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sábado, 28 maio, 2022

Antes que arrebentasse, Bolsonaro cortou a corda esticada

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Antes que arrebentasse, Bolsonaro cortou a corda esticada
MARCOS CORREA/PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

O até então imprevisível ato do ex-presidente Michel Temer, que virou herói improvável ao levar ao presidente Jair Bolsonaro a nota oficial com 10 itens capaz de reabrir o diálogo com o Supremo Tribunal Federal, foi precedido de uma série de contatos entre magistrados, políticos e principalmente empresários.

O cálculo que caiu à mesa de Bolsonaro era baseado em uma simples equação: ficaria isolado no Congresso e amargaria pesadas derrotas na economia com a paralisação dos caminhoneiros, como se não possível aumentar o caldeirão de problemas causados pela inflação em alta galopante, o dólar em elevação e o alto preço dos combustíveis, que puxam mais prejuízo à população com resultado nocivo à imagem do chefe da nação.

O alerta veio antes, mas a nota costurada pela Fiesp e que teve apoio da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) só veio a público nesta sexta (10).

Foi potencializado com a bomba atômica de tentar “enquadrar” o STF, autônomo e independente por cláusula pétrea da Constituição, atos responsáveis por tornar a atmosfera irrespirável para o presidente da República que acreditava ter muito mais apoio da população do que realmente apareceu e contava com isso para aplicar leis de exceção no país.

Temer era o personagem certo para agir em nome não só de um Congresso na expectativa de ser o próximo alvo dos radicais e do “gabinete do ódio”, mas igualmente de um reativo Supremo – e que leva consigo toda a preocupação dos vários níveis da magistratura, pois sabe que a perseguição não acaba na Praça dos Três Poderes -, por ser o responsável pela indicação do ministro Alexandre de Moraes, ser um dos poucos políticos respeitado por Bolsonaro e ainda representar parcela significativa do setor produtivo e financeiro, ciente do potencial da crise.   

 

Bombeiro certo

O papel dado a Temer foi moldado à condição de articulador e conciliador do ex-presidente, opinião da qual os petistas e boa parte da esquerda discordam depois dos episódios de 2016, porém é inegável considerar que o emedebista que chegou à Presidência conhece como poucos os atalhos do poder em Brasília, experiência que trouxe depois de três vezes como comandante da Câmara dos Deputados.

Reabilitado por ter superado todas as tentativas de criminalizá-lo, Temer ainda tem o aval da Fiesp e do Conselho Político e Social da Associação Comercial de São Paulo, influente fórum que teve como seu primeiro coordenador-geral o ex-governador e senador Jorge Bornhausen, um dos que agiram como consultores da ação para frear o ímpeto de Bolsonaro que levaria a uma provável convulsão político-econômica sem precedentes no pós-democratização do país.

 

Para marcar

Coluna repete a máxima de que crises econômicas têm potencial muito maior para derrubar governos e provocar o revés nas urnas do que as mazelas políticas.

O bolso do eleitor é mais sensível do que a avaliação, quase sempre pejorativa, que ele faz do detentor de mandato.

 

Recuo tático

Bolsonaro, que sentenciou não caber a detentores de cargos públicos o direito de “esticar a corda”, por isso a cortou, praticou o gesto, ligou para o ministro Alexandre de Moraes aconselhado por Temer, chamado às pressas para fazer a interlocução em um momento em que as portas foram fechadas para o inquilino do Palácio do Planalto.

Com formação militar, o presidente da República sabe o valor de um recuo tático, que nem chega a configurar uma derrota, dá sim fôlego para novas bravatas, para parafrasear o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), o que sugere ainda que não podemos desfazer o fato de que Bolsonaro aceitou fazer a conciliação, posição inimaginável nos eventos do dia 7.

O quanto durará a aparente calma após a tentativa de ruptura será algo imprevisível, algo que dependerá de como o STF analisará a prerrogativa de foro do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), no inquérito que investiga as rachadinhas na Assembleia do Rio de Janeiro, à época em que era deputado estadual, novas prisões de aliados do presidente no inquérito das fake News ou a análise sobre os trâmites de processo de impeachment, provocados pela oposição.

 

Vitória

Nem foi ação do Planalto, só que a ministra Carmen Lúcia deu um voto contra o pedido do deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) para a análise imediata dos pedidos de impeachment do presidente Bolsonaro.

A demanda era para que o presidente da Câmara, Arthur Lira, fosse forçado a analisar os 122 pedidos de impeachment com um limite de tempo para fazê-lo.

Carmen Lúcia é relatora na segunda turma do STF e Ricardo Lewandowski pediu vista, o que levará a questão para o plenário.

 

Surpreso

O ex-presidente Temer disse, em entrevista ao Grupo Bandeirantes, que ficou “surpreso” com a repercussão da carta que costurou com Bolsonaro.

A mudança de atitude do atual presidente trouxe tranquilidade ao país, por ora, que parece ter levado boa parte da população a reagir à agenda do Zé Trovão, o caminhoneiro Marcos Antônio Pereira Gomes, de Joinville, no estilo de quem apaga incêndio com querosene, porque gasolina ainda falta em alguns postos catarinenses.

 

Que discurso

Inegável foi o poder do discurso do ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, na defesa do processo eletrônico de captação e contagem dos votos no Brasíl, que elegeu Bolsonaro por seis vezes, sem que seus aliados e seguidores tenham comprovado qualquer fraude.

O ponto mais emblemático não ficou só na fulanização dos contra-ataques ao presidente da República, mas no momento em que assegura que teremos um presidente eleito pelo voto direto e democrático a tomar posse em 1° de janeiro de 2023.

 

Sem novidade

A informação de que a vice-governadora Daniela Reinehr usou dinheiro público para ir a Brasília, participar dos atos com pauta antidemocrática na última terça (7), tem tudo para virar folhetim.

É que Daniela tinha agenda, no Palácio da Alvorada, onde ocorreram as comemorações oficiais do Dia 7 de Setembro, convidada pela Presidência da República, portanto o argumento da legalidade deve superar o da revanche.

Roberto Azevedo
Roberto Azevedo tem 37 anos de profissão. Estudou jornalismo na UFSC, de Florianópolis, e direito na FURB, de Blumenau. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, na RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis, na Rede TV Sul! e na TVBV (Barriga Verde, BAND); comentarista na RIC TV Record e na Record News, e colunista no Diário Catarinense (onde também foi editor de Política) e no Notícias do Dia, tendo blogs nas versões digitais das edições. Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital catarinense. Além de ter uma coluna no Portal Making Of, desde setembro de 2016, faz comentários sobre política e economia na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e na TVBV (BAND), de Florianópolis.
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