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quarta-feira, 25 maio, 2022

As corujas no toco

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As corujas no toco

Depois da última crônica, onde contei sobre a chegada do finlandezinho Rio à minha família, perguntaram-me se era verdade que somos todos lindos. Bem, não sei aos olhos do mundo, mas as“corujas no toco” sempre nos garantiram que sim.

Para explicar o apelido vou ter que recorrer à fábula “A coruja e a águia , do francês Jean de laFontaine, depois reescrita por Monteiro Lobato. É mais ou menos assim: após muita rivalidade, a coruja e a águia selaram um tratado de paz e um acordo de que uma não comeria o filho da outra. Fizeram então a descrição dos seus filhotes para não haver engano. A coruja estufou o peito echeia de orgulho, os descreveu como as criaturas mais inteligentes e lindas da floresta. Quando a águia saiu para caçar, encontrou um ninho com umas criaturinhas pequeninas e feias, sem penas,e que não conseguiam sequer abrir os olhos. Não teve dúvida em devorá-las. Ao descobrir seu ninho vazio, a coruja foi indignada e triste cobrar da águia o rompimento do acordo. A águia desculpou-se, dizendo que não reconheceu a descrição maternal naqueles feiosos. Moral da história: quem ama o feio, bonito lhe parece.

Minha mãe e suas seis irmãs sempre foram apaixonadas pelos filhos, sobrinhos e netos. Quando elas nos viam reunidos ou nas fotografias diziam: não tem um feio sequer nesta família! Nós, os elogiados, ríamos muito delas e as chamávamos de “corujas no toco”. Passamos a ser a família dos guidolindos, em referência ao nosso sobrenome materno. A cada geração, chegam novos lindinhos. Como o Rio, netinho do meu primo.

Brincadeiras à parte, sentimos falta das cinco corujinhas que já partiram. As duas que estão com a gente, ainda nos miram com aquele mesmo olhar cheio de encantamento, garantindo nossa formosura. Uma fala para a outra: já viu que não saiu um feio, minha irmã?

A gente sorri e aceita. Aos olhos delas somos os filhotes mais lindos do reino. Modéstia à parte, para que contestá-las ?

(Brígida De Poli)

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Miniconto

O desafio “Entre Lugar” foi apresentado pelo professor e escritor, Robertson Frizero,  ao grupo @literaturaminima. O miniconto devia falar sobre a sensação de não se pertencer ao lugar onde se está, mas também já não se identificar com o lugar de onde partiu.

Brígida Poli
Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".
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