21.6 C
fpolis
21.6 C
fpolis
quarta-feira, 25 maio, 2022

Antecipar o palanque põe a governabilidade em risco

Últimas notícias
Antecipar o palanque põe a governabilidade em risco
JEFFERSON RUDY/AGÊNCIA SENADO

A CPI da Covid ou da Pandemia que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), foi forçado a abrir por determinação do Supremo Tribunal Federal, menos tem de trabalho cívico pela preservação de vidas em cobrança direta à atuação do presidente Jair Bolsonaro e mais a ver com a antecipação do palanque eleitoral de 2022, a pouco mais de um ano e cinco meses do pleito geral.

É o mesmo pano de fundo que motivou, num misto de revanche pelo lockdown iniciado pelo governador Carlos Moisés da Silva, ora afastado, em março do ano passado, e do calendário de escolha de prefeitos e vereadores, em novembro de 2020, com a necessidade de apuração da responsabilidade pelo escândalo.

Se sobra pertinência em cobrar de Bolsonaro pelos recursos gastos no combate da Covid-19 e a necessária auditoria do que foi efetivamente implementado pela União a estados e municípios, bem como para se estabelecer responsabilidades na malograda compra de 200 respiradores junto à Veigamed, uma empresa que sequer deve ser rotulada de fundo de quintal, com a antecipação do pagamento de R$ 33 milhões sem a garantia de entrega, em Santa Catarina, o objetivo anda em paralelo com o pior estilo de se fazer política.

Isso tornou-se notório nos bastidores cheios de empenho e de raiva de quem busca com os fatos criar uma narrativa de terra arrasada em um cenário distante disso, um desserviço à democracia pela classe política, que deveria avaliar melhor o desgaste a que se submete neste exato momento.    

 

Forçar a barra

Enquanto em Brasília a CPI surge para atacar Bolsonaro, na falta de uma base sólida para provocar o afastamento, mas sem poupar governadores e prefeitos, que devem entrar no foco para espalhar as diversas necessidades de parlamentares em suas bases, tanto na posição de adversários quanto na de aliados, no Estado o impeachment de Moisés tem servido de sustentação para projetos de A a Z.

Se o governador, ora fastado, sobreviver ao segundo processo, reforçará a musculatura política e criará o fantasma que nenhum político tradicional quer, principalmente os derrotados em 2018, o de que é possível governar com menos amarras, com mais gestão do que troca de favores, máquina pública mais enxuta e sem atender aos interesses de apaniguados e financiadores de campanha.   

 

JEFFERSON RUDY/AGÊNCIA SENADO

TAREFA HERCÚLEA

Senador Jorginho Mello, que na foto aparece em conversa à direita com o presidente Rodrigo Pacheco, na sessão remota da última terça, garantiu uma vaga na CPI da Covid, indicação do partido que agrada ao Palácio do Planalto. Porém, longe de só pensar em holofotes, o catarinense não terá vida fácil, pois os governistas serão minoria na comissão, o que só aumenta a ira do presidente Jair Bolsonaro. Jorginho terá que se desdobrar para convencer adversários de que a coisa não é bem assim.

 

Difícil

Poderdata e Band divulgaram uma pesquisa à Presidência que reforça o argumento de que tudo caminha para antecipar a disputa, forma mais do que antiga de incomodar o atual inquilino do Palácio do Planalto.

Estabelecer cenários agora, sem saber sequer se Lula (PT) terá os direitos políticos preservados para concorrer, pôr uma série de nomes desidratados como Sérgio Moro e Luiz Henrique Mandetta (ex-ministro de Bolsonaro) ou ainda incluir apostas duvidosas, como o apresentador de TV Luciano Huck, sugere de tudo, menos credibilidade. Bolsonaro que, em primeira análise, seria o mais prejudicado, tem tudo para dar risada.

 

Em Brasília

Enquanto a agenda da governadora interina em Brasília foi de contatos políticos na quarta (14), sem cobertura da imprensa, nesta quinta (15) a movimentação oficial foi grande e pública.

Na lista, o ministro Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) com quem conversou sobre a necessidade de recursos especiais para as BRs 470, 153 e 280, e, à tarde, o secretário de Aquicultura e Pesca do Ministério da Agricultura, Jorge Seif Junior, às 14h, e o ministro Marcelo Queiroga (Saúde), para tratar do combate à pandemia no Estado.   

 

Padrinho

Depois de garantir o retorno de Daniela Reinehr ao governo, e, ao mesmo tempo, mandar o governador Carlos Moisés para o afastamento de até 120 dias, o deputado Laércio Schuster (PSB) não tem o que reclamar dos encaixes de apadrinhados na administração estadual.

Emplacou André Espezim, ex-secretário de Comunicação da Prefeitura de Blumenau, como secretário adjunto de Infraestrutura e Mobilidade, com direito a agradecimentos do nomeado nas redes sociais ao parlamentar e à governadora interina.  

 

DANIEL CONZI/AGÊNCIA AL

EM DEFESA DO ARGUMENTO

Relator do primeiro processo de impeachment e um dos mais atuantes na CPI dos Respiradores, o deputado Kennedy Nunes (PSD) não poupou críticas aos argumentos da subprocuradora-geral da República, Lindôra Maria de Araújo, principalmente quando ela declarou que Moisés não sabia do pagamento antecipado. Da tribuna na Assembleia, Kennedy disparou contra o adversário: “Que zona era este governo”. Aliás, o deputado mantém a retórica de que o foco é o crime de responsabilidade e não crime comum, embora, durante os trabalhos da Comissão, Moisés foi chamado de criminoso para baixo. Kennedy disse que é oposição ao governador afastado e à governadora interina.  

Roberto Azevedo
Roberto Azevedo tem 37 anos de profissão. Estudou jornalismo na UFSC, de Florianópolis, e direito na FURB, de Blumenau. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, na RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis, na Rede TV Sul! e na TVBV (Barriga Verde, BAND); comentarista na RIC TV Record e na Record News, e colunista no Diário Catarinense (onde também foi editor de Política) e no Notícias do Dia, tendo blogs nas versões digitais das edições. Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital catarinense. Além de ter uma coluna no Portal Making Of, desde setembro de 2016, faz comentários sobre política e economia na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e na TVBV (BAND), de Florianópolis.
Mais notícias para você
Últimas notícias

Mulher tatua bombom Caribe e ganha 10kg de chocolate

Fã do bombom Caribe, a veterinária paulista Mariane Brasil eternizou seu amor pelo doce e o tatuou no braço....
.td-module-meta-info { font-family: 'Open Sans','Open Sans Regular',sans-serif; font-size: 14px !important; margin-bottom: 7px; line-height: 1; min-height: 17px; } .td-post-author-name { font-size: 14px !important; font-weight: 700; display: inline-block; position: relative; top: 2px; }