Novembro 05, 2017

A fabulosa Daniele Spielmann e seu sax espetacular

 

Uma artista que defende com paixão a música instrumental e uma das poucas saxofonistas brasileiras em atividade: Daniela Spielmann será um das atrações do "Floripa Instrumental", que começa na próxima sexta-feira (10) na Freguesia do Ribeirão e vai até domingo (12). Desde menina dedicada à música, Dani tem formação acadêmica na área (acabou de concluir Doutoradogia em Musicologia com a tese "Baile de Gafieira) e é considerada um nome obrigatório entre os craques do saxofone, tendo como trunfos a força interpretativa somada à criatividade de suas composições e arranjos.

Nesta entrevista exclusiva para o Portal Making Of, intermediada pela jornalista Linete Martins, ela fala um pouco sobre a carreira, o mercado para as pessoas que vivem da música e a visibilidade de seu trabalho através do programa "Altas Horas", da Rede Globo, onde atuou por 15 anos. O show da saxofonista será na segunda noite do festival (sábado, 21h)), acompanhada de Silvério Pontes.

 

 

Como você avalia o atual cenário para a música instrumental no Brasil?

Eu acho que o cenário contemporâneo para cultura de uma maneira geral está bem mais difícil, os editais não conseguem contemplar a imensa variedade de artistas e linguagens hoje produzidas, muitas casas de show estão fechando e os valores caíram, mas não acho que esta seja uma característica particular da música, vários setores estão com dificuldades. Agora a música instrumental , eu considero como um produto artesanal , não é feito para um grande mercado e é elaborada contínuamente,  quem gosta é que está lá sempre procurando este tipo de música. É difícil, mas é constante.

 

E a participação em eventos como o Floripa Instrumental?

Eu acho que eventos como esse é que são responsáveis pela continuidade da música instrumental e da formação de novos públicos. Você abre a porta para alguém que nunca ouviu este tipo de som poder escutar , então a importância é ímpar, fundamental. Além de valorizar o artista no contexto de um festival.


 

Sendo uma profissional da música que teve visibilidade num programa da projeção do Altas Horas, como você aproveitou essa oportunidade para destacar a música instrumental?

Eu sempre fiz música instrumental desde menina, montei o "Rabo de Lagartixa", que foi criado em 1992 e é um grupo de choro. Gravei meu cd solo em 2001, que foi indicado ao Grammy Latino e era instrumental primordialmente. Eu sempre procurei valorizar a música instrumental porque é um tipo de música que adoro , também adoro a voz cantada mas curto muito as sonoridades dos instrumentos.

E trabalhar na Globo durante quinze anos realmente me deu uma projeção que ajuda até hoje na divulgação dos meus shows. No próprio programa, o Serginho (Groissmann) sabia da minha adoração por choro e samba e sempre me convidada para mostrar um choro e, às vezes, tocar com convidados maravilhosos como Sivuca em 2001.
 

 

O fato de ser mulher, num meio que ainda predominam instrumentistas masculinos, foi um desafio?

O desafio de ser músico e sobreviver de música é grande independente de gênero, mas acho que o que mais dificulta a gestão da vida de algumas das mulheres no meio artístico é encontrar a maneira de cuidar de filhos, da família e ficar on the road: shows, gravações, produção  tocar na noite é difícil...Mas acho que se a gente estudar bastante e estiver tocando bem, esse preconceito é vencido...

Eu terminei o doutorado em música bem recentemente, foi uma ralação tremenda, tenho uma filha, toco e dou aulas no Cefet , que é uma escola técnica. É uma conta de chegada bem complexa...mas eu tento estar em forma com o instrumento sempre!!!

 

 

Num momento que as mulheres lutam por mais espaço e igualdade, há alguma influência desse movimento na sua carreira?

Sim, há sim. Acho bacana essa ideia dos coletivos e se fazer representar. Até bem recentemente toquei no projeto "Essa Mulher" e conheci o trabalho de várias colegas que eu não conhecia. Pensei, caramba, que há um problema de reconhecimento.. a gente não conhece o trabalho umas das outras. Então acho que uma das chaves talvez esteja aí em se fazer conhecer e valorizar o trabalho feminino também.

 

 

Uma mania - Correr na praia

O que mais admira - Gente honesta e simples

O que não suporta - Arrogância

Um lugar - Praia da Daniela, minha praia...kkk

Palavra - Ternura

Saudade - Do meu pai

Uma viagem - Litoral do Brasil

Uma bebida - Capisake de lichia

Um ídolo - Paulo Moura

Hobby - Dançar

Felicidade para você é - Ver o sorriso da minha filha

Um sonho - Acabar com a miséria, guerras e pobreza materiais e espirituais do mundo. Se não der para acabar, pelo menos diminuir...

 

 

Quem quiser saber mais sobre esta edição do Floripa Instrumental, acompanhe a página do evento no face :)

 

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Yula Jorge

Yula Jorge
Jornalista graduada pela UFSC. Antes disso estudou e viveu quatro anos entre o Canadá e os Estados Unidos e quando retornou a sua terra natal, Goiânia, graduou-se pela PUC em Secretariado Bilíngue. 
Logo mudou-se para Florianópolis, ingressou na Universidade Federal, e da ilha não saiu mais. Atua como colunista desde 2012, assinou uma coluna diária no jornal Notícias do Dia por alguns anos, e, paralelamente, foi repórter da RICTV Record e Record News. Traz todos os dias o que rola de especial em Floripa: sobre quem acontece, empreende, se engaja em causas legais. O que inaugura, as festas bombásticas, as melhores casas, restaurantes, os shows, as ações bacanas e o voluntariado.

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