Julho 09, 2021

Ao nosso Tiri, com carinho

Ao nosso Tiri, com carinho
Jeff Bridges e seu melhor amigo em Um ano de Cão

Já contei aqui que nunca tive animal de estimação, exceto um gato que chegou e partiu voluntariamente e, na adolescência, um rato desses comuns que eu alimentava na área de serviço.

Hoje lembrei que não inclui na lista uma cota de “sócia-proprietária” que tive do cão Tiririca. Alguém deu esse nome porque lhe faltavam vários dentes quando ele apareceu sujo e machucado no pátio da emissora de TV onde eu trabalhava.

Imediatamente alguém organizou uma vaquinha para a consulta veterinária e tratamento de limpeza daquela bola de pelos cinzentos, com direito a carrapatos e tudo o mais de quem parecia viver nas ruas há muito tempo.

Uma colega se encarregou de levá-lo e, na volta, mal reconhecemos o Tiririca. Limpo, escovado, envolto numa nuvem de perfume e laço de fita vermelha no pescoço. O pobre bicho também não se reconhecia e começou a se esfregar na areia, tentando recuperar o cheiro familiar. Com o restante da verba, ele ganhou uma casinha no pátio da emissora.

Nunca vi a redação e colegas de outras áreas tão unidos em torno de algo quanto na adoção coletiva daquele que se tornou o cão de todos. Alguém fez até um crachá semelhante ao nosso para ele. No restaurante da empresa era comum ver um colega juntar, sub-repticiamente, pedacinhos de carne num prato plástico que sabíamos onde ia parar.

O problema é que Tiri foi se acostumando com os mimos e começou a ganhar confiança para entrar no prédio. Um dia foi flagrado por alguém da direção aninhado na poltrona do camarim onde os apresentadores se preparavam para entrar no ar. Logo correu que havia uma ordem para os Serviços Gerais expulsarem Tiririca da empresa. Montamos guarda e fizemos ameaças: Deus o livre alguém tocar no nosso bichinho de estimação!

Um dia, participando de um encontro nacional de jornalistas no nordeste, ouvi um colega falando para outro: olha que legal, lá em Floripa a Redação tem um cachorro! Sorri orgulhosa ao descobrir que Tiri já ganhara fama extramuros.

Bem, como a falta de dentes já denunciava, nosso fofo não era mais um garotinho. Devia ter muitos anos de maus tratos na vida. Ele adoeceu e, apesar de todos nossos esforços, mediante vaquinhas para veterinários e cirurgias, seu estado piorou. Uma colega mais pragmática resolveu fazer uma enquete sobre acabar ou não com o sofrimento dele. E assim, Tiririca foi para o céu dos animais.

Na época ainda não existia crematório na cidade nem para humanos, mas não lembro se houve algum funeral. Talvez, nosso amiguinho tenha sido enterrado debaixo da paineira, onde gostava de ficar olhando o movimento dos carros de reportagem que iam e vinham.

Sei apenas que os nossos cuidados, Tiririca devolveu nos humanizando e unindo em torno de algo bonito e amoroso. Quando alguém diz que fomos generosos, respondo que os devedores somos nós. Obrigada, Tiri.

(Brígida De Poli)

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Filme

Um ano do cão –  direção: George LaVoo  - 2009 – HBO/NOW

Por coincidência, este filme acaba de entrar no acervo da HBO...

No auge de sua meia-idade, o escritor Jon Katz (Jeff Bridges) está a beira de ter um colapso nervoso. Além de passar por um forte período de bloqueios criativos, ele foi deixado por sua esposa e se sente cada vez mais solitário. Quando um cãozinho que sofreu traumas por abusos vai parar em sua casa, Jon decide ficar com o animal, mas contrata uma adestradora para deixar o animal mais tranquilo. No meio da situação, a treinadora percebe que o problema do cachorro pode ser tão grave quanto o do seu dono. ( Sinopse oficial).



Kaleb- o cão herói –  direção: Lynn Roth – 2020- Canal Looke

A crítica não foi muito generosa com o filme, talvez por considerá-lo melodramático demais ao juntar holocausto, criança e bicho. Mas, tenho certeza que muitos vão gostar.

Separado de sua família judia por conta do nazismo, o pastor alemão Kaleb é adotado por um soldado do serviço secreto que o treina para controlar prisioneiros em campos de concentração. Um reencontro inesperado acontece.(Sinopse oficial/ Trailer FilmIsNow Movie Trailers International)

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Séries

(FDP) –  13 episódios – Brasil – HBO

A série é de 2012, mas volta à grade da HBO merecidamente depois de muito tempo. Juarez Gomes da Silva é um juiz de futebol, ético e um pouco atrapalhado na vida pessoal e profissional. O tema é pouco explorado se considerarmos que somos um país amante desse esporte.  O título é perfeito, pois juízes de futebol têm suas mães detratadas com freqüência por torcedores enfurecidos. O sonho de Juarez é apitar uma final de Copa do Mundo. Tem situações muito divertidas, principalmente através do juiz auxiliar, interpretado pelo hilário Paulo Diefenthaler. Eucir de Souza convence no papel do juiz atrapalhado.



Solos – 7 episódios -  Prime Vídeo

Impossível não conferir uma antologia que traz um elenco desses :  Morgan Freeman, Uzo Aduba, Anne Hathaway, Helen Mirren e outros nomes conhecidos. Misturando drama e ficção científica, Solos traz uma história a cada episódio, ambientada no futuro não determinado pelo roteiro. Vemos que há robôs de alta inteligência artificial, por exemplo, nas aventuras dos participantes. Mesmo isolados, os sete personagens descobrem que estão todos interligados.



In Treatment -  24 episódios – HBO

Já que mencionei a Uzo Aduba me senti na obrigação de voltar a falar da nova temporada de Em Terapia. Contei aqui na coluna quando ela foi lançada meu medo de estragarem ma das minhas séries favoritas quando trocaram o soturno Gabriel Byrne no papel do terapeuta por Uso Aduba. Pois bem, assiste e curti muito o novo ritmo. Se Byrne/Dr.Paul Weston era o terapeuta tradicional, sem maiores deixar transparecer seu envolvimento emocional com os pacientes, a Uzo/Dra.Brooke vai no sentido contrário. Ela é empática até demais com seus pacientes.

 O formato é o mesmo: a cada dia uma sessão e no último, os demônios da própria psiquiatra. Desta vez temos um rapaz de origem latina cuidador de um jovem deficiente, uma jovem super protegida pela avó e um homem envolvido num escândalo financeiro. Uzo Aduba está ótima num papel que é feito em grande parte de expressões faciais. Não tem como enganar o público quando você precisa que passe pelo seu rosto o que você está sentindo ao ouvir os relatos dos pacientes. Resumo da ópera: gostei muito.

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BÔNUS

Já que a crônica hoje fala do amor entre humanos e animais, deixo o link da coluna temática de 17/08/2018, para quem curte o tema. Aqui.

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Adeus, Richard Donner!

O diretor de Superman- o filme,  Os Goonies, O Feitiço de Áquila, A Profecia, Máquina Mortífera, Teoria da Conspiração, além de séries como O Agente da Uncle, partiu no último dia 05 de julho, aos 91 anos.

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THE END

(*) Fotos reprodução/divulgação

Tags:
cinema séries beijos de cinema arte cultura séries de TV netflix
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Brígida Poli

Brígida Poli

Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".

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