadual, ficou claro também parte da estratégia do senador em sua empreitada, usar o ano que vem ao seu favor na hora de pedir o voto, pois coincide com o número do PL.

 

Um horror

Se dependesse da defesa do senador Jorginho Mello na CPI da Covid, a médica Nise Yamaguchi teria maiores problemas do que os simples puxões de orelha que recebeu dos integrantes da comissão por suas informações superficiais e equivocadas que reforçam a tese da existência de um gabinete paralelo de combate à pandemia com ênfase no tratamento precoce, sem comprovação científica.

Jorginho foi muito mal na tentativa de valorizar o currículo da médica que frequenta o Palácio do Planalto e pior ainda em sugerir que o tom brando das respostas deveria ser considerado pelos colegas como atenuante das cobranças.  

 

E tem mais

Nisse Yamaguchi foi confrontada pelo colega médico e senador Otto Alencar (PSD-BA) e não soube ou não quis responder a pergunta sobre a diferença entre um vírus e um protozoário, bem como provocou a reação da Sociedade Brasileira de Reumatologia sobre o motivo que a teria levado a não se vacinar contra a Covid-19.

A médica disse que é portadora de vasculite (uma inflamação que causa alteração nas paredes dos vasos sanguíneos) e a entidade, em nota, questionou a posição de Nise, não só pelo diagnóstico que não seria impeditivo para tomar o imunizante, como teria efeito entre outros com a doença, que poderiam se valer do fato para evitar a vacinação. Foi só mais uma derrapada dela entre outras tantas.  

Tags:
roberto-azevedo política economia bastidores da política Santa Catarina
Compartilhe: Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no Linkedin

Artigos Relacionados

Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Roberto Azevedo tem 36 anos de profissão. Estudou jornalismo na UFSC, de Florianópolis, e direito na FURB, de Blumenau. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, na RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis, na Rede TV Sul! e na TVBV (Barriga Verde, BAND); comentarista na RIC TV Record e na Record News, e colunista no Diário Catarinense (onde também foi editor de Política) e no Notícias do Dia, tendo blogs nas versões digitais das edições. Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital catarinense. Além de ter uma coluna no Portal Making Of, desde setembro de 2016, faz comentários sobre política e economia na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e na TVBV (BAND), de Florianópolis.
  • Youtube
MOF 3

Comentários

Onze 5

Media Social

Fique por dentro

Receba novidades no seu e-mail!