Fevereiro 16, 2017

A resistência do PT está em uma gangorra

No mesmo dia em que o deputado federal Décio Lima (PT) foi definido líder da oposição no Congresso Nacional, uma força política que reúne PT, PCdoB, PDT, PSOL e Rede, um dos 20 prefeitos eleitos pela sigla petista, Luiz Paulo Farias, o Paulinho do PT, de Ponte Alta, acertou detalhes de uma futura troca de sigla para o PSD. A decisão de Paulinho, ainda do PT, não deve se constituir em um ato isolado, uma consequência da perda do espaço da legenda no Estado, que decresceu de 45, em 2012, para 20 cidades administradas, em 2016, reflexo claro dos escândalos de corrupção escancarados pela Operação Lava Jato, que também atingem PP e PMDB. No caso petista, as prisões e denúncias tiveram a conotação de criminalização, além dos fatos que envolveram o impeachment da presidente Dilma Rousseff.  

A visita de Paulinho ao deputado Gelson Merisio, presidente estadual do PSD, nesta quarta, na Assembleia, teve mais do que chimarrão e boas gargalhadas, encaminhou a troca de endereço eleitoral em breve e veio acompanhada de uma outra informação, a de que o ex-deputado e ex-prefeito de Rio do Sul Jailson Lima está próximo de anunciar a saída do Partido dos Trabalhadores. O caminho de Jailson, uma liderança no Alto Vale do Itajaí e em partes da Serra Catarinense, especula-se, deve ser o PDT. Para muitos petistas, Paulinho vai tarde, nunca foi um partidário de fato.

 

Nova cúpula

O PT está prestes a escolher, no mês que vem, em 12 de março (nos municípios) e de 23 a 24 de março (Estado), os novos presidentes que terão dois anos e não mais quatro de mandato, uma decisão verticalizada do diretório nacional que mudou as regras do Processo de Eleições Diretas (PED). A expectativa é tentar o consenso, uma aposta defendida pelo deputado Décio Lima, que não abriu mão de estar à frente da sigla e afirma que o momento é de tirar o partido do isolamento, embora exista muita conversa paralela que indiquem a troca dele pelo PDT, o que implicaria também na saída da deputada estadual Ana Paula Lima. Décio nega, mas aponta para o futuro em que outros fatos devem ser ponderados.

 

ZECA RIBEIRO/CÂMARA DOS DEPUTADOS

FRENTE AMPLA

Décio Lima articula em Brasília a criação de uma frente ampla, que inicia com a defesa das questões ligadas às reformas de Previdência e Trabalhista e se estende à alternativa de poder que antevê aos partidos em torno de Michel Temer e Raimundo Colombo. A missão, justifica Décio, é aglutinar forças com interesses comuns que passam por PDT, PCdoB , PSOL e Rede, mais as conversas adiantadas com o PR e o PRB. Não se esqueça que Décio e Ana Paula estão entre os mais próximos do ex-presidente Lula, que agora aparece como líder da pesquisa divulgada pela Confederação Nacional dos Transportes, na disputa ao Planalto, em 2018. Na foto, Décio exercita o diálogo com os demais partidos à esquerda, na conversa com a deputada Jô Moraes (PCdoB-MG). Não lhe falta a capacidade de interlocutor. 

 

Fica

O deputado Padre Pedro Baldissera, outro parlamentar que volta e meia entra nas listas de quem deixará o PT, rechaça os comentários e repete a freasse que cunhou no ano passado: “Fico até o fim, mesmo que tenha que ser o último a pagar a luz!” Padre Pedro está de volta à comissão da Pesca, que criou e irá presidir, e à comissão de Agricultura, bem dentro dos interesses dos produtores do Oeste.  

 

É diferente

Comemorar que a pesquisa encomendada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) deu Lula na frente em três cenários, com vitória no 1º turno à Presidência, em 2018, ignora fatores temporais. Réu em cinco processos por corrupção, o petista dificilmente escapará da inelegibilidade, sem esquecer que, há uma ano e oito meses das eleições do ano que vem, deixa o levantamento na seguinte situação: Dilma ganharia no primeiro turno, de acordo com a pesquisa encomendada pela mesma CNT. Não foi o que ocorreu e as repecurssões da Operação Lava Jato não eram as de hoje.

 

Polícias 1

A bem sucedida operação que evitou um ataque de caixeiros em São João Batista ainda rende no meio policial, porém com difícil compreensão da população do que as duas forças, a Polícia Civil e a Polícia Militar tanto reclamam. Em nota oficial, a Acors, associação que congrega oficiais da PM e do Bombeiro Militar, adverte que a prisão do tenente Paulo Renato Farias será solucionada porque o militar não cometeu crime algum, e que sua atitude como comandante do pelotão local foi saber, durante uma coletiva à imprensa da DEIC, o porquê de não ter sido comunicado da operação.

 

Polícias 2

Já a Associação dos Delegados de Polícia de Santa Catarina também emitiu nota para repudiar a atitude do tenente PM, que, à paisana, de camiseta, bermuda e chinelos, se fez passar por profissional da imprensa local e acabou por desacatar os policiais civis da DEIC, no que foi detido. A Justiça estipulou uma fiança para que o oficial deixasse a prisão, mas mesmo os argumentos de que a falta de aviso da operação colocaria em risco a ação da DEIC, pois a PM poderia atirar em qualquer um dos lados, a população pergunta: Devemos torcer para os bandidos ou para quem evita que eles provoquem mais danos à sociedade? Pouco importa a polícia que prende ou atira, a sociedade agradece.

 

ELIANE RAMOS/DIVULGAÇÃO

SORRISO SOCIALISTA

Uma das siglas que mais cresceram em Santa Catarina na última eleição, com 10 prefeitos e 95 vereadores, em importantes cidades, bom humor é o que não falta entre os dirigentes estaduais do PSB. Agora, da esquerda para a direita, o deputado Patrício Destro, o presidente Paulo Bornhausen, o deputado Cleiton Salvaro e o prefeito Luciano Buligon (Chapecó), entre outros, traçam planos para a próxima eleição estadual com a meta de quatro cadeiras na Assembleia e quem sabe uma candidatura ao governo do Estado, o que dependerá das costuras que passam por PSD e PP, parceiros no segundo turno da eleição na Capital.

 

Olhar catarinense

Documentário produzido pela Confederação Nacional dos Municípios para comemorar os 37 anos da entidade terá participação catarinense de peso. O ex-prefeito de Chapecó, Milton Sander, primeiro presidente da Fecam; o diretor de Articulação Institucional da federação, Celso Vedana, e o secretário executivo da Associação dos Municípios da Região da Grande Florianópolis, Miguel Faraco, que contarão detalhes sob o ângulo de quem fundou a parte da entidade municipalista de Santa Catarina, criada cinco meses após da fundação da CNM.

 

RÁPIDAS

* Depois que a empresa americana Global Geophysical Services, contratada pela Agencia Nacional do Petróleo (ANP) por R$ 59,9 milhões começou na realizar  testes sísmicos para prospecção de petróleo e gás em Santa Catarina, a bancada do PT na Assembleia protocolou um projeto de lei, que pretende suspender por 10 anos a exploração do gás de xisto no Estado.

 

* Remanejamento que será feito em vários quartéis do Estado, que podem fechar plantões noturnos, levou o deputado estadual Rodrigo Minotto (PDT) a buscar informações com o coronel BM Onir Mocellin, comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina.

 

* O prefeito Gean Loureiro (PMDB) reforçou pelas redes sociais, direto de Brasília, que era insistente e resistente, uma referência à greve dos servidores municipais que completa um mês, nesta quinta, sem perspectiva de solução, e crescimento no quesito preocupação da sociedade.

 

* Tem mais um dia, nesta quinta, de passeata pelo Centro e assembleia dos servidores na Capital, que parecem entrar no modo enrolar uma solução até o Carnaval, que começa na sexta-feira da semana que vem.

 

* Triste: secretários da prefeitura, entre eles o da Educação, Maurício Fernandes Pereira, convidaram os 115 diretores de unidades educativas (escolas e creches) para uma reunião no Plenarinho da Assembleia Legislativa, na quarta, às 16h, para falar das medidas adotadas pela prefeitura e seus impactos, e apareceram só cinco. Está claro: não querem diálogo nem informação, ótima postura para um líder, pois ouvir não significa aderir. 

 

* Por sete votos a um dos  ministros do Supremo, o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) prossegue preso por atos de corrupção em Curitiba, sem hábeas e sem praticar, por ora, nenhuma outra marotice. 

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 36 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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